<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477</id><updated>2012-02-20T19:30:52.325-08:00</updated><category term='sexo'/><category term='bazar pamplona'/><category term='manaus haitianos brasiléia brasil o acre existe crônica bruno graziano'/><category term='blog de contos diário'/><category term='ryu desenho japones ken carolina cubarenco paulo silva junior infância'/><category term='namorada são paulo homem mulher camile liguori bruno graziano marcha da liberdade canelas'/><category term='colégio'/><category term='contos'/><category term='cinema martin scorsese são paulo amizade sacrifício amor juventude'/><category 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uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>68</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-1271893859306275702</id><published>2012-02-07T16:00:00.009-08:00</published><updated>2012-02-19T13:25:59.387-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ryu desenho japones ken carolina cubarenco paulo silva junior infância'/><title type='text'>RYU</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Puxou o revólver e atirou, sem ao menos um adeus piedoso e final. Antes do covarde aperto, resmungou: "Hadouuuuuken!" E assim, sádico da própria nostalgia, repetiu simétrico e cancional: "Hadouuuuuken!" Matou por uma  única condição: estava bebasso. Ou melhor - e acima disso - ou mergulhado nisso - foi no teor alcoólico de sua mente que viu o impossível: acabava a infância! (e era assim, de uma hora para a oura, que os zero aos dezoito esfumaçavam-se num ínfimo e desintegrado átomo). Não contente, atirou ao redor, em tudo e em todos, como um mafioso medroso do cinema mudo. Queria, além disso, matar o resto do globo, o resto da existência. "E por quê?" Me pergunta o leitor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Fale com Paulo Silva Jr." Eu respondo, assim e somente. O sonho em questão, vívido e tridimensional, veio do caro amigo dia desses, no Acre. Levantou sedento por um copo d'água e quase bebeu, pasmem, toda a água existente na caixa do hotel barato em que estávamos. Todos já tivemos, ao menos um dia na vida, o pesadelo. Esta foi a vez do caipira fundamental. Sonhou que a doce infância era sepultada ali mesmo à sua frente. Fui testemunha ocular de seu transe soníferado e pude afirmar: fora de uma razão quase bíblica. Para os que não acreditam em Deus, reedito: fora de uma razão quase jornalística (da época em que o jornalismo podia ser chamado de jornalismo). Pois bem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E se o corneta oficial sentiu-se nem que por uma noite o legítimo Ryu do Street Fighter, quem era eu e meu sono tranqüilo para lhe enfrear? O que posso seguir maquinando é a sôfrega e inclemente afirmativa: "A infância é remédio do novo imbecil e do novo idiota!"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei se conhecem - e se não, lhes apresento - Cubalinda! Por aqui já fora citada e não só aqui estivera em mais textos, em mais fotos e em mais filmes pelo motivo da eterna incoerência artística. Carolina Cubarenco, ou, de batismo, Carolina Kryczynski - ou vice-e-versa - é uma dessas mulheres extraordinárias da vida real. Loira, ou talvez ruiva, e de dreads alucinantes, marreta a atenção de qualquer ser, homem ou mulher, sexuado ou não. Pois num dia já antigo, desses nublados da Augusta, sai com ela. Já faz tempo. Um bom tempo. O que me lembro,  no entanto, é de sua misteriosa faceta inocente. Se externamente era de porcelana, por dentro sangrava metal. Algo como o Jazz, o Blues, o Funk.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o que desejo espremer de Cuba, a inquieta Cuba, é sua permanente anti-obviedade. Milton Leal, quando a viu, manchetou: "Só deveria viver em filmes, em capas de revista!" E notem que o mochileiro cativo, em sua primeira impressão, leu Cuba com a preciosidade de sempre. Se Nelson Rodrigues estivesse vivo, com seus quase cem anos completos, defenderia Cuba para alguma readaptação de "A Falecida", de "Vestido de Noiva", de "Perdoa-me por me traíres"! Digo isso pois Cuba é atriz. E, nesta maquiavélica carreira, só é feliz quem atua. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois atuar, ao que senti e vejo, é a eterna infância. Receber um personagem nada mais é do que o espanto constante. Espantam-se como se fosse a primeira vez e à todo momento. Se não fui claro, darei um exemplo. Suponhamos que o simples e ordinário costume de tomar café na padaria seja algo tão diário e tão insubstituível que se torna tedioso. O leitor que compartilha da mesma tradição pode chegar no balcão e pedir o mesmo pão na chapa e o mesmo pingado. Ou, até, o mesmo pão de queijo e o mesmo suco de laranja. O fato é que nem o pedido, nem a degustação, tem mais o mesmo prazer e o mesmo espanto. Mordemos a fatia de pão com a deleitosa manteiga derretida lendo o jornal, o iPhone, o cardápio, e não sentimos mais o seu gosto, a sua textura. A ironia, aqui, está na quebra. Um dia sequer, sem o mesmo clichê matinal, causa um certo incômodo e por quê não? Uma legítima saudade. É com esta aflição que permanecemos seguindo os mesmos passos sem nos espantarmos mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com o ator - e com a atriz - a máxima é relativa. Suponhamos também que um intérprete com o mesmo hábito ganha o papel de um caipira que, aos vinte e tantos anos, toma café da manhã na padaria pela primeira vez. Ao atuar, se for dos bons ou das boas, sentirá o espanto da primeira vez, mesmo não a sendo. E por isso digo que o ator e a atriz estão um passo à frente. Dois, talvez. A lembrança do dejejum na padoca me veio por um dos intrevistados de "O Acre Existe". Mora em Rio Branco já faz sete anos, e num confessionário filmado, entregou a solitária falta que tem da Paulicéia desvairada de Mario de Andrade que lhe abrigava. "Só sinto falta de padaria! Aqui no Acre não tem." E foi no mesmo instante que eu, desprevenido, lembrei-me da falta delas em nossa odisséia. Quando chegamos na cidade, eu, Raoni Gruber e Paulo Silva Jr, antes de qualquer urro, antes de qualquer êxtase, paramos na primeira padaria da esquina e pedimos, alvoroçosos - "Um pão na chapa, um pingado e um suco de laranja!" (fomos gulosos e pedimos o pingado e também o suco de laranja).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gostaria de terminar este petardo com alguma conclusão magnífica. Falhei na reflexão. No lugar, resumo uma história de minha infância: nos vinte e um anos em que morei na Rua Luis Goes, um personagem sempre me chamou atenção. Era gordo, tinha problemas mentais (talvez fosse epiléptico) e uma tara doentia por pés. Andava de chinelos, bermudas e camisetas - sem mais variações. Nascera no bairro e por lá crescera (já passara dos quarenta anos). No começo (da minha lembrança), circulava nos arredores da Rua das Rosas, rabugento e cabisbaixo. Se lhe cumprimentavam, nem respondia. Certo dia, porém, decidiu externar seu fetishe. Aproximava-se de mulheres de todas as idades e oferecia uma rápida e dedicada massagem nos pés. De supetão, as primeiras senhoras e moças estranhavam (e até tapas na cara levou). Não desistiu. Passaram uns dias até que uma dessas senhoras aceitou o agrado. A cena era semelhante ao de um engraxate, porém com a graça feminina. A senhora sentava numa cadeira de praia, na porta de sua casa, enquanto conversava com o podólatra de Mirandópolis e ganhava o regalo relaxante. Contente com o resultado, disse que o gordo (era gordo, acho que esqueci de citar) poderia voltar sempre que quisesse. O boato se espalhou. Menos de um mês depois, várias mulheres requisitaram a famigerada massagem. Viram - e faziam propaganda - que não tinha ali um reles interesse sexual. Era apenas uma doce e simpática excentricidade. Os anos se passaram e ao menos um pé por dia caia nas mãos do gordo. No fim da sessão, não havia uma que saísse frustrada. Até maridos o chamavam para afagar os pezinhos de suas esposas. Não sei o porquê de relembrar esse causo - mas nosso destino é este, cada vez mais - lembrar e relembrar a infância - para que nosso aviltamento como adultos seja o menos progressivo possível.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-1271893859306275702?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/1271893859306275702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/1271893859306275702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2012/02/ryu.html' title='RYU'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-818642364747803300</id><published>2012-02-04T16:14:00.000-08:00</published><updated>2012-02-05T09:15:22.157-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='manaus haitianos brasiléia brasil o acre existe crônica bruno graziano'/><title type='text'>MANAUS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O fato é que ninguém mais vive de amor. Em São Paulo, no Acre, na Eslovaquia e na Conchinchina. Tanto faz. Viver por amor, hoje, é o túmulo em vida, defunto e ultrapassado. Me perguntam os leitores: "Mas por quê?" E eu vos digo: "Porque somos felizes!" Tá, até ai, óbvio. Está nos primórdios da literatura e da poesia e do teatro e da pintura e do cinema e de todas as artes toda uma certeza casta e permanente - ninguém é feliz amando. Se acham que estou exagerando, é porque não amam. E se concordam, é porque amam, já amaram ou almejam amar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só que, hoje, não é dia de falar de amor. Trata-se de uma questão inegociável, de martelo batido à sete juizados. O que vou discorrer, aqui e agora, é sobre o ódio. Nada tão importante - eu diria crucial - para o amor, do que o ódio. Estávamos em Assis Brasil, pacata e acachapante cidadesinha interiorana do gigantesco Acre, quando nos deparamos com um casal de velhos. Tinham a pele enrugada e tudo. Nós, sedentos por boas histórias, vimos neste casal septuagenário o grande achado do dia. São casados e vivem separados por oito quarteirões. Quando questionada sobre o amor, a triste senhora disse: "Nunca amei!" E quando foi a vez do triste senhor, o abalo: "Amo-a até hoje e será assim para todo o sempre!"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nasceu ali a minha profunda admiração por aquela novela brasileira (digo brasileira pois não sei se em outros países funciona dessa forma). "Como assim? Ele ama e ela não?" Passavam os minutos, as conversas seguiam-se e eu queria apenas saber o simplório motivo do conflito entre amor e desamor daqueles dois pombinhos esmorecidos. Papo foi e papo veio, que foquei na atenção e percebi tudo. A razão: eles não se odeiam. Pior ainda: nunca se odiaram. Em meio século de matrimônio, macacos nos mordam, eles nunca se odiaram, nem por um instante sequer. O tempo, dirá o poeta, corrompe qualquer ternura, qualquer afeto. Pode ser, pode ser. Mas, acima de qualquer motivo mundano, está na falta do ódio o grande acontecimento deste catastrófico causo (pois todo casamento que se desfaz ainda é e continuará sendo o absoluto fracasso do homem).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em Brasiléia, centenas de haitianos chegam pela arregaçada fronteira com a Bolívia, todos os dias. Dizem os jornais que já passam de quatro mil. Segundo especialistas, é um dos maiores êxodos migratórios que o país já sofreu em toda sua história. Italianos, japoneses, portugueses e agora haitianos. A catástrofe natural do Haiti, se houvesse ocorrido num país de brancos, já teria detonado a nação. Mas há nos negros a nonsense e contraditória força hedionda. Precisarão de três, quatro ou até oito terremotos do mesmo terror para desaparecerem, e mais, para perderem a esperança.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Digo isso pois vivemos alguns dias lado a lado com os "Haits". Estão, em boa parte, vivendo no Hotel Basiléia, na cidade de mesmo nome. Fora o governo estadual acreano que cedera o espaço para eles se hospedarem. A política externa tupiniquim da era Lula se mostrou, dentre os últimos presidentes, a mais humanista. O exército trabalha para o bem estar da ilha já faz um tempo considerável. E o marketing, sempre ele, propaga que o Brasil salva o Haiti, todos os dias. O mesmo marketing, ele ainda, é o responsável onírico e malandro pela debandada a que estamos presenciando. "Aqui seremos felizes!" Disse um Haiti para mim. Outro, menos otimista: "Aqui pelo menos trabalharemos para comer!" E foram diversos discursos rápidos e diretos como estes que ouvimos, eu, Paulo Silva Jr, Milton leal e Raoni Gruber, no tempo em que lá nos enraizamos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Encarando os traficantes de gente, pagando centenas de dólares e enfrentando a adrenalina diária do caos, os Haitis conseguem a proeza de adentrar nossas terras munidos da pândega promessa de uma vida melhor. "Mas o que seria uma vida melhor?" Me pergunto. Na atual situação, dormem mal, comem mal e vivem mal. O Hotel Brasiléia, aqui já citado, está um nojo redundante. Quatro (ou talvez cinco) vezes acima da capacidade confortável, amontoam-se nossos amigos tropicais em cubículos fétidos e ignóbeis. Quem ali não "quiser" permanecer, que pague sua estadia em outro hotel. O governo estadual, também aqui já citado, dava-lhes três refeições diárias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesta época, este mesmo governo anunciou que interromperia a ajuda por falta de verba. A sorte dos haits era clarividente: ou o governo federal se pronunciava e assumia a pica, ou a fome imperaria sobre aquele povo. E num jogo político genuinamente brazuca, aos quarenta e cinco do segundo tempo o governo federal urrou a manchete: "A pica é nossa!" Além disso, a regularização de CPFs seria apressada e, para os que já tinham entrado no território sagrado brasileiro, o visto seria dado. Pronto. A caça ao emprego e o início de uma renovada vida seria possível. Para os que pretendiam vir pelo mesmo caminho, a má notícia - a entrada, agora, só legalmente. A fiscalização fora dobrada - ou até triplicada - e quem por aqui desembarcasse via tráfico de seres humanos, não teria a mesma teta para mamar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desculpem se os termos que uso parecem pejorativos. "Definitivamente não!", me defendo. É a força do hábito. Sem deboche não há sociedade terna, certamente. Quem me ensinou tal sábio pensamento foi Manaus, o haitiano que vendia banana e que quer por que quer chegar na capital amazonense para encontrar sua garota prometida. Manaus, um dos mais estremecidos personagens encontrados em nossa viagem, é de uma doçura quase irreal. Quando questionado se gostava da selecão canarinho de futebol, bradou a sonora resposta: "Wouu!" No pique, sabatinado se gostava da receptividade acreana, ecoou: "Wouu!" E para terminar, perguntamos se agravada-lhe o modo como Dilma e o governo estavam tratando o "caso Haitis" e ele, em êxtase: "Wouu!" Como se não bastasse a empatia pura por si só, resolvemos jogar uma pelota com locais e Haitis numa quadra pública da pracinha de Brasiléia. Manaus, de prontidão, foi para o gol. De calça jeans, tênis de mola, camisa e um relógio dourado, nem cogitou vestir o shorts, chuteira e retirar o "Rolex". E foi com esta vestimenta inapropriada que o querido Manaus fechou o gol, xerifou a trave. Se passou um tento pelas mãos desse haitiano contente, eu não vi. Sua felicidade, plena e inquietante, era de se sentir a quilômetros de distância. A saudade de sua amada manauense era o que lhe motivava e ainda lhe motiva. Mas, no fim do jogo eu matutei comigo mesmo: "Cadê o ódio deste homem?"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, o ódio. Estava naquela situação (se ainda não está) já fazia três meses. Com suas três refeições diárias e idênticas, com sua moradia irrisória e maltrapilha, Manaus não demonstrava qualquer força para, no âmago do amor, encontrar sua Colombina e recebê-la em seus braços, beijando-na por horas seguidas, sem cessar. Manaus, como o haitiano comum, como o brasileiro comum, não odeia. Está ai o grave problema. Quem não odeia, não ama. Para Manaus, eu desejo um pouco de ódio, um pouco de ira, de rancor. Só assim, livre de qualquer pudor, ele poderá viver, para além da vida e a morte, com sua amazonas encurvada e corada de jambo. Sem ódio, Manaus, o lânguido Manaus amoroso não conseguirá, em breve, sequer gritar o seu especial e peculiar grito de guerra: "Wouu!" &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas é aquela história - Manaus, até ontem, passava fome. E quem já passou fome sabe  - na falta do alimento não se ama e muito menos se odeia. Agora eu penso que, talvez, Manaus nem tenha uma musa nortista lhe esperando com um decote obsceno e carinhos de uma semana de espera. Esta pode ser, facilmente, sua fantasiosa e refece fuga da dor. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-818642364747803300?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/818642364747803300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/818642364747803300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2012/02/manaus.html' title='MANAUS'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-5228230881621766291</id><published>2012-02-03T12:41:00.000-08:00</published><updated>2012-02-04T14:23:34.910-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='raoni gruber milton leal paulo silva jr cinema triste tristesa bruno graziano conhaque presidente joãõ teodoro'/><title type='text'>MENINO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Paulo Silva Jr. uluou a máxima: "Gosto de filmes tristes!" Não contente com a escandalosa declaração, avançou no raciocínio: "Por mim, todos os filmes seriam tristes!" Tocado por sua convicção, fiz coro: "Todos! Tristes!" Mas não é apenas o possível notável que defende certa melancolia no cinema. Milton leal, e sua manchete meneiada, defende que todas as sessões de cinema sejam uma espécie de "Paris Texas". Se não houver comoção, choro, angústia e pusilanimidade, na sala escura e lotada, o filme se torna um puro e adjeto filmeco. Este é o pulso opinativo de Milton. Raoni Gruber, este, com sua estreme ambição anárquica, espatulou a discussão com a seguinte afirmativa: "Gosto de closes. O close, por si só, já é triste."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Percebam a situação. Nos últimos 50 dias, passei eu minhas manhãs, tarde e noites com três sapientes e endiabrados defensores da tristeza à vinte e quatro quadros por segundo. E, somado a trinca de Woody Allens, neuróticos e hilários, eu me torno o quarto elemento da divagação. O cinema triste é o que trás a felicidade ao espectador. Somo a isso, em tempo, o realizador. Filmar uma cena triste, legitimamente triste - visceralmente triste - normalmente acarreta sorrisos e satisfação. Já o humor, a comédia e o deboche, quando captados por uma câmera, dificilmente proporcionam sorrisos de satisfação. Rodar uma cena cômica é uma das mais melancólicas ações que um cineasta pode viver, seja na ficção, seja no documentário.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Discorri toda essa defesa romântica para com a tristesa filmada, no intuito de agora chegar em Fernando Pessoa. Não sei se sabem, mas tenho um fascínio por poetas. Porém, não confio e muito menos me interessam os quase-poetas. Há quem diga: "Sou médico e também faço poesia." ou até "Desembargador e me aventuro na poesia." Não, não e não. Como em tudo na vida, o o sujeito é ou não é. Cito Nelson Brasil, o poeta acreano. Epiléptico e usuário e Gardenal, vejam vocês. Matemático formado, mestre formado e professor atuante. Quando questionado - o sempre indecente questionamento - sobre o que era, definiu, sem pensar: "Poeta!"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saibam, também, que nunca tinha lido um livro de Fernando Pessoa. Poemas dispersos, por ai, já tinha sugado. Mas há no livro a formalidade padrão. Foi com Alberto Caeiro o meu defloramento de Pessoa. O heterónimo, naturalista e ingênio, me causou, confesso, certo incômodo. Pois a ingenuidade, para o homem, me é desprezível. Apesar do simpático e manifesto "Ver é sentir e não pensar. Pensar é o nada!" de Caeiro, toda sua casualidade para com a natureza, o amor e os sentimentos, conflitam arduamente com nossa pueril e intensa sociedade. Pessoa, sendo assim, é a múmia em pessoa (como toda a Portugal). &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Falei do menino e lembrei-me de João Theodoro, o 400. Irá perguntar o caro amigo: "Menino?" E eu, aqui, escudado por este petardo, lhe respondo: "Menino!" Não sei se por aqui já colei, mas a frase "Todos somos a conseqüência do que vivemos dos zero aos sete anos!" é uma das grandes verdades absolutas. Nunca lembro, porém, se veio de Jung, Sartre ou Black Alien. Que seja. O que nos importa é a áurea perene e perpétua do menino. Nossa -  e digo para nós, homens - pois com a mulher ocorre o exato contrário - áurea de menino é a grande salvação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O serelepe e matraqueado corretor, que não desconfiem, pode ser maior que toda a Encol, me encontrou, ontem mesmo, no Charm. Nos cumprimentamos e vi, ali na mesa, a idiossincrasia completa - tomava uma Kronenbier. Para os que não mataram a charada - é a tão chacoteada e horrorizada cerveja sem álcool. Dirão os amigos que está ai a grande ironia - uma cerveja e sem álcool. Pois bem. O nosso promissor burocrata (com um certo carinho na palavra) parou, faz um mês, de beber. Não bastasse, está a quatro meses sem um único e derradeiro trago. Pasmem - passou do maço diário para o chocolate, o copo d'água, o chiclete.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu poderia digerir este espanto com mais destreza, mas me impede o fato de o querido colega ser apenas "só mais um". Até Milton leal, me coça a memória, já parou de beber. Não faz muito tempo, pontuo, um grupo próximo queria marcar um piquenique no Ibirapuera com toda a pompa que um piquenique deve haver. Toalha xadrez, frutas da estação, vinho suave, água mineral, e, como se não bastasse o próprio piquenique, todos teriam que comparecer vestidos à caráter do século vinte. Fraques, vestidos longos - nada de umbigos tomando sol, apenas decotes maquiavélicos - chapéus e leques (é provável que não tenham exigido os trajes, mas preferi visualizar a plástica cena).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Insisto no menino. João, quando explicando a decisão, me narrou detalhadamente, como um Truman Capote, as peripécias recentes de suas vida junkie. Disse, com certo remorso: "Fiz isso, isso e isso. Não dava mais!" Eu, ali, mais interessado que qualquer ouvinte, proferi: "Molecagem!" E ele, derriço, repetiu: "Molecagem!" Foi ai que percebi toda a história. João Theodoro, numa narrativa à lá 400 contra 1, está sofrendo a "pressão do grande homem". Afirmo tal definição pois já a senti. De certo, Everton Olveira, Murilo Costa, Bruno Dias, Cleber Isler e muitos outros também já sentiram. O álcool e as drogas (como o cigarro), nos tornam meninos. Saindo da questão social e, muito mais, pessoal, reflito sobre a delicadeza do lance todo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num tempo de grande mulheres, ser o grande homem nunca foi tão cruel. A sobriedade parece ser o primeiro passo, o passo mais acertado. Não sei bem se é assim que tem que ser. O que sei, é que de alguma forma ser menino para todo o sempre me encanta nos amigos e familiares como um bolo de chocolate. Se pensarem bem, pensarem com a alma, verão que o homem nada mais é que um velho ou um menino. O jovem é, nada mais, nada menos, que o esboço primário. Quando pirralho, um pai de um amigo de infância nos ensinava lições, nos lia histórias com metáforas, jogava bola conosco, nos levava para trabalhar e nos fazia consertar coisas diversas com uma caixa de ferramentas novinha. Longe dos filhos e dos amigos dos filhos, bebia cachaça e conhaque Presidente. Também fumava. O grande homem é ao mesmo tempo o eterno menino.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-5228230881621766291?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/5228230881621766291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/5228230881621766291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2012/02/menino.html' title='MENINO'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-5063380581041193060</id><published>2012-02-02T15:45:00.000-08:00</published><updated>2012-02-03T14:55:55.439-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='acre luan documentário palmeiras argentina buenos aires luciano costa paulo silva jr. fábio castello'/><title type='text'>LUAN</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Piso em São Paulo e já recebo o abraço efusivo. Vejam vocês que o habitat é o amor terrestre do homem. E sem este amor terrestre, o cabra é, antes de qualquer coisa, um falso-livre. Sim, um falso. A Cerqueira Cesar é a minha real e obscena liberdade. E está nela, impregnada, toda uma vida, toda uma existência. Ah, esqueci de dizer: o abraço amigo veio de Jorge Maia, o doce niilista. Com a força de um leão, me deu tapas nas costas e proferiu a manchete: "Está um negro!" Recebi aquilo como um elogio transcendental - pois todo brasileiro branco, algum dia, já desejou ou mesmo pensou ser um negro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não deu tempo para o agradecimento e já me jogou na parede: "Como foi o Acre?" Quis lhe nocautear com alguma manchete fresquinha e brutal, mas o que veio na mente foi a ultrapassada e desgastada "O Acre é gigante" de Paulo Silva Jr. Nasceu em mim, então, uma angustiante conclusão: não sei como foi o Acre. Não sei, digo-lhes, porque ainda estou no Acre. É provável que, assim como eu, Raoni, Junior e Milton também ainda estejam no Acre. Descendo a Augusta, agorinha mesmo, perguntei a um porteiro: "E a Gameleira?" E ele, sem paciência, resmungou: "Não existe Gameleira". Olhei para os quatro lados e, realmente, não havia nenhuma Gameleira, nenhum Mercado Velho, nenhuma Mocinha Magalhães. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixei o amigo na mão e lembrei da Argentina. Ah, os hermanos e suas bandeirolas coladas na parede. Como é nacionalista o argentino. Um nacionalismo ao mesmo tempo sublime e vil. Viajei, não faz nem seis meses, para a galante Buenos Aires junto de Luciano Costa e Fábio Castello. Recordei que, num intervalo de vinte e quatro horas, comemos no lugar mais caro e no lugar mais barato da cidade. Num, pagamos o equivalente a noventa reais, e noutro, o equivalente a três reais. Em ambos os casos, a fome e o paladar gritaram de satisfação. Li, ontem mesmo, que a classe média argentina ganha 40% a mais que a brasileira. E, não ontem, mas pode ter sido anteontem, vi que os aluguéis na capital deles, em proporção a renda média, chega a metade do nosso. Digo isso, claro, comparando com São Paulo. Em San Telmo - que pode ser facilmente alcunhada de Cerqueira Cesar de lá (assim como outros seis, sete bairros) - o mendigo veste sapatos de couro e cachecol perfumado. Os mais vaidosos - e são muitos - não dispensam o blaser e a gravata. A plebe argentina tem a pompa de um São Paulo Fashion Week, seria a observação de Nina Kobayashi, se lá estivesse a moçoila.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seguindo nas lidas por aí, não me sai da cabeça o assunto primordial das coberturas dos últimos anos em relação aos sadicamente amáveis hermanitos - "A Argentina está em crise!" E a crise de lá não é a mesma que a de cá. A recessão de lá, afirmam especialistas, acabou. Em compensação, o Brasil voa na economia como um Boing 147. Uma década atrás (ou quase isso), vivemos os congelamentos das poupanças, a inflação, as privatizações, a corrupção. Nossa crise, em suma, afetou grossamente a classe média. A deles, também. Hoje, essa mesma classe média, novinha em folha, ostenta o crescimento da renda e o consumismo neo-liberal. A inflação cada vez mais perniciosa e a nefasta bolha imobiliária que enfrentamos, é, para a nova classe média tupiniquim, uma teta. Uma carnuda e rosada teta. Quem antes ganhava dois mil, hoje, ganha cinco. O Citroem aumentou pardos um terço do valor e a laranja quase triplicou. Sendo assim, afirmo que chupamos menos laranjas e andamos mais de Citroem. Esta é nossa felicidade e temos esse direito, assim como os argentinos tem o direito de reclamar de sua recente crise. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por exemplo: lá, à caminho de algum bar de vinhos baratos, entramos num taxi. E o taxista, endiabrado da própria dor, se abriu: "A coisa está difícil. Ninguém aqui mais tem duas casas, dois apartamentos. A coisa está difícil! Difícil!" Nesta mesma noite, nos juntamos eu e Fábio, o Picasso da cebola roxa, e, burrachos, chutamos uma bola murcha pelas ruas de San Telmo. Não satisfeitos com o barulho, a molecagem, a folga, urramos, por minutos (que pareceram horas) a obrigatória e saborosa frase: "Chupa Maradona!"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O engraçado nisso tudo, e está ai o alvo deste petardo, é que eu nunca me senti tão brasileiro quanto em Buenos Aires. Avistava aquela arquitetura portentosa e dizia: "Sou brasileiro!" Comia aquele churrasco abundante e engolia a certeza: "Sou brasileiro!" Flertava com aquelas nuvens encurvadas (nem tão encurvadas) e intelectuais que são as chicas hermanas e batia no peito: "Sou brasileiro!" Ser brasileiro, ali, era minha honra, o meu gozar. Justamente o contrário do que ocorreu no Acre. À cada passo, à cada almoço, à cada conhecido, à cada respiro, me vinha o afogamento ressentido: "Sou o menos brasileiro do Brasil!"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São Paulo é o anti-Brasil, indubitavelmente. Somos um país paralelo, que importa do Brasil e exporta para o mundo. E vice-e-versa. Nada é tão Brasil como o norte, e quem não concorda, paciência. Ser nortista é como ser palmeirense - uma maravilha inolvidável. O Acre, sendo assim, é o nosso Luan geográfico. Não tem a destreza de um Rio Grande do Sul, nem a agilidade de um Minas Gerais, nem a classe de um Paraná e nem o drible de um Rio de Janeiro. Não se sabe direito porque Luis Felipe Scolari quis que o Palmeiras pagasse sente milhões de reais pelo limitado ponta esquerda. Acontece o semelhante com esta minha afirmação indecente: O Acre é o verdadeiro Brasil.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-5063380581041193060?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/5063380581041193060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/5063380581041193060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2012/02/luan.html' title='LUAN'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-2235824804885426124</id><published>2011-11-26T16:36:00.000-08:00</published><updated>2011-11-26T17:05:27.246-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fotografia iphone 4 snapseed dia-dia balada literária documentário cinema juventos estação de trem mooca bruno graziano'/><title type='text'>DIÁRIA.MENTE - PARTE 2</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-V-GrdM5Vk6w/TtGMheWo_tI/AAAAAAAABAU/usgQJvqM5iU/s1600/IMG_0229.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-V-GrdM5Vk6w/TtGMheWo_tI/AAAAAAAABAU/usgQJvqM5iU/s400/IMG_0229.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679475111802502866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-0Q74_95HvBI/TtGMhNEQqQI/AAAAAAAABAE/q6OQCjYVA7A/s1600/IMG_0231.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-0Q74_95HvBI/TtGMhNEQqQI/AAAAAAAABAE/q6OQCjYVA7A/s400/IMG_0231.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679475107162007810" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-QM-jZCXh1vY/TtGLrQggOLI/AAAAAAAAA_4/4CrXA_KuHYk/s1600/IMG_0239.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 299px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-QM-jZCXh1vY/TtGLrQggOLI/AAAAAAAAA_4/4CrXA_KuHYk/s400/IMG_0239.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679474180372838578" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ioa0HEA29Jo/TtGLrAK6jOI/AAAAAAAAA_o/kCTdGooL47g/s1600/IMG_0241.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 299px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-ioa0HEA29Jo/TtGLrAK6jOI/AAAAAAAAA_o/kCTdGooL47g/s400/IMG_0241.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679474175987322082" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-NIcrNB7zSLE/TtGLq_0A-tI/AAAAAAAAA_g/JIVnyLchnQE/s1600/IMG_0252.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-NIcrNB7zSLE/TtGLq_0A-tI/AAAAAAAAA_g/JIVnyLchnQE/s400/IMG_0252.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679474175891274450" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-cAldUryp0tc/TtGLqE5kCcI/AAAAAAAAA_Y/3b5NuZY5-oc/s1600/IMG_0253.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-cAldUryp0tc/TtGLqE5kCcI/AAAAAAAAA_Y/3b5NuZY5-oc/s400/IMG_0253.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679474160076851650" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-87Wyxgul8qE/TtGLp1gzDQI/AAAAAAAAA_I/l4GVB17v-T0/s1600/IMG_0258.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-87Wyxgul8qE/TtGLp1gzDQI/AAAAAAAAA_I/l4GVB17v-T0/s400/IMG_0258.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679474155946446082" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-1z4UOdvKoH0/TtGKl96hYqI/AAAAAAAAA_A/C-BwvRj6cy4/s1600/IMG_0266.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-1z4UOdvKoH0/TtGKl96hYqI/AAAAAAAAA_A/C-BwvRj6cy4/s400/IMG_0266.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679472989970719394" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-vYxZLRWOMFw/TtGKlhQjMZI/AAAAAAAAA-s/a6GLJy2Refo/s1600/IMG_0272.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-vYxZLRWOMFw/TtGKlhQjMZI/AAAAAAAAA-s/a6GLJy2Refo/s400/IMG_0272.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679472982278484370" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-WG6zMBfi4Ps/TtGKk8nRx5I/AAAAAAAAA-k/rVSTtLongRE/s1600/IMG_0287.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-WG6zMBfi4Ps/TtGKk8nRx5I/AAAAAAAAA-k/rVSTtLongRE/s400/IMG_0287.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679472972441700242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-cb6zlc69f4c/TtGKkfYIFfI/AAAAAAAAA-Y/5FCsWb7dny4/s1600/IMG_0325.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 268px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-cb6zlc69f4c/TtGKkfYIFfI/AAAAAAAAA-Y/5FCsWb7dny4/s400/IMG_0325.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679472964593522162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Z27K7Hwu3Hg/TtGKkAEpaqI/AAAAAAAAA-M/ZBpyGIyKTHk/s1600/IMG_0327.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-Z27K7Hwu3Hg/TtGKkAEpaqI/AAAAAAAAA-M/ZBpyGIyKTHk/s400/IMG_0327.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679472956190321314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ILJ6xtSasO8/TtGJib3dcKI/AAAAAAAAA-A/2QAMAeE18-k/s1600/IMG_0328.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-ILJ6xtSasO8/TtGJib3dcKI/AAAAAAAAA-A/2QAMAeE18-k/s400/IMG_0328.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679471829779837090" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-uREm11xtpc0/TtGJiMBqeHI/AAAAAAAAA90/eW6Q7q9Kjr4/s1600/IMG_0330.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-uREm11xtpc0/TtGJiMBqeHI/AAAAAAAAA90/eW6Q7q9Kjr4/s400/IMG_0330.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679471825527666802" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-gE-98yPP5XY/TtGJhVfKv_I/AAAAAAAAA9s/T0IEOihn4-M/s1600/IMG_0331.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-gE-98yPP5XY/TtGJhVfKv_I/AAAAAAAAA9s/T0IEOihn4-M/s400/IMG_0331.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679471810887466994" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-BOcGdaEr1i4/TtGJgpGvdII/AAAAAAAAA9c/xgMFD4yjUaA/s1600/IMG_0332.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-BOcGdaEr1i4/TtGJgpGvdII/AAAAAAAAA9c/xgMFD4yjUaA/s400/IMG_0332.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679471798973854850" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-kfjd31CKdww/TtGJgnZLRfI/AAAAAAAAA9Q/tnz1nXFN2OI/s1600/IMG_0333.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 299px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-kfjd31CKdww/TtGJgnZLRfI/AAAAAAAAA9Q/tnz1nXFN2OI/s400/IMG_0333.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679471798514304498" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-EO93EZztQPw/TtGIRzLQZ4I/AAAAAAAAA9E/ijxzI9UZjG8/s1600/IMG_0334.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-EO93EZztQPw/TtGIRzLQZ4I/AAAAAAAAA9E/ijxzI9UZjG8/s400/IMG_0334.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679470444467480450" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-5IsD8Yy0Kg0/TtGIRe_hZyI/AAAAAAAAA84/KUckLHarHHc/s1600/IMG_0335.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 299px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-5IsD8Yy0Kg0/TtGIRe_hZyI/AAAAAAAAA84/KUckLHarHHc/s400/IMG_0335.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679470439049553698" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-i4ArU6xl3iM/TtGIQpTa8-I/AAAAAAAAA8s/EV9lvRnv0Ao/s1600/IMG_0336.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-i4ArU6xl3iM/TtGIQpTa8-I/AAAAAAAAA8s/EV9lvRnv0Ao/s400/IMG_0336.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679470424637502434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-G4jvSSImUpQ/TtGIQDSDlgI/AAAAAAAAA8g/YQRR452emZw/s1600/IMG_0337.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-G4jvSSImUpQ/TtGIQDSDlgI/AAAAAAAAA8g/YQRR452emZw/s400/IMG_0337.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679470414431229442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/--LogZVUx-xA/TtGIPxHpbfI/AAAAAAAAA8U/awAy55_ygy4/s1600/IMG_0384.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 388px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/--LogZVUx-xA/TtGIPxHpbfI/AAAAAAAAA8U/awAy55_ygy4/s400/IMG_0384.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679470409555734002" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-l9qrWgfl0oo/TtGHWJgI87I/AAAAAAAAA8I/ixZvTVjaIeo/s1600/IMG_0394.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-l9qrWgfl0oo/TtGHWJgI87I/AAAAAAAAA8I/ixZvTVjaIeo/s400/IMG_0394.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679469419668501426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-YU8OSMnbiqE/TtGHVrDsL5I/AAAAAAAAA78/DkHBzZC9OJE/s1600/IMG_0410.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-YU8OSMnbiqE/TtGHVrDsL5I/AAAAAAAAA78/DkHBzZC9OJE/s400/IMG_0410.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679469411496112018" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-U_OhEnAh348/TtGHU4_iZ4I/AAAAAAAAA70/IiWzpzQ7oBU/s1600/IMG_0411.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 298px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-U_OhEnAh348/TtGHU4_iZ4I/AAAAAAAAA70/IiWzpzQ7oBU/s400/IMG_0411.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679469398056920962" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-q45u2Hdfkbc/TtGHUMjhHXI/AAAAAAAAA7k/1erehJy6MEI/s1600/IMG_0413.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-q45u2Hdfkbc/TtGHUMjhHXI/AAAAAAAAA7k/1erehJy6MEI/s400/IMG_0413.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679469386128235890" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-MgYNxsn82u4/TtGHTwrnuOI/AAAAAAAAA7Y/LGI9Iyc3Rew/s1600/IMG_0415.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 304px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-MgYNxsn82u4/TtGHTwrnuOI/AAAAAAAAA7Y/LGI9Iyc3Rew/s400/IMG_0415.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679469378646030562" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-2235824804885426124?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/2235824804885426124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/2235824804885426124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/11/diariamente-parte-2.html' title='DIÁRIA.MENTE - PARTE 2'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-V-GrdM5Vk6w/TtGMheWo_tI/AAAAAAAABAU/usgQJvqM5iU/s72-c/IMG_0229.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-6180640032869438881</id><published>2011-11-23T20:51:00.001-08:00</published><updated>2011-12-01T19:24:28.728-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mulher homem namoro casamento bruno graziano crônica jorge maia paulo silva junior milton leal sexo amor são paulo'/><title type='text'>A MULHER É O NOVO HOMEM</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dia desses fui surpreendido por um amigo, na rua: "Grazi!" E, quase sempre contente do encontro, lhe abracei e proferi o cumprimento de felicidade. Mas fora sua resposta, esta, é que merece o destaque: "Não trepo faz um mês!" O ponto de exclamação foi, ali, de uma falta de efetividade tamanha. Sua manchete deveria conter, acima de qualquer redator, cinco, sete, ou até nove pontos de exclamação. Me limitei à um: - "Conte-me mais! Quero saber de tudo." Então, paramos no primeiro boteco à vista e pedimos, juntos, dois conhaques com limão (a bebida favorita de Milton leal, o amoroso expansivo).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele foi dizendo, sem interrupções: "O sexo era o meu mártir, o meu câncer." Completou: "Estou na reserva! Na reserva!" E nessa audição espantosa, repeli minha indignação: - "E é possível? Nem uminha?" Reclinou sua mão calma em meu ombro tenso e desfilou: "Amigo, a melhor coisa!" Eu já balançava a cabeça com certa freqüência, sem saber ao certo se apoiava ou se condenava o nobre amigo. E ele apenas regava ainda mais sua convicção: "Escuta: -Estou na reserva por pura e espontânea vontade. Nada tem a ver com o departamento médico, com a cartolagem, com o técnico ou com a torcida. Minha bunda acalenta o confortável lugar do banco de reservas por puro e legítimo chinelismo. Sou o Roger, o Adriano, o Kleber do ato sexual!"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquele papo já partia para uma novela futebolística, quando, eu, atônito, o joguei na parede:  "Ninguém vive sem sexo!" Disse isto sem qualquer certeza, sem qualquer embasamento científico. Apenas quis atingir, numa ambição sórdida, a cornetagem de um Paulo Silva Junior. O possível notável, numa hora dessas, urraria seu lúgubre e sazonal: "Aff!" Pois o amigo, no embalo, parou, levou o copo americano a guela e virou, como um gorila sedento, aquele conhaque com limão. Ainda em êxtase pelo pileque, profetizou: "A mulher é o novo homem!"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já passava a hora do almoço comercial e ele precisava ir embora. Tinha que bater o cartão de sua labuta diária. Despediu-se, como um nazista, com um aceno plástico e dramático: "Até!" Nem me deu espaço para qualquer entendimento maior de sua teoria recente. Mas aquilo, como certas frases, me martela a cabeça e me suga o raciocínio. Dou uma brecha na atenção e logo me vem a afirmação: -A mulher é o novo homem!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na madrugada que passou, refleti que o amigo pode estar inspirado em sua rotina de masturbação. Sim, pois a punheta é o iPhone dos ultrapassados, assim como os blogs de moda são a ciririca das mulheres atuais. Falando nelas, tenho que admitir: -A garota de São Paulo, obra-prima facebookiana de Rubens Paiva, anda cada vez mais poderosa, cada vez mais dominadora. E acima de qualquer generalização, acima de qualquer definição geral, lembro de um caso que representa a afirmação do amigo orgulhoso do próprio celibato. Um não, dois. Dois casos. Vamos a eles:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Almoçava eu, outro dia, no shopping Paulista. Estratégico da primeira garfada, fui surpreendido por uma conversa inescusável. Duas mulheres, beirando os trinta, bem vestidas e com o ar do "bem-sucedidas" em seus odores. Mas há sempre o momento em que qualquer um perde todo e qualquer pudor. O lance, ali, era o local. A praça de alimentação do shopping é o alvoroço do despudor. O metrô, o ônibus, convivem com os fones de ouvido, com os smartphones, com os livros, com o silêncio ocasional. A praça de alimentação, não. Ela, alvoroçada, carrega a abertura emocional de quem mata a fome diária. E nesse estigma, eu parei imeditamente a garfada inicial para ouvir as possíveis revelações femininas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Cansei de ser mulher!" Cochichou uma delas. E de que adiantava o cochicho se eu estava a centímetros de sua boca? As praças de alimentação deferem certos absurdos da distância. Eis que a outra, posicionada a sua frente, me embananou a cuca: "Eu também!" Continuaram: "Eu só queria um homem que me sustentasse, só isso!" E a outra: "Chegará o dia em que eu não precisarei trabalhar!" Não se importavam com minha proximidade indigesta e aumentaram os decibéis: "Não gozo à dois meses! Dois! Dois meses!" E a outra: "Os homens não sabem mais fazer uma mulher gozar!" A melancolia e o protesto seguiam incessantes: "Estou cansada!" e a outra, sempre concordando: "Exausta!"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O outro caso: trabalhei, semana passada, na Balada Literária. E se o pitoresco evento não ganhar, aqui, sete mil toques exclusivos: - "Me cobrem!" Era uma poeta baiana (ou talvez pernambucana). Narrava sua trajetória e detalhou: "A poesia é um perigo." O mediador quis saber mas, e ela, gentilmente, se abriu: "Meu marido morreu por minha causa." A simples afirmação já causava na platéia uma apreensão unânime, pois sabemos, todos, que a morte por amor ou pelo ódio, num casal, é a morte fundamental, a morte sublime. E a nossa experiente poeta esmiuçou o caso: "Fiquei famosa. Muito famosa. Sai na TV e tudo. Meu filho, também, estourou como jogador de futebol. Meu marido, engenheiro, ex-homem da casa, se deparou com o baque -  não era mais o tal homem, mas sim o marido da poeta, o pai do jogador de futebol."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até ai, tudo bem. Nada mais plausível para um pai batalhador que o sucesso do filho e a felicidade da mulher. Nem tanto, nem tanto. Para o homem antiquado, para o homem do século passado, a mulher é uma reles coadjuvante, uma reles companheira, e o filho é o natural investimento, a oriunda passada de bastão. E esse homem, munido de uma desimportância pragmática em sua família, não agüentou a própria mediocridade. Ser um "qualquer" no trabalho, no jogo, no lazer, era algo menor. A família, no entanto, era o crucial de sua existência. E nessa saga de ascensão e queda, o pobre homem se entregou ao crack. Junto à ele veio a depressão e o alcoolismo. Se perdeu, por uma década, e morreu, desgraçado, nas ruas de Salvador (ou talvez Recife). Palavras da poeta, lhes juro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Irá o sagaz leitor me pressionar: "Tá. E aí?" E eu, sem chão, me pergunto: - "Tá. E aí?" A resposta, incauta, vem do internacional. O brasileiro, homem, do século passado, sentiu, a todo instante a sofreguidão de ser o grande homem. "Houveram muitos, mas sem sucesso internacional!" Dirá algum respeitado historiador. Quanto a nova mulher, dona do globo, digo que as brasileiras tem uma gigantesca vantagem. São muitas, incontáveis grandes mulheres nacionais por todo o mundo. Elas perderam nossa encruada "síndrome de vira-lata" e surgem, aos montes, em todas as manchetes globais. A mulher brasileira de hoje é o grande mote, o "coqueluche terrestre". Nossas Dilmas Roussefs dos mais variados segmentos, ao contrário dos antigos Getúlios e Dom Pedros, não tem medo de serem grandes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Temo, porém, pelo gozo (ou a falta dele). O amigo recém-transfigurado em padre, que abdicou do sexo, é a figura ilustre do nosso tempo. O homem, no decorrer dos séculos, só dominou porque a mulher permitiu. O negro ainda chora a escravidão de outrora, o homossexual dá piti por um possível preconceito, o Africano permanece calado em sua miséria milenar, o Europeu encara a crise da soberba e o americano prepara a aceitação forçada do segundo lugar. A mulher, nisso tudo, apenas toma o lugar que sempre lhe foi proposto. Conheço mulheres que não gozam à meses, ao mesmo tempo que conheço um amigo que se conforta com o gozo solitário. A mulher precisa muito mais do gozo que o homem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-6180640032869438881?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/6180640032869438881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/6180640032869438881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/11/mulher-e-o-novo-homem.html' title='A MULHER É O NOVO HOMEM'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-3084652542903328810</id><published>2011-11-23T12:20:00.001-08:00</published><updated>2011-11-23T12:31:26.250-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fotografia mulher bruno graziano 5d são paulo de costas bunda cabelo pernas metrô ruas'/><title type='text'>DESFILANDO E POR TRÁS - PARTE 2</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-yoyUhNdNEN4/Ts1X9RyWSvI/AAAAAAAAA7M/oUg2A6QWPL0/s1600/IMG_0263.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 299px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-yoyUhNdNEN4/Ts1X9RyWSvI/AAAAAAAAA7M/oUg2A6QWPL0/s400/IMG_0263.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5678291415442279154" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-gVW9ogVJnI0/Ts1X8_n3MuI/AAAAAAAAA7A/F6RCyCgjZ5Q/s1600/IMG_0264.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 299px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-gVW9ogVJnI0/Ts1X8_n3MuI/AAAAAAAAA7A/F6RCyCgjZ5Q/s400/IMG_0264.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5678291410566460130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-bRMLZ7P8CUw/Ts1X8n37OSI/AAAAAAAAA60/3vzXthRdw8E/s1600/IMG_0269.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 299px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-bRMLZ7P8CUw/Ts1X8n37OSI/AAAAAAAAA60/3vzXthRdw8E/s400/IMG_0269.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5678291404191381794" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-tKms3u4ymNg/Ts1XTgy1D8I/AAAAAAAAA6k/yuM1Rxf9hHw/s1600/IMG_0326.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 299px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-tKms3u4ymNg/Ts1XTgy1D8I/AAAAAAAAA6k/yuM1Rxf9hHw/s400/IMG_0326.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5678290697916321730" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ThD9NrJy2Cw/Ts1XSmnImFI/AAAAAAAAA6c/YbMFvTnib-Q/s1600/IMG_0342.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 299px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-ThD9NrJy2Cw/Ts1XSmnImFI/AAAAAAAAA6c/YbMFvTnib-Q/s400/IMG_0342.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5678290682298013778" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-TvAn9eUyaKU/Ts1XSKhCoGI/AAAAAAAAA6M/wLitoL29GA0/s1600/IMG_0355.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 299px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-TvAn9eUyaKU/Ts1XSKhCoGI/AAAAAAAAA6M/wLitoL29GA0/s400/IMG_0355.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5678290674756264034" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-QZrnXMcpSdM/Ts1XRsLnQkI/AAAAAAAAA6A/-4inmZ0wWvE/s1600/IMG_0356.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 299px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-QZrnXMcpSdM/Ts1XRsLnQkI/AAAAAAAAA6A/-4inmZ0wWvE/s400/IMG_0356.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5678290666613326402" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-lnyGVfWXwqQ/Ts1XRLNEmQI/AAAAAAAAA50/zlf0LiKDEPA/s1600/IMG_0357.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 299px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-lnyGVfWXwqQ/Ts1XRLNEmQI/AAAAAAAAA50/zlf0LiKDEPA/s400/IMG_0357.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5678290657761073410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-UCkWjjuWlsc/Ts1Wf5ZSQRI/AAAAAAAAA5o/ETGmmylwpC0/s1600/IMG_0364.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 299px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-UCkWjjuWlsc/Ts1Wf5ZSQRI/AAAAAAAAA5o/ETGmmylwpC0/s400/IMG_0364.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5678289811166871826" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-gMXI7zYvioI/Ts1We6S0LWI/AAAAAAAAA5g/AQAt1Ac9FGk/s1600/IMG_0372.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 311px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-gMXI7zYvioI/Ts1We6S0LWI/AAAAAAAAA5g/AQAt1Ac9FGk/s400/IMG_0372.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5678289794228301154" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-RXJ5BeSE4Fg/Ts1Wecwmk1I/AAAAAAAAA5Q/JzADaVm8pXc/s1600/IMG_0373.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 299px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-RXJ5BeSE4Fg/Ts1Wecwmk1I/AAAAAAAAA5Q/JzADaVm8pXc/s400/IMG_0373.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5678289786300175186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-x1kD-CqaENA/Ts1Wdu3mFGI/AAAAAAAAA5E/QGwvIwtpZ3Q/s1600/IMG_0375.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 299px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-x1kD-CqaENA/Ts1Wdu3mFGI/AAAAAAAAA5E/QGwvIwtpZ3Q/s400/IMG_0375.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5678289773981471842" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/--nVTP_Mz4VM/Ts1WdJ5IRvI/AAAAAAAAA44/a0GfgfdVs_o/s1600/IMG_0220.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 299px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/--nVTP_Mz4VM/Ts1WdJ5IRvI/AAAAAAAAA44/a0GfgfdVs_o/s400/IMG_0220.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5678289764055795442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-3084652542903328810?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/3084652542903328810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/3084652542903328810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/11/desfilando-e-por-tras-parte-2.html' title='DESFILANDO E POR TRÁS - PARTE 2'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-yoyUhNdNEN4/Ts1X9RyWSvI/AAAAAAAAA7M/oUg2A6QWPL0/s72-c/IMG_0263.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-1002322044710213662</id><published>2011-11-15T11:54:00.001-08:00</published><updated>2011-12-06T11:04:05.346-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coisas eróticas a primeira vez do cinema brasileiro raffaele rossi crônica filme brasileiro sexo putaria pornochanchada bruno graziano hugo moura denise godinho documentário'/><title type='text'>O PRIMEIRO DOCUMENTÁRIO</title><content type='html'>&lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Diz Murilo Costa que insisto demais no jornalismo. Reclama, o nobre babaca, que escrevo pouco sobre cinema. Ainda resmunga, o amigo, que raramente o cito neste espaço. O protesto, pertinente, tem seu motivo - o jornalismo me persegue como um leopardo enfurecido. Ainda haverá o dia, prevejo, que todos ao meu redor serão jornalistas. Eu serei o solitário não-jornalista em meio as cucas pensantes dos formadores de opinião que me rodeiam cada dia mais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;No entanto, há destinos e destinos. Uns dizem que "nasceram pra coisa" e outros apenas admitem uma furiosa dedicação. No caso do escrever, digo que há em mim a mais prodigiosa e resoluta insistência - quero e, numa luta diária, desejo escrever com facilidade. Então sejamos francos: -Não tenho, em minhas entranhas pretensiosas, a prontidão de Milton leal e muito menos a malevolência de Paulo Silva Junior. O amoroso expansivo e o possível notável, respectivamente, tem a insólita capacidade de fundar uma nova Piauí em frações de segundos. Só não o fazem, digo-lhes, por pura e insensata preguiça. Sim, preguiça. Essa é a AIDS dos dois estremecidos amigos, assim como também se resguarda numa vaga timidez literária, Luciano Costa, o literário bebasso (que esconde do mundo seus trinta e seis livros em mente).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;O que importa, nisso, é o documentário. Estou, junto de Hugo Moura e Denise Godinho, a finalizarmos nosso primeiro longa-metragem documental. É a narrativa do primeiro filme pornô brasileiro e só ele. Há uma frase, não me lembro quem seja o autor, que diz: "Se for fazer um documentário sobre os Correios, faça sobre uma carta e através dela fale sobre os Correios!" Trata-se de uma dica das mais plausíveis em todo meio cinematográfico. E jornalistas atuantes, Hugo e Denise seguiram à risca tal ensinamento. "Estou com eles!" Limito-me a concordar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Faltam, exatos, trinta dias para entregarmos o corte final para o festival "É Tudo Verdade". Esta é nossa meta e não há como negar - ficar de fora da seleção seria de uma frustração ornamental. Pois bem. Estamos na reta final. Mas falta muito trabalho. No cinema, a pós-producão é o gozo controlado. Se no sexo temos a rapidinha, no cinema temos a pós-produção. O prazo é nosso inimigo e somente ele. Foram quase dois anos de filmagens e cortes corrigidos. Antes disso, o casal da putaria pautada já assistia filmes de Raffaele Rossi (o diretor do petardo inicial da putaria à 24fps brazuca) e pesquisava pitorescagens da feitura do filme. Produzir um documentário com dinheiro do bolso, somando, vá lá, trinta mil reais em investimentos incertos, é de uma aventura digna dos mais tenebrosos esportes radicais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;À cada saída as cinco horas da manhã, à cada entrevistado que renderia no máximo dez segundos de tela, à cada tarde no centro da cidade para cinco segundos de inserts, à cada lâmpada queimada e, por fim, à cada entrevista cancelada na véspera de trinta minutos, éramos de uma conformidade ao mesmo tempo meritória e patética. Há em "A Primeira Vez do Cinema Brasileiro" a idoniedade de resgatar um fato histórico esquecido. Porque sobre muitos temas, há relatos, há o google, há informações fáceis de serem encontradas. Sobre o primeiro filme pornô brasileiro, estremecidos no ato da conquista de dados, tínhamos a lista telefônica. E foi nela que Hugo Moura e Denise Godinho caçaram os primeiros contatos. Vejam a ironia: em tempos de Facebook, uma lista telefônica foi a crucial e maquiavélica fonte de informações. A modernidade é de um cinismo confortante.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Lembro, agora, de um dia fatídico - fomos, sem nenhuma certeza, à procura de Larte Calicchio, co-diretor de "Coisas Eróticas" e figura chave para nossa trama premeditada. Mora no interior de São Paulo o ex-cineasta. Ao nos depararmos com o alvo, vimos que este mergulhava numa auto-defesa impermeável. Não queria falar e era irredutível. Passaram mais de três horas e o que tínhamos era um seco e sumário: "Não falo!"&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;"Um filme é um campo de batalha!" urrou Samuel Fuller, décadas atrás. Sentimos na pele. O lance todo é que, num toque sobrenatural, o peculiar Laerte decidiu falar e não só isso: pois-se a dizer o que ninguém diria, nem sobre pressão e muito menos sobre o revólver do juízo final. O boteco ajudou, logicamente (estamos no Brasil, e o dele, de Lula). Quando o homem de mágoas e obsessões se propôs a falar, tivemos, endiabrados, um animal feroz à nossa disposição. E foi o que ocorreu. Laerte, em meio aos percalços do baixo orçamento, foi submetido à um bombástico e demorado caminho. Desligamos a câmera, microfone e luzes quando o relógio já marcava duas da manhã. Saímos de casa, no dia anterior, as nove da matina. E eternizou-se na fita, ali, a melhor e mais utilizada entrevista de nosso documentário. "Sem dor, sem ganho!" Era a tagline de Arnold &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#101010;"&gt;Schwarzenegger, em tempos de Miss Universo. Sabia o que dizia, o troglodita mais fofo de Hollywood.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;O que quero dizer de fato é: fazer um documentário sobre o "nada" é ter de florear com uma pompa lúdica e fascinante como o velho jornalismo. Sentencio: "Sou a soma de minhas manchetes ficcionadas!" Se não entendem, acrescento - Paulo Silva Junior disse ontem: "Sou a soma de minhas paixões!" O romântico Paulo, ainda, ordenhou: "Não gosto de mulher vagabunda, gosto de mulher bem-resolvida!" Este é o caipira fundamental, definido por si próprio com um corrosivo sarcasmo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;Volto a minha infância (sempre ela): Cortava cabelo numa barbearia que cheirava naftalina. Os azulejos eram brancos e verdes e os barbeiros, beirando os sessenta anos, contavam histórias enquanto açoitavam jubas diversas. Certa vez - eu não tinha oito anos ainda - amassava minha bunda na cadeira de espera da barbearia, lia um gibi da Mônica e ouvia suas histórias (hoje, vislumbro que ambos eram documentaristas - ou vá lá cronistas - tamanha aptidão para a prosa narrada). Falavam sobre o primeiro assalto do bairro. Era Mirandópolis o bairro. Moravam na rua já havia três décadas. O bandido, um homem de família, roubara a Nova Colonial - padaria da esquina - com uma pistola na mão e uma meia-calca na cabeça, com o único intuito de pagar a operação da mulher, que estava ficando cega. O dinheiro serviria para sua cura total e plena. Foi pego ainda no ato e, nervoso no crime inédito, matou uma criança. Bala perdida, nervosa e túrbida. Na prisão, foi estuprado e morto, a socos, pontapés e facadas. E os irmãos portugueses da barbearia expuseram esta história, naquela tarde, com uma complexidade de detalhes invejável a toda uma manada de twitteiros imediatos de nosso "jornalismo" atual. Foi ali que nasceu, talvez, meu apreço pelo ficcionismo documental. Todo fato real, por mais empolgante que seja, merece uma fantasia complementar. Sem isso, caímos na idiotice do gravador demente, da câmera autista, do fotojornalismo sem inspiração.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Impressionante como documentar uma estória é adentrar a intimidade das pessoas. Vira e mexe, nos deparamos com as intimidades dos personagens de nossa odisséia sendo repetidas por nossos deboches incansáveis. Porque na trigésima nona conferida no corte de oitenta e sete minutos, tudo é familiar, tudo nos pertence. O documentário é um perigo aos realizadores. Perdemos, à cada revisão, nosso pudor ético. Mas é nessa balbúrdia de relações, que, indiretamente, alcançamos o sublime. Sim, o sublime. Nossas vidas perdem sentido para uma nostalgia que não nos pertence. Nos imergimos em situações que só conhecemos por fotos, relatos, conversas e manchetes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Aos dezoito anos, eu me prometi rodar um longa de ficção antes dos vinte e quatro. Fracassei. Porém, graças a Hugo Moura e Denise Godinho, jornalistas sapientes da própria pujança, lançaremos, de uma forma ou de oura, nosso primeiro documentário antes dos vinte e quatro. Sinto uma sinergia não equilibrada: jornalistas almejando serem cineastas e eu, solitário, querendo ser jornalista. A eterna insatisfação, junto com o niilismo e a "mulher cada vez menos mulher", são os grande motes do novo século. Nisso, atualmente, eu apenas me isolo e penso no segundo, no terceiro, no quarto e nos demais documentários que virão - sempre - e repito - sempre - com a manchete diária dos colegas jornalistas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-1002322044710213662?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/1002322044710213662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/1002322044710213662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/11/diz-murilo-costa-que-insisto-demais-no_2773.html' title='O PRIMEIRO DOCUMENTÁRIO'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-6103413086668822535</id><published>2011-11-11T15:51:00.000-08:00</published><updated>2011-11-11T16:15:30.367-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fotografia mulher bruno graziano iphone 4 instagram snapseed bunda traseira rua são paulo'/><title type='text'>DESFILANDO E POR TRÁS - PARTE 1</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-V61r3izkBgI/Tr25xQaBigI/AAAAAAAAA4s/1GmSL109OLw/s1600/IMG_0215.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="text-align: center;display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 306px; height: 400px; " src="http://2.bp.blogspot.com/-V61r3izkBgI/Tr25xQaBigI/AAAAAAAAA4s/1GmSL109OLw/s400/IMG_0215.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673895361425541634" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-EsceXw1i30c/Tr25xEVY__I/AAAAAAAAA4g/BMLGeYEMF_o/s1600/IMG_0214.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="text-align: center;display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 303px; height: 400px; " src="http://4.bp.blogspot.com/-EsceXw1i30c/Tr25xEVY__I/AAAAAAAAA4g/BMLGeYEMF_o/s400/IMG_0214.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673895358184882162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Vp03mMM7pXk/Tr23Fd7k7OI/AAAAAAAAA3M/ShPXyo2aGHY/s1600/IMG_0097.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="text-align: center;display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 299px; height: 400px; " src="http://1.bp.blogspot.com/-Vp03mMM7pXk/Tr23Fd7k7OI/AAAAAAAAA3M/ShPXyo2aGHY/s400/IMG_0097.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673892410118434018" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Dt43DpjNDs8/Tr23EbY1FzI/AAAAAAAAA3A/vBDyKez77HA/s1600/IMG_0105.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="text-align: center;display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 299px; height: 400px; " src="http://2.bp.blogspot.com/-Dt43DpjNDs8/Tr23EbY1FzI/AAAAAAAAA3A/vBDyKez77HA/s400/IMG_0105.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673892392255952690" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-EXlWcAm0juo/Tr23EGQQk9I/AAAAAAAAA2w/tQfEuCovlwE/s1600/IMG_0113.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="text-align: center;display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 299px; height: 400px; " src="http://4.bp.blogspot.com/-EXlWcAm0juo/Tr23EGQQk9I/AAAAAAAAA2w/tQfEuCovlwE/s400/IMG_0113.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673892386582860754" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-T1jCCZtSYpU/Tr23Dt9AsKI/AAAAAAAAA2o/tMYIlGQzYCQ/s1600/IMG_0116.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="text-align: center;display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 299px; height: 400px; " src="http://2.bp.blogspot.com/-T1jCCZtSYpU/Tr23Dt9AsKI/AAAAAAAAA2o/tMYIlGQzYCQ/s400/IMG_0116.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673892380059676834" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-dX8X9jhQSk4/Tr23DkaKgRI/AAAAAAAAA2c/-NNTnSh0cw4/s1600/IMG_0128.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="text-align: center;display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 299px; height: 400px; " src="http://4.bp.blogspot.com/-dX8X9jhQSk4/Tr23DkaKgRI/AAAAAAAAA2c/-NNTnSh0cw4/s400/IMG_0128.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673892377497600274" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-SHznLBAIZwk/Tr22HPgErhI/AAAAAAAAA2U/3GBpocDe9tw/s1600/IMG_0146.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="text-align: center;display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 299px; height: 400px; " src="http://4.bp.blogspot.com/-SHznLBAIZwk/Tr22HPgErhI/AAAAAAAAA2U/3GBpocDe9tw/s400/IMG_0146.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673891341093088786" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-VXnm-hgC5lc/Tr22GJS_foI/AAAAAAAAA14/61Ty9sYNpNg/s1600/IMG_0200.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="text-align: center;display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 299px; height: 400px; " src="http://3.bp.blogspot.com/-VXnm-hgC5lc/Tr22GJS_foI/AAAAAAAAA14/61Ty9sYNpNg/s400/IMG_0200.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673891322247741058" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Ug28deLKvPs/Tr22FTitojI/AAAAAAAAA1w/4pnPPjvWfGU/s1600/IMG_0207.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="text-align: center;display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 299px; height: 400px; " src="http://2.bp.blogspot.com/-Ug28deLKvPs/Tr22FTitojI/AAAAAAAAA1w/4pnPPjvWfGU/s400/IMG_0207.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673891307818164786" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-6uJNkbFpSuY/Tr22FNVHcyI/AAAAAAAAA1g/v46ZV77Idmc/s1600/IMG_0210.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="text-align: center;display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 299px; height: 400px; " src="http://3.bp.blogspot.com/-6uJNkbFpSuY/Tr22FNVHcyI/AAAAAAAAA1g/v46ZV77Idmc/s400/IMG_0210.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673891306150523682" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-6103413086668822535?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/6103413086668822535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/6103413086668822535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/11/desfilando-e-por-tras-parte-1.html' title='DESFILANDO E POR TRÁS - PARTE 1'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-V61r3izkBgI/Tr25xQaBigI/AAAAAAAAA4s/1GmSL109OLw/s72-c/IMG_0215.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-5046295318746224875</id><published>2011-11-11T08:17:00.000-08:00</published><updated>2011-11-11T16:16:54.186-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronaldo brevis o poeta dos jardins morador de rua poesia peixoto gomide cerqueirsa cesar jornalismo crônica bruno graziano coletivo mensonge victor britto'/><title type='text'>O POETA DOS JARDINS</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;(publicado originalmente no&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#cc0000;"&gt; &lt;a href="http://www.coletivomensonge.wordpress.com/"&gt;Coletivo Mensonge&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="color: rgb(51, 51, 51);   font-family:'trebuchet ms';font-size:medium;"&gt;&lt;a href="http://coletivomensonge.files.wordpress.com/2011/11/brevis3.jpg" style="color: rgb(52, 107, 164); text-decoration: underline; "&gt;&lt;b&gt;&lt;img width="594" height="250" src="http://coletivomensonge.files.wordpress.com/2011/11/brevis3.jpg?w=594&amp;amp;h=250&amp;amp;crop=1" class="attachment-one-column-feature wp-post-image" alt="brevis3" title="brevis3" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 6px; margin-left: 0px; padding-top: 5px; padding-right: 5px; padding-bottom: 5px; padding-left: 5px; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: rgb(244, 244, 244); border-top-width: 1px; 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Cerqueira Cesar é o vizinho próspero. A Rua Augusta é sua musa inspiradora. A Oscar Freire é a madrinha rica. A Alameda Santos é a prima que cozinha com a destreza de um aclamado Chef. A Avenida Paulista é o grande quintal. O bairro do Jardins, desde sempre um refinado de ofício, ostenta até hoje uma abastada nata social, cultural, gastronômica e arquitetônica. Projetada por ingleses, no início do século passado, a região sempre foi e assim permanece – fadada aos endinheirados da Pauliceia. Mas, como todo canto da cidade, também abriga moradores de rua. E, nesse nicho pitoresco, habita a Rua Estados Unidos um sujeito que se destaca dentre os demais como um diamante africano. Seu nome é Ronaldo Brevis, o poeta do Jardins.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 8px; padding-right: 0px; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; line-height: 20px !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:'trebuchet ms';font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;A alcova, o apelido, ou até o vulgo, já é de uma fama antiga e tradicional. Se perguntarem por ele, nas proximidades, não há quem o desconheça. “O poeta? Mora ali adiante!”, aponta o taxista, com uma naturalidade cotidiana. Sigo um quarteirão, ao lado do amigo Victor Britto, e avistamos tampas de isopor com escritas de longe ilegíveis até ao mais virtuoso leitor. Apoiadas no poste cinzento, ilustram o canto do poeta. Frases curtas e sonetos incompletos compõem seu conteúdo. Temas políticos e sentimentais confundem-se com uma ironia própria. De prima, lemos e não entendemos nada. De segunda, fingimos compreender algo. Desistimos da terceira e fomos ao encontro do autor.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 8px; padding-right: 0px; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; line-height: 20px !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:'trebuchet ms';font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;A cautela era nossa defesa. “Como seria sua reação?” Vestia uma camiseta e uma bermuda velha, chinelos Havaiana e cobrindo sua cabeça existia um chapéu com as cores da bandeira da Holanda, no estilo “Bobo da Corte”, típico de Copa do Mundo. Vagava pela grama de uma firma de atividade não reconhecida pela fachada limpa. Era, ali, só mais um naquele sábado ensolarado. Via-se ao seu redor uma trouxa de roupas, um caderno e uma caneta – apenas. Segurava um cigarro com nervosismo, sem fumá-lo. Vi nessa apreensão a chance da aproximação – ofereci o isqueiro – ele aceitou.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: center;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 8px; padding-right: 0px; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; line-height: 20px !important; "&gt;&lt;a href="http://coletivomensonge.files.wordpress.com/2011/11/brevis1.jpg" style="color: rgb(34, 34, 34); text-decoration: underline; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:'trebuchet ms';font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;img title="brevis1" src="http://coletivomensonge.files.wordpress.com/2011/11/brevis1.jpg?w=300&amp;amp;h=168" alt="" width="300" height="168" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 6px; margin-left: 0px; padding-top: 5px; padding-right: 5px; padding-bottom: 5px; padding-left: 5px; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: rgb(244, 244, 244); border-top-width: 1px; border-right-width: 1px; border-bottom-width: 1px; border-left-width: 1px; border-top-style: solid; border-right-style: solid; border-bottom-style: solid; border-left-style: solid; border-top-color: rgb(221, 221, 221); border-right-color: rgb(221, 221, 221); border-bottom-color: rgb(221, 221, 221); border-left-color: rgb(221, 221, 221); background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; " /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 8px; padding-right: 0px; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; line-height: 20px !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:'trebuchet ms';font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;“Grato, monsenhor!” Foi sua resposta. Iniciou-se, ali, um papo. “És o poeta?”, questionei. “Um enorme prazer conhecê-lo. Ronaldo Brevis, o poeta!”, apresentou-se, oferecendo o cumprimento. Fomos cordiais na mesma proporção. Acendi também um cigarro e Victor Britto idem. Até o fim do último trago triplo, ganharíamos a confiança do ilustre. Empolgado, já foi discorrendo, sem a menor cerimônia, sua eloquência peculiar. Reclamou do CET e dos impostos cobrados pelo governo, embaralhando com juras de melhorias sugeridas, caso fosse eleito presidente da República. “Substituirá o Lula?” indagou Victor, com um doce cinismo. “Do jeito que está não dá pra ficar!”. Fui de uma curiosidade fulminante: “Poeta e presidente? Pode?” E ele: “Vossa pessoa trabalha e tem o direito de desfrutar desse país!” Insisti: “Qual a solução?” A máxima veio seca: “Poesia!”&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 8px; padding-right: 0px; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; line-height: 20px !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:'trebuchet ms';font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;Sim, foi aí que percebi – tratava-se de um poeta legítimo. Vivia de poesia e somente poesia. Sua utopia era o romance da vida e tudo, ligado a isso, era o vislumbre de seu sonho ideal. Acrescentou, ainda com o ritmo eloquente e confuso, que crescera na Rua Peixoto Gomide e que vivia ali nos arredores fazia dezessete anos. Morador do Jardins, itinerante há quase duas décadas. Citou que na saudosa infância o padeiro deixava pão e leite nas portas das residências e “ninguém pegava nada”. Hoje, porém, tratava-se de uma impossibilidade. Para Ronaldo, o leite e o pão intacto no muro das casas também é poesia. E ela morreu, em nossa São Paulo de condomínios fechados com guaritas de cercas eletrificadas. “Se eu morrer, façam tudo, menos me cremar!” Cuspiu em seguida, para nosso espanto. “Por quê?”, me limitei. E o nosso poeta: “Eu prefiro ser comido por um Urubu do que ter os meus ossos queimados. Pelo menos eu vou alimentar e vou sair voando nas asas de um Urubu. Porquê o Urubu é o vôo mais lindo, além da Água. A Águia e o Urubu!”&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 8px; padding-right: 0px; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; line-height: 20px !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:'trebuchet ms';font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;Eu pretendia lhe cutucar, incisivo, se haveria em seu peito o medo da morte. Mas fui interrompido por uma buzina incessante. Ronaldo, atento, pediu licença: “É uma amiga!” E andou até a calçada, a caminho do carro importado que estacionara próximo a nós. Miramos o ocorrido com uma atenção religiosa. Apoiou-se na janela do motorista e ficou ali, conversando, por minutos. No carro, três mulheres. Três senhoras, corrigindo. Na lata, lhe presentearam com um livro. Ele, ao que pareceu, foi de uma gratidão exemplar. As três carregavam, explicitamente, uma admiração pelo poeta. Ouviam sua fala cativante com uma solidária atenção. Despediram-se, gesticulando, com a efusão da saudade premeditada e de quebra ganharam uma saudação física – o poeta saudou-as com uma pompa medieval. Acenou à partida do automóvel e retornou, cabisbaixo, num ritmo lento como o de um cão pensativo.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 8px; padding-right: 0px; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; line-height: 20px !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:'trebuchet ms';font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;“Já leram?” Foi direto, antes mesmo de parar em nossa frente. “Bukowski? Ganhou um Bukowski?” E sua insistência nos laceou: “Querem ler?” Nos coube a educação: “É seu!” E ele insistiu: “Não quero ler. Peguem, peguem!” Fui tomado por um descaro imediato e aceitei o livro de poemas Bukowskiano, sem antes questionar: “Por quê não quer ler?” Veio o revide: “Já li demais. Trabalhava numa gráfica, revisando livros. Li muito, por anos. Hoje meu âmago é apenas escrever. Essa é a minha obsessão!” O silêncio nos tomou. E o poeta, sempre surpreendente: “Como que eu vou escrever sobre a vida de um pirata, se eu nunca fui pirata? E nem desejo ser um pirata. Piratas eram poetas também. Até ladrões são poetas. Piratas eram ladrões, e são poetas também. À moda deles, mas são. Eu escrevo a respeito da minha vida, falou?!”.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: center;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 8px; padding-right: 0px; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; line-height: 20px !important; "&gt;&lt;a href="http://coletivomensonge.files.wordpress.com/2011/11/brevis4.jpg" style="color: rgb(34, 34, 34); text-decoration: underline; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:'trebuchet ms';font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;img class="alignnone size-medium wp-image-138" title="brevis4" src="http://coletivomensonge.files.wordpress.com/2011/11/brevis4.jpg?w=300&amp;amp;h=168" alt="" width="300" height="168" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 6px; margin-left: 0px; padding-top: 5px; padding-right: 5px; padding-bottom: 5px; padding-left: 5px; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: rgb(244, 244, 244); border-top-width: 1px; border-right-width: 1px; border-bottom-width: 1px; border-left-width: 1px; border-top-style: solid; border-right-style: solid; border-bottom-style: solid; border-left-style: solid; border-top-color: rgb(221, 221, 221); border-right-color: rgb(221, 221, 221); border-bottom-color: rgb(221, 221, 221); border-left-color: rgb(221, 221, 221); background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; " /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 8px; padding-right: 0px; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; line-height: 20px !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:'trebuchet ms';font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;Acendemos mais um cigarro. Tenho, sempre, o vouyerismo da nicotina. Me fascina, em tempos do trago ultrapassado, o jeito com que o fumante leva o cilindro à boca, a maneira como traga e o ritmo da fumaça expelida. Ronaldo é daqueles que trata um Marlboro com a cerimônia de um casamento. Demos um sopro de intervalo na sabatina. O poeta, no entanto, era uma mangueira de frases soltas: “Quando uma mulher se apaixona por um homem, ela quer o homem, quer de qualquer jeito, se marcar ela manda até matar!” Eu e Victor, dois românticos latentes, em meio a nossos petardos amorosos devastadores, regamos tua fala: “O poeta ama?” Brevis: “Eu era um garoto muito bonito, só que com doze anos a professora se apaixonou por mim e acabou comigo. Assolou minha alma e meu coração, minha carne e minha sanidade.” Raciocinei, quieto: “Foi ai que virou poeta…” Mais: “Ela era bonitona, tinha um Galaxy vinho, morava no Edifício Copan. Agora, que inteligência eu tinha para saber o que era o amor, em relação à uma mulher?”.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: center;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 8px; padding-right: 0px; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; line-height: 20px !important; "&gt;&lt;a href="http://coletivomensonge.files.wordpress.com/2011/11/brevis2.jpg" style="color: rgb(34, 34, 34); text-decoration: underline; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:'trebuchet ms';font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;img class="alignnone size-medium wp-image-139" title="brevis2" src="http://coletivomensonge.files.wordpress.com/2011/11/brevis2.jpg?w=300&amp;amp;h=168" alt="" width="300" height="168" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 6px; margin-left: 0px; padding-top: 5px; padding-right: 5px; padding-bottom: 5px; padding-left: 5px; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: rgb(244, 244, 244); border-top-width: 1px; border-right-width: 1px; border-bottom-width: 1px; border-left-width: 1px; border-top-style: solid; border-right-style: solid; border-bottom-style: solid; border-left-style: solid; border-top-color: rgb(221, 221, 221); border-right-color: rgb(221, 221, 221); border-bottom-color: rgb(221, 221, 221); border-left-color: rgb(221, 221, 221); background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; " /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 8px; padding-right: 0px; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; line-height: 20px !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:'trebuchet ms';font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;Nessa, eu já lobriguei, sozinho, que a loucura do poeta era oriunda da primeira desilusão amorosa, e que desde os doze anos ele amava e pensava em uma única e inesquecível mulher. Ledo engano. Acrescentou, logo depois, que fora morar na rua depois da mulher o ter largado. Negou-se, com uma educação de poeta, a falar sobre o assunto. Apenas incitou: “O casamento é o câncer!” E nos ofereceu a ler alguns de seus poemas mais recentes. Improváveis da negação para aquele mar de ideias, fomos adiante em nossa inércia jornalística e antropológica. Abriu o caderno e já recitou: “No resvalado desvairo de nosso tempo, onde o olhar se esconde em cada face, um amigo se distingue nessa feira urbana, e tem gente que pega taxi até por solidão!” Fechou o caderno.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 8px; padding-right: 0px; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; line-height: 20px !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:'trebuchet ms';font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;O papo durou por mais uns vinte minutos. Saímos prometendo ao poeta um caderno novo, uma caneta nova e um sanduíche de presunto. Nunca mais voltamos. Levei comigo, e guardo até hoje, o livro “Os melhores poemas de Charles Bukowski”. Gravamos um vídeo e tiramos fotos (que perderam-se na balbúrdia digital de um smartphone). Se um dia encontraremos novamente o poeta, só cabe a nós a disposição. Nós podemos mudar de bairro, de cidade, de país. Ronaldo, não. Ele permanecerá na Rua Estados Unidos, recitando poemas e saltitando com sua alegórica pompa medieval. Em tempos onde a poesia é ultrapassada como o jornalismo e o longa-metragem, ainda houvermos: “Ronaldo Brevis, o último poeta do Jardins!”&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: center;font-family: Georgia, 'Times New Roman', Times, serif; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 8px; padding-right: 0px; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; font-size: 13px; line-height: 20px !important; "&gt;&lt;iframe width="420" height="265" src="http://www.youtube.com/embed/F8NWk6fRPv0?hd=1" frameborder="0" allowfullscreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-5046295318746224875?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/5046295318746224875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/5046295318746224875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/11/o-poeta-dos-jardins.html' title='O POETA DOS JARDINS'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/F8NWk6fRPv0/default.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-3807282752245806093</id><published>2011-11-11T08:00:00.000-08:00</published><updated>2011-11-11T08:30:30.971-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='iphone 4 instagram bruno graziano fotos são paulo cotidiano blog'/><title type='text'>DIÁRIA.MENTE - PARTE 1</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-dreXC6Ji9qQ/Tr1KKXXHLZI/AAAAAAAAA1U/def2ufkYXV0/s1600/IMG_0194.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-dreXC6Ji9qQ/Tr1KKXXHLZI/AAAAAAAAA1U/def2ufkYXV0/s400/IMG_0194.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673772647486795154" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-6h0bW6Nx1Vg/Tr1KKEfmtXI/AAAAAAAAA1I/Tm95upJo3RE/s1600/IMG_0190.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-6h0bW6Nx1Vg/Tr1KKEfmtXI/AAAAAAAAA1I/Tm95upJo3RE/s400/IMG_0190.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673772642422142322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-DndG-EktTnk/Tr1KJO8tBdI/AAAAAAAAA1A/bUFjdiHKoqE/s1600/IMG_0189.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-DndG-EktTnk/Tr1KJO8tBdI/AAAAAAAAA1A/bUFjdiHKoqE/s400/IMG_0189.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673772628048676306" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/--L17s9j7UFY/Tr1KIygN-xI/AAAAAAAAA0w/MuZzspZjfrE/s1600/IMG_0178.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/--L17s9j7UFY/Tr1KIygN-xI/AAAAAAAAA0w/MuZzspZjfrE/s400/IMG_0178.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673772620413008658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-uwDUUISdys4/Tr1JfCNIa4I/AAAAAAAAA0g/StIChbGYHHk/s1600/IMG_0176.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-uwDUUISdys4/Tr1JfCNIa4I/AAAAAAAAA0g/StIChbGYHHk/s400/IMG_0176.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673771903073414018" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-0J7H3nlLnrI/Tr1JeONkfYI/AAAAAAAAA0Y/oJF5Z0Z6QWI/s1600/IMG_0170.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-0J7H3nlLnrI/Tr1JeONkfYI/AAAAAAAAA0Y/oJF5Z0Z6QWI/s400/IMG_0170.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673771889116609922" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-rsn3ATt0N8I/Tr1JdVwMnHI/AAAAAAAAA0I/fPM80x5w7MY/s1600/IMG_0155.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-rsn3ATt0N8I/Tr1JdVwMnHI/AAAAAAAAA0I/fPM80x5w7MY/s400/IMG_0155.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673771873961024626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-SFZXyNAmKmM/Tr1JdAODEMI/AAAAAAAAAz4/tPB_R2zV8XM/s1600/IMG_0147.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-SFZXyNAmKmM/Tr1JdAODEMI/AAAAAAAAAz4/tPB_R2zV8XM/s400/IMG_0147.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673771868180648130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-3UPLqZRXBdQ/Tr1Jc50flxI/AAAAAAAAAzw/7FdD3h9lxVU/s1600/IMG_0140.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-3UPLqZRXBdQ/Tr1Jc50flxI/AAAAAAAAAzw/7FdD3h9lxVU/s400/IMG_0140.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673771866462852882" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/--ws0O1Y5TVM/Tr1Ipv5NL6I/AAAAAAAAAzk/GZ3auVJB5II/s1600/IMG_0122.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://3.bp.blogspot.com/--ws0O1Y5TVM/Tr1Ipv5NL6I/AAAAAAAAAzk/GZ3auVJB5II/s400/IMG_0122.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673770987624935330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-KnlJJHFSerY/Tr1Io-Q6kJI/AAAAAAAAAzc/oIaJbk5ohFk/s1600/IMG_0126.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 295px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-KnlJJHFSerY/Tr1Io-Q6kJI/AAAAAAAAAzc/oIaJbk5ohFk/s400/IMG_0126.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673770974302605458" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-D-diAg0P610/Tr1Iovc1PkI/AAAAAAAAAzM/vaVfEFoTBtY/s1600/IMG_0100.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-D-diAg0P610/Tr1Iovc1PkI/AAAAAAAAAzM/vaVfEFoTBtY/s400/IMG_0100.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673770970326056514" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-cRdSc8U0eHs/Tr1InpjVqhI/AAAAAAAAAzE/hEGLSHSYALk/s1600/IMG_0075.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-cRdSc8U0eHs/Tr1InpjVqhI/AAAAAAAAAzE/hEGLSHSYALk/s400/IMG_0075.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673770951562865170" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-uRTv7NoXVSU/Tr1InTkdSyI/AAAAAAAAAy0/LO2M3SrP0yA/s1600/IMG_0071.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 243px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-uRTv7NoXVSU/Tr1InTkdSyI/AAAAAAAAAy0/LO2M3SrP0yA/s400/IMG_0071.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673770945661979426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-rExxroT1W5M/Tr1H9TpGuqI/AAAAAAAAAyo/p6JURpLuImU/s1600/IMG_0062.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 310px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-rExxroT1W5M/Tr1H9TpGuqI/AAAAAAAAAyo/p6JURpLuImU/s400/IMG_0062.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673770224126966434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ASJKtjQXBng/Tr1H8h6QX6I/AAAAAAAAAyg/6c3bWiYMKi0/s1600/IMG_0055.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-ASJKtjQXBng/Tr1H8h6QX6I/AAAAAAAAAyg/6c3bWiYMKi0/s400/IMG_0055.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673770210777128866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-hytM0N5Xuy8/Tr1H8cMyKEI/AAAAAAAAAyQ/gLIjcDXij6k/s1600/IMG_0052.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 92px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-hytM0N5Xuy8/Tr1H8cMyKEI/AAAAAAAAAyQ/gLIjcDXij6k/s400/IMG_0052.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673770209244227650" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-xbKQkLxn_1g/Tr1H79n9b1I/AAAAAAAAAyI/8MM9QpzOAzY/s1600/IMG_0031.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-xbKQkLxn_1g/Tr1H79n9b1I/AAAAAAAAAyI/8MM9QpzOAzY/s400/IMG_0031.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673770201036713810" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-eGFWVIKar6s/Tr1H7kjW3yI/AAAAAAAAAx4/N8Uz0oQ0swo/s1600/IMG_0030.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 299px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-eGFWVIKar6s/Tr1H7kjW3yI/AAAAAAAAAx4/N8Uz0oQ0swo/s400/IMG_0030.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673770194306522914" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-XfQahqGFy5A/Tr1HVXmpV4I/AAAAAAAAAxs/QJVvrDzOVoA/s1600/IMG_0026.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-XfQahqGFy5A/Tr1HVXmpV4I/AAAAAAAAAxs/QJVvrDzOVoA/s400/IMG_0026.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673769537995626370" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-a2-_uIBlWro/Tr1HVG5ZdcI/AAAAAAAAAxg/v6dKNavhiN8/s1600/IMG_0020.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-a2-_uIBlWro/Tr1HVG5ZdcI/AAAAAAAAAxg/v6dKNavhiN8/s400/IMG_0020.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673769533510874562" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-y4nNzLk-U1A/Tr1HT0aoGDI/AAAAAAAAAxY/PAFuhMp2xUc/s1600/IMG_0019.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-y4nNzLk-U1A/Tr1HT0aoGDI/AAAAAAAAAxY/PAFuhMp2xUc/s400/IMG_0019.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673769511370102834" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-391AzPUMX_w/Tr1HTiYW90I/AAAAAAAAAxE/pjmVCOCqnyc/s1600/IMG_0012.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-391AzPUMX_w/Tr1HTiYW90I/AAAAAAAAAxE/pjmVCOCqnyc/s400/IMG_0012.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673769506528753474" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-utSmWEYwBFo/Tr1HTS2RD-I/AAAAAAAAAw8/RKAiLpPvWKY/s1600/IMG_0009.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-utSmWEYwBFo/Tr1HTS2RD-I/AAAAAAAAAw8/RKAiLpPvWKY/s400/IMG_0009.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673769502359228386" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-3807282752245806093?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/3807282752245806093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/3807282752245806093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/11/diariamente-1.html' title='DIÁRIA.MENTE - PARTE 1'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-dreXC6Ji9qQ/Tr1KKXXHLZI/AAAAAAAAA1U/def2ufkYXV0/s72-c/IMG_0194.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-1555962815663145063</id><published>2011-10-28T18:03:00.000-07:00</published><updated>2011-10-28T23:41:50.243-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='internet esquinas charm cerveja bruno graziano crônica cerqueira cesar facebook milton leal camile liguori paulo silva junior luciano costa fabio castello'/><title type='text'>A ESQUINA DO CHARM EM BREVE NÃO SUPORTARÁ TAMANHA MULTIDÃO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Trata-se de uma nova rotina. Antecipo: estou desempregado. Mas, nesse Brasil de Lula desvairado de tantas oportunidades, não me faltam trabalhos. Um clipe aqui, uma publicidade acolá, uma web-série por ali e um institucional por lá. O sonho, ainda, é o longa-metragem. Trata-se do sentido de tudo, o tesão do todo. Os noventa minutos me perseguem, na carne e na alma, assim como um touro espanhol mirando seu peão. Pois. Citei, recentemente, o bar Soberano. Era o reduto de cineastas e artistas da Boca do Lixo, no auge boêmio dos anos sessenta, setenta e oitenta. Lá, num reles pileque, nascia um filme. Horas antes, no peito de frango com fritas, elaborava-se um roteiro. Claudio Cunha oferecia o argumento e Candeias cedia a câmera. Mojica selecionava o casting e Ody Fraga produzia as locações. A rivalidade era sadia e as coisas aconteciam. Foi nesse antro, focado na Rua do Triumpho, que sobreviveu, por décadas, o mais auto-suficiente e próspero cinema brasileiro da história - a pornochanchada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era uma época sem celular, sem internet, sem sms e sem facebook. Se quisessem falar com um dos artistas da Boca, e não os encontrassem em casa, ligavam de prontidão para o bar Soberano: "Fulano está?" E a resposta, pragmática, era: "Sim" ou "Não". E quanto as atrizes? Eram as musas de toda uma cidade. E quanto as prostitutas? Eram as mais prezadas namoradas do centro. Meu pai, dias desses, comentou: "Namorei uma prostituta! Era uma pequena daquelas de andar de mãos dadas na Oscar Freire!" E nessas coincidências de assuntos, ontem mesmo, um taxista que muito me trouxe de Higienópolis para a Cerqueira Cesar, na época em que a quebradeira com audiência de VMB descansava em meu peito com uma doçura de brownie quentinho, comentou: "As prostitutas de ontem não são as prostitutas de hoje!" Complementou ele, ainda: "Eram meretrizes! Meretrizes!"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No mesmo Soberano, políticos eram barrados. "Até o prefeito já barrei!" Urrou, o ex-proprietário, em algum curta-metragem documental sobre o recinto. Barrava o prefeito, mas nunca uma atriz. As musas da Boca eram santas sagradas no presépio criativo da nata do cinema paulista. E é assim que funciona, ao seu tempo, o Charm. Lá, ouve-se, a todo instante, formar-se as novas atrocidades culturais de Sampa. Vá lá, também temos bebuns e bebuns. Nesse fenômeno tucanístico chamado Rua Augusta, a Vila Olímpia invade esta safadinha de concreto. "Mas tem espaço pra todos!" Ostenta Miranda, o Eike Batista do conhaque com limão. Concordo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O lance todo, no caso, é: a esquina do Charm anda transbordada de gente. Abri este petardo com a seguinte frase: "Trata-se de uma nova rotina!" E esta, digo-lhes, é o almoço as cinco da tarde, nas mesas de fora do Charm. A não-batida de cartão diária proporciona certos regalos. Sempre que dá, sento na mesinha esquinada e peço, gentilmente: -Filé de frango, arroz, feijão e fritas. Antes, porém, uma gelada. E é este costume que sobrepõe a sacada de fim de tarde do Catorze Dezenove. É nesse momento que tudo acontece, que tudo surge. Conhecidos cumprimentam-se, namorados beijam-se, desafetos fazem juras de morte e desconhecidos prometem o reencontro breve. Tudo, na esquina do Charm.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até ai, tudo bem. O problema, porém, é a limitação territorial. "Não cabe mais ninguém! Ninguém!" Gritou uma de nossas indies de panturrilha definida, semana passada. Eu matava minha fome da labuta quando ouvi a máxima. E hei de confessar: -Tinha razão a indie de panturrilha definida. Não cabia mais ninguém ali! Ninguém!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pensei, mastigando o frango oleoso: -Mas por quê? E segundos depois percebi toda a verdade absoluta - as pessoas estão deletando o Facebook. Fui um dos primeiros, depois veio Luciano Costa, o literário bebasso, depois veio Milton Leal, o amoroso expansivo, depois veio Paulo Silva Junior, o possível notável. Foi uma avalanche de deletes. E nos primórdios de tudo, até hoje, houve um rapaz que nunca se entregou a toda e qualquer rede social. O nome dele, por extenso, é - Fábio Luz Castello, o Picasso da cebola roxa. Quando te liga, o menino, é de uma prolixidade ornamental. Conta as histórias da semana com, pelo menos, quarenta minutos de duração. Sua narrativa, para o mais simplório fato, é de uma invejável complexidade. É, sem querer, um ultrapassado. Tem família religiosa, estabelecida, duradoura, e preza por isso. Numa época onde a família é ultrapassada como o jornalismo, Fabinho, podemos afirmar, é o novo punk. Sim, o ultrapassado é o novo punk. Ser reacionário, no século 21, é o anarquismo quentinho como um pão francês.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos em frente. Dirão alguns que; "São muito poucos." Só que, tratando-se desse blog, alguns dos personagens principais pularam fora da grande rede social como um mergulho olímpico. E se os personagens essenciais caíram fora, para mim já é uma tendência. Há outros, no embalo, com coceira no dedo para o delete facebookiano. -E muitos! Digo eu. E se jornalistas, e suas cucas pensantes, já admitem viver sem vida virtual, quem sou eu pra negar a moda? (ninguém)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A explicação da esquina do Charm lotada é deveras sucinta: a internet inicia seu esgotamento humano. A vida virtual expurga, sobretudo no rolet ocidental, um estapafúrdio limite. O vazio toma conta dos populares de comentários, de curtirs. Enquanto isso, a verdadeira ação nasce das ruas, das calcadas, das esquinas. O olho no olho sempre foi e sempre será o enorme evento. Uma cidade nasce de um olho no olho, ex-namorados ainda enamorados beijam-se após um olho no olho, filmes são decretados em meio à um olho no olho e, por fim, a vida só ganha pulso com o olho no olho (perdoem-me a vulgaridade da definição).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O "novo jornalismo" engatinha com o coletivo Mensonge, um documentário sobre o Acre ovula com a plasticidade de uma grávida, livros são escritos com a obsessão de um alcoólatra dos anos vinte. Tudo, fora do Facebook. A eminente rede social é o caminho mais perto, o bumbum mais afável a primeira vista. Mas este bumbum, a longo prazo, carrega um desinteresse fulminante. A brasileira de bumbum pequeno tem a proximidade eterna do "interessante". O prazer da bunda grande dura uma rala noite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Houve, nesses tempos, um casal que se amou com uma feroz intensidade. "Teve jura eterna, tapa na cara, brigas homéricas e cartas apaixonadas recusadas!" Diz algum cúmplice. E como conseqüência, decretou-se um fim. Foi um derradeiro e irônico fim, indigesto como o enroladinho de presunto e queijo do português da Antonio Carlos. Hoje, "se há amor ou se não há amor", ninguém sabe. Mas estão separados, idilicamente separados. Essa relação ocasionou em ambos um trauma fundamental. O tipo de trauma que ou eleva ou afunda, sem meio termo. E foi nessa livre façanha que ostentou-se a horrível e ao mesmo tempo estupenda constatação: hoje se ama e se desama como um login do Facebook.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-1555962815663145063?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/1555962815663145063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/1555962815663145063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/10/esquina-do-charm-em-breve-nao-suportara.html' title='A ESQUINA DO CHARM EM BREVE NÃO SUPORTARÁ TAMANHA MULTIDÃO'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-2509050427265079647</id><published>2011-10-26T20:14:00.000-07:00</published><updated>2011-10-26T23:22:50.245-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sessão da tarde revista offline bruno graziano crônica cinema americano blockbuster o homem do futuro'/><title type='text'>A INGENUIDADE DA SESSÃO DA TARDE É A SALVAÇÃO</title><content type='html'>&lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Certa vez me perguntaram: "Qual seu gênero favorito?" E eu, já bufando a resposta, fui tomado por uma dúvida cruel, por um embaraço voraz. Não sabia qual era - a verdade. Embrulhei uma mistureba tremenda, confundi comédias com dramas, aventura com terror, suspense com romance e infantil com pornô. Sai sem concluir e deixei a interlocutora na mão, como um cineasta sem roteiro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Foi então que encontrei com o sábio na rua. Nem sequer lhe teci o cumprimento e fui sumário: -Como sei qual meu gênero de cinema favorito? E ele, apoiando a mão no meu ombro, com um ar de oráculo: "É aquele que lhe fez amar cinema pela primeira vez!" Endiabrado com a sábia definição, quis saber mais: -Só isso? E ele: "Sempre! O primeiro amor, a primeira vez!"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Passava eu pelo Espaço Unibanco e decidi entrar. Estavam exibindo "O Homem do Futuro" e me coçou a cuca - entrei na sessão. Mas antes, passando pela catraca, lembrei de que minhas primeiras impressões, minhas primeiras obsessões, minhas primeiras emoções, com a sétima arte, foram no sofá de casa, no retorno do colégio, com uniforme e sujo do recreio, curtindo uma cesta infantil com filmes que tinham, acima de qualquer outro atrativo, a ingenuidade em noventa minutos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Volto ao "Homem do Futuro". Não chegara nem a trinta minutos de trama e já me transformava novamente no Bruno Graziano de seis, de oito, de doze anos. Num toque de hora mágica, virei menino, novamente. Peguei meu pacote de bolacha imaginário e ri como um menino, me emocionei como um menino. Perdi toda e qualquer malícia, todo e qualquer caos adulto, toda e qualquer chatice cinéfila. Piscavam os créditos e eu desci para a rua, na procura da molecada da vizinhança, para bater uma bola e trocar figurinhas da copa. A boa sessão da tarde é isso - o retorno a infância - seja na sala escura ou na televisão de tudo vespertina.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Nossa geração (tenho 23 anos e me incluo nela) é niilista de DNA. Nascemos niilistas, esta é indigesta verdade. A internet é o niilismo. Sabemos de tudo, debochamos de tudo, conhecemos tudo e já descobrimos tudo. Estamos cada vez menos espantados, menos crus, menos passionais, menos imaginativos. Pois o que desejo é a salvação - do mais fundo coágulo do coração - para a essa rapaziada muito louca, o seguinte: a paixão ilhada e genuína do casal de "A Lagoa Azul", a magnífica e convicta capacidade de se virar sozinho  do garotinho de "Esqueceram de Mim", o delicioso hedonismo altruísta do protagonista de "Curtindo a vida adoidado!", a destreza e força de vontade do extraordinário lutador de "O Grande Dragão Branco", o espanto e abismo sintetizador de criatividade do menino homem de "Quero ser Grande", o tapa na cara social do príncipe de Zamunba de "Um Príncipe em Nova York", a lealdade de irmãos dos aventureiros juvenis de "Abracadabra", a descoberta de si próprio dos estudantes de "Mudança de Hábito", e por que não? O amor incondicional espírita de "Ghost"!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;A sessão da tarde foi meu deslumbre de mundo, minha inquieta apresentação a fantasia cinematográfica. Hoje, com toda essa sabedoria extrema de nós jovens, por vezes anseio "as primeira vezes". A vinheta da sessão da tarde ainda me pinica uma fabulosa e primordial sensação de alegria pura, de alegria ingênua. No fundo, no fundo, todos crescemos almejando uma vida de muita confusão!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="  font-weight: bold; line-height: 26px; "&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;(Publicado na coluna de cinema da Revista Offline, edição de Outubro de 2011)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-2509050427265079647?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/2509050427265079647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/2509050427265079647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/10/ingenuidade-da-sessao-da-tarde-e.html' title='A INGENUIDADE DA SESSÃO DA TARDE É A SALVAÇÃO'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-3009887759885724474</id><published>2011-10-25T19:20:00.000-07:00</published><updated>2011-10-26T09:10:26.186-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='são paulo cidade saneamento básico limpeza bruno graziano crônica fatos reais que não aconteceram'/><title type='text'>UMA SÃO PAULO DE ALOE VERA</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Certas obsessões permanecem conosco para todo o sempre. É aquele lance de "tudo que acontece com o sujeito até os seus seis anos de idade influencia sua personalidade até o fim de seus dias". Por muito fiquei na dúvida se a lápide de toda uma humanidade fora proferida de prima, por Black Allien ou Jean-Paul Sartre. Dia desses, um dos leitores desse blog me encucou de que a frase é "puro Jung". Pode ser, como pode não ser, quem sou eu para decretar o autor? Mas me encantou o "puro Jung" e daqui pra frente eu direi: -É puro Jung.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;O Jardins, por exemplo, é uma de minha obsessões. Quando pimpolho, acompanhava minha mãe pelas escolas particulares mais distintas da pauliceia (ia em jardins da infância onde a corisa saindo rasteira das narinas das crianças brilhava reluzente no sol do meio dia, e também ia em primários onde quem não tinha um tênis Nike era um miserável delinqüente). Nessas andanças, acompanhava-na também em horas da marmita. Suas amigas eram a plebe (minha mãe era professora). E a grande maioria era gorda. Gordas de aventais azuis, que me entretiam com um bom-humor jamais superado. Eu também entretia-nas com perguntas estapafúrdias e danças bizarras. Nos papos do intervalo labuteiro, comentavam: "Fulana comprou tal bolsa na Oscar Freire!", "Ciclana só janta na Alameda Santos!" &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;O Jardins sempre foi, para mim, a Paris que fica "logo ai". E quando já crescido, comecei a freqüentar a região, fui de uma decepção colossal. Me vinha a mente psicótica juvenil - um bairro onde uma simples maçaneta era de ouro maciço. Eu vislumbrava que moradores de rua tomavam Champagne ao invés de pinga. Minha neura era de que, sempre a meia-noite, milionários jogavam dinheiro de suas coberturas, com aventais de penas de ganso. Fui criado, como podem ver, pela sessão da tarde. As cenas dos clássicos oitentistas americanos moldaram meu caráter e minha índole para o bem e para o mal.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Pois bem. O Jardins, ao meu ver, é a vizinha gostosa e rica da casa da frente. Visualizem a cena: uma ruela daquelas de bairro, comprida e sem saída, onde senhoras fofocam na calçada e moleques soltam "peidos de velha" na janela dos velhos ranzinzas. Nessa ruela, moro num casebre pequeno, mas muito visitado. Me chamo Cerqueira Cesar. Eu sou a Cerqueira e minha vizinha rica e gostosa é a Jardins. Como um bom imaturo e revoltado, me masturbo para ela numa freqüência quase católica. Suas roupas, seu cheiro, sua pompa e sua finesse, me instigam um sentimento de encabritado perdido. A maneira como ela se porta perante a mim é de um simbolismo perfeito - nem me olha, no dia-a-dia, mas me aluga, nos fins de semana, pedindo com jeitinho - álcool e drogas. Sim, sou adolescente, mas vendo álcool e drogas. Ela é menor de idade, e em nossa ruela fechada, só eu consigo tais delícias proibidas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Quatro casas para a direita, com um quintal enorme e rodas de samba dominicais, mora a Vila Madalena. Como é animada e ostensiva a garota. Anda sambando, vejam, como uma passista em Carnaval. Pula, ao acordar, com a trilha sonora de cavaquinhos e pandeiros. Passa em casa vez ou outra, mas sempre me convida, com um ar de superioridade, para sua festa. Diz: "Sai um pouco de casa, você só fica em casa!" E eu, desajustado com a verdade absoluta: "Semana que vem! Semana que vem!" E não vou. Já quatro quadras para a esquerda fica a Higienópolis. Sua casa é algo como um museu judaico. Vista de fora, temos uma arquitetura daquelas que deixam europeus em casa, tamanho refinamento clássico. Já dentro, o mais moderno aparato tecnológico de toda a rua. É milionária a senhora Higienópolis. Ah, havia me esquecido, perdão - trata-se de uma senhora (ou melhor, uma loba). A Milf em questão me trata sempre com uma gentileza invejável. Faz carinho em minha cabeça grande sempre que me encontra, vadiando pelas redondezas. Noite sim, noite não, coloca a melhor roupa e o melhor perfume e vai jantar fora. Eu, pela janela, apenas lhe admiro. Sempre foi rica e sempre será. Sempre foi madame e sempre será. Certa vez, me deu um beijo na testa, quando sai com febre para jogar bola, e confesso, me subiu na alma o mais quente dos sentimentos - o tesão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Lá mais pro fundo fica a Bixiga. Velha, suja, antiquada e maltrapilha. Os mais velhos dizem: "Na minha época era gostosa!" E eu imagino, apenas, como aquela defunta caída poderia ser gostosa em sua mocidade. Convenhamos: certos charmes paulistanos morrem com a modernidade. No bairro vizinho, tem uma mulher chamada Rua do Triumpho. Sai na rua e já ouve: "Puta!" E vê, melancólica, mães impedindo os filhos de falarem ou sequer olharem para a remelenta fêmea. É a proibida, a mal-falada, a maldita. Só que estava falando da Bexiga. Por vezes, ouço vindo de seu humilde lar: "Quem nunca viu o samba amanhecer, vai no Bixiga pra ver, vai no Bixiga pra ver!" E me pergunto: -Se arrumar um namorado, a Bixiga fica bonita. Falta um namorado!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Também tem a acelerada Bela Vista, que sai as seis da manhã e volta as onze da noite, todos os dias. Tem a recatada Pinheiros, no qual nunca vi de saia, nunca vi fazendo barraco, nunca vi trazer homens para casa. Não posso esquecer, em tempo, da Paraíso. Casada, filhos, carreira estabelecida (creio ser bancária a patroa). Faz academia, sabe cozinhar, passa batom rosa claro e veste terninhos roxos. É linda e faz escova no cabelo. Quando passa, os bebuns que ficam em frente de casa logo comentam: "Essa é pra casar!" E sempre tem um que resmunga: "Fria!"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Expurguei toda essa análise babaca para, enfim, chegar onde devo - a cidade está intragavelmente asséptica. Que somos uma metrópole criada pelo medo e pelo receio, digo que trata-se de um consenso geral. Nossos edifícios moderninhos, de paredes brancas, quatorze andares e portarias com cercas eletrificadas, se vangloriam de uma segurança de primeiro mundo. E nossos apartamentos de dois dormitórios custando seiscentos mil reais colocam três fechaduras na porta com a prontidão de uma tropa de elite. Essa, porém, não é a grande questão. Sim, claro, talvez seja a grande, mas não é a "quentinha", a "do momento".&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Fui a uma padaria na Pompéia, dia desses, e me deparei com o absurdo que todo o padeiro que se preze deveria arregalar os olhos e atirar contra os próprios miolos, se houvesse ainda a loucura do suicídio do desgosto. Cheguei e lancei: "Três, bem branquinhos!" E o padeiro, conformado, me serviu os deliciosos pãesinhos com luvas de plástico e uma focinheira de gripe suína. Recebi, com um pavor instrumentado, os pãesinhos indefesos da mão daquele Hannibal Lecter. Mas, cabe a mim admitir, Já haviam me cantado a bola. Felipe Parra, filho próspero do Sumarezinho, dia desses chegou com a revolta do pão servido com luvas de plástico e focinheiras de Hannibal Lecter.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Vamos somar a isso, então, o fim do pernil de estádio, hoje marginalizado como um crackeiro da Rua Aurora. As chapas do Charm e do BH, segundo me informaram os garçons, perderam parte de sua gordura apetitosa para a vigilância sanitária. Haverá um dia, a curto prazo, que nosso kassab condenará a chapa suja de gordura das padarias e botecos. Até na padaria da Rua Piauí, em meio a airosa Higienópolis, e seus lanches servidos para os abafados estudantes do Mackenzie, a chapa é gordurosa como as amigas secretárias de minha mãe nas escolas particulares que eu freqüentava quando pirralho. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Nos olhamos nas ruas cada vez menos, nos abraçamos suados cada vez menos, comemos lanches de chapas imundas cada vez menos e, por fim, temos vermes cada vez menos. Os vermes de antes, melados nos dedos ou nos lábios, morreram assim como morreu o Bar Soberano, antro de cineastas e artistas da Rua do Triumpho, na Boca do Lixo dos anos sessenta, setenta e oitenta. De lá saiu, como um Leão de Cannes, o mais auto-suficiente e popular cinema de nossa história - a pornochanchada. Era uma época onde fumar, comer um lanche na chapa suja de gordura e passear com prostitutas era o auge do charme, do glamour. -Isso é o que me contam!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-3009887759885724474?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/3009887759885724474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/3009887759885724474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/10/uma-sao-paulo-de-aloe-vera.html' title='UMA SÃO PAULO DE ALOE VERA'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-4749286574349027878</id><published>2011-10-24T22:27:00.000-07:00</published><updated>2011-10-24T19:49:35.853-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fotografia bruno graziano edifício arranha-céu são paulo cidade'/><title type='text'>SÃO PAULO - PARTE 1</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;embed src="http://www.4shared.com/embed/605379563/75e323de" width="420" height="250" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Milonga Sentimental, diretamente do vinil "Carlos Gardel", transferido pela vitrola Betty Blue para mp3.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-_U0XYBwf8wQ/TqYiVFsgGDI/AAAAAAAAAw0/jsKru-UDzKU/s1600/Avenida%2BS%25C3%25A3o%2BJo%25C3%25A3o%2B2011.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-_U0XYBwf8wQ/TqYiVFsgGDI/AAAAAAAAAw0/jsKru-UDzKU/s400/Avenida%2BS%25C3%25A3o%2BJo%25C3%25A3o%2B2011.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5667254926793775154" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-qL00nmXrnzs/TqYiUyw4B_I/AAAAAAAAAwk/TRXBi-my7YA/s1600/Bandeirola%2BSP.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 268px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-qL00nmXrnzs/TqYiUyw4B_I/AAAAAAAAAwk/TRXBi-my7YA/s400/Bandeirola%2BSP.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5667254921711847410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-em_WCej-OwY/TqYh1IMt-bI/AAAAAAAAAwU/53pA2EBWmd4/s1600/Brasil%2Bde%2BLula%2Bna%2Bfachada.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-em_WCej-OwY/TqYh1IMt-bI/AAAAAAAAAwU/53pA2EBWmd4/s400/Brasil%2Bde%2BLula%2Bna%2Bfachada.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5667254377709959602" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-TbP7NVE6aNs/TqYhz13CvTI/AAAAAAAAAwM/M_Fk_lWS2D0/s1600/Catorz%25C3%25A3o%2BEnsolarado.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-TbP7NVE6aNs/TqYhz13CvTI/AAAAAAAAAwM/M_Fk_lWS2D0/s400/Catorz%25C3%25A3o%2BEnsolarado.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5667254355607338290" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-arnQTBJMs_s/TqYhzj-tVdI/AAAAAAAAAv8/ALg-gYzH9LI/s1600/Edif%25C3%25ADcio%2BMartinelli.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 267px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-arnQTBJMs_s/TqYhzj-tVdI/AAAAAAAAAv8/ALg-gYzH9LI/s400/Edif%25C3%25ADcio%2BMartinelli.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5667254350807651794" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-qrp8Mp4JMyM/TqYhy6rvkKI/AAAAAAAAAv0/QVYxeEA4HhQ/s1600/S%25C3%25A3o%2BPaulo%2Bcontra%2Bluz.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-qrp8Mp4JMyM/TqYhy6rvkKI/AAAAAAAAAv0/QVYxeEA4HhQ/s400/S%25C3%25A3o%2BPaulo%2Bcontra%2Bluz.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5667254339722252450" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-pW7ZbpYtq3M/TqYhys55CII/AAAAAAAAAvk/Kzdp76cGpus/s1600/Vis%25C3%25A3o%2Bdo%2B15.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; 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cursor:hand;width: 400px; height: 244px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-mNKSWV-QK34/TddSBo-2gLI/AAAAAAAAAeU/5yELDiNBe3Y/s400/Limpadores4.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5609042049047625906" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-19a4XwFu21k/TddSBkLH8jI/AAAAAAAAAeM/mxXps_Fl4RM/s1600/Limpadores3.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-19a4XwFu21k/TddSBkLH8jI/AAAAAAAAAeM/mxXps_Fl4RM/s400/Limpadores3.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5609042047756923442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-O3oeXeSaL9c/TddSBfvmCVI/AAAAAAAAAeE/bo1Xrnq7UVA/s1600/Limpadores2.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 252px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-O3oeXeSaL9c/TddSBfvmCVI/AAAAAAAAAeE/bo1Xrnq7UVA/s400/Limpadores2.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5609042046567713106" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-eB6ORo032mo/TddSBGN5AWI/AAAAAAAAAd8/wraW7U6gPfs/s1600/Limpadores.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; 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cursor:hand;width: 293px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-d0xXyuX4_K4/TqScIjZt40I/AAAAAAAAAnY/Z1yaFJIEdp0/s400/62910005.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666825901894918978" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-743GvkrMa0g/TqScHZU3MpI/AAAAAAAAAnQ/jTI1OOzk6AE/s1600/62910009.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 293px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-743GvkrMa0g/TqScHZU3MpI/AAAAAAAAAnQ/jTI1OOzk6AE/s400/62910009.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666825882010333842" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Jk2jC1M-5Rw/TqScHdjIksI/AAAAAAAAAm8/0ENWWjN1Shs/s1600/62910007.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 293px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-Jk2jC1M-5Rw/TqScHdjIksI/AAAAAAAAAm8/0ENWWjN1Shs/s400/62910007.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666825883143934658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-CIsd_hltXHo/TqScHGcNdUI/AAAAAAAAAm0/l3jwzjJeV8o/s1600/62910012.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 293px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-CIsd_hltXHo/TqScHGcNdUI/AAAAAAAAAm0/l3jwzjJeV8o/s400/62910012.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666825876940879170" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-cXgprXPFVGI/TqSarYJlbcI/AAAAAAAAAmY/ku3bpHGScfw/s1600/62910013.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 293px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-cXgprXPFVGI/TqSarYJlbcI/AAAAAAAAAmY/ku3bpHGScfw/s400/62910013.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666824301146631618" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-rBAmHTscJGs/TqSarABOrlI/AAAAAAAAAmQ/hF2ntBbxSR0/s1600/83710015.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 362px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-rBAmHTscJGs/TqSarABOrlI/AAAAAAAAAmQ/hF2ntBbxSR0/s400/83710015.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666824294669135442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-CRTtO9cqeLE/TqSaphabilI/AAAAAAAAAmI/7iHzqiDZj8Q/s1600/83710017.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 265px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-CRTtO9cqeLE/TqSaphabilI/AAAAAAAAAmI/7iHzqiDZj8Q/s400/83710017.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666824269273467474" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-zYA0lM6W-Tw/TqSao0_KoOI/AAAAAAAAAl4/eGETHMBoYe8/s1600/83710023.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 385px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-zYA0lM6W-Tw/TqSao0_KoOI/AAAAAAAAAl4/eGETHMBoYe8/s400/83710023.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666824257347952866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Oi8585srhIY/TqSaomxSqUI/AAAAAAAAAls/0_OaKUTmosg/s1600/83710024.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 396px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-Oi8585srhIY/TqSaomxSqUI/AAAAAAAAAls/0_OaKUTmosg/s400/83710024.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666824253531662658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-kx1YGUG3KjA/TqSY_wz-nOI/AAAAAAAAAlg/39roeFOJFPg/s1600/83710025.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 394px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-kx1YGUG3KjA/TqSY_wz-nOI/AAAAAAAAAlg/39roeFOJFPg/s400/83710025.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666822452341021922" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-6175319433339999883?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/6175319433339999883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/6175319433339999883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/10/blog-post.html' title='O PRIMEIRO SEMESTRE É SEMPRE MAIS AMENO'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-EOlRHSghl38/TqSdpTLsbNI/AAAAAAAAAo0/_lJ2pnV3xU4/s72-c/F1000028.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-7925164994067941665</id><published>2011-10-16T21:33:00.000-07:00</published><updated>2011-10-17T01:07:00.553-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bruno graziano crônica fatos reais que não aconteceram carta diarréia bia mãe paulo silva junior denise godinho é tudo verdade documentário depois de horas dr. holywood'/><title type='text'>SONHEI QUE O MUNDO INTEIRO ESTAVA NO BANHEIRO COM A MESMA DIARRÉIA QUE A MINHA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="  ;font-family:'trebuchet ms';font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="  ;font-family:'trebuchet ms';font-size:small;"&gt;Voltou Milton Leal ao Brasil e não fui a seu retorno. O motivo da falta esteve longe de ser a distância do local. Como um bom filho, o amoroso expansivo armou o rejunte com a Pauliceia no berço de seu florescer. Alastrou dezenas de e-mails, telefonemas, mensagens e em menos de duas horas, já haviam confirmados quase uma centena de fiéis amigos. Eu, com a graça da exclusividade, fui um dos primeiros a saber. Minha confirmação veio antes da notícia, vejam vocês. Escolheu, com a obviedade de certos costumes, o medieval Charm. Lá, onde discute-se fervorosamente desde Platão até a última rodada do brasileiro, viu-se de volta, corado como um Iraquiano, o viajante universal. A Cerqueira Cesar amanheceu confortada na manha seguinte, como uma mãe que recebe o pimpolho vindo da Europa. Disseram até que ouve uma chuva de chocolates Poeme e uma enchente de conhaque nos arredores da Augusta. Há quem afirme também, de pés juntos, pasmem, que Bob Marley compareceu ao evento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Todos foram, menos eu. Antes, relembro: também não fui a sua despedida, não sei quantos meses atrás. "Mas por quê, por quê?" Rebusna Murilo Costa, me ligando incessantemente. Aliás, nunca - repito, nunca - recebi tantos telefonemas quanto na noite em que furei com o rosnante amigo. Me senti, em meio ao toque telefônico, a própria importância. Mas não era eu que todos vislumbravam ver e também não era Milton leal. Claro, não estou a dizer que ninguém sentiu saudades e que ninguém goste de nossa companhia. Mas foi o Catorze Dezenove que estava em questão ligado a minha presença. Um Evair, um Cesar Maluco, um Ademir da Guia, podem voltar a campo, e sozinhos, encherem um Palestra Itália de torcedores. Mas, no fundo, no fundo, as arquibancadas gostam mesmo é de uma boa e astuta dupla de ataque.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Estou me delongando e ainda não expliquei o motivo: faltei pois estava com diarréia. Sim, uma ferrenha e selvagem diarréia. Há doenças e enfermidades infinitamente mais cruéis e efetivas que a diarréia, porém, com a sorte que nem sei de onde vem, nunca fui atacado por nenhum câncer, por nenhuma leucemia, por nenhuma dengue, por nenhuma diabete, por nenhum derrame, por nenhuma tuberculose e por nenhuma malária. O hospital, desde 1987, foi a minha elástica distância. Para terem noção, não entro num desses para me curar de algo já somam três (ou quatro) anos. Tenho, segundo minha vó, uma saúde "bárbara"!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Outrora, na ultrapassada década de noventa, aos seis anos, eu tive minha primeira diarréia. Quando fui surpreendido com a cueca tamanho PP borrada de merda, minha reação foi daquelas dignas de um filme Hitchcockiano. Lembro ainda que depois de curado, eu sempre dizia que aqueles foram os piores dias da minha vida. Vejam o ignóbil drama infantil - antes de enfrentar verdadeiras piças da vida, aquilo era o que de pior eu imaginava do ser, do existir. Sou cercado de algumas obsessões - e uma delas é a de elencar, a todo tempo, o melhor e o pior, o maior e o menor. É nesse extremismo que tropeço no exagero, diária.mente. Pois, inocente como um menino, mal podia imaginar que a verdadeira tragédia de bosta ainda estava por vir, dezessete anos depois.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Mas o que eu estava dizendo é que enquanto os possíveis notáveis mamavam copos americanos de cevada, eu lutava na guerra do meu intestino grosso. Que fosse só a liquidez de minhas fezes, mas não - os 40 graus de febre, o vômito (este, de longe é o mais plástico dos petardos de expelimento humanos) e, necessito inserir uma virgula, as alucinações. Estas últimas abraçaram minha sanidade por dois dias, e me deixaram imersos num ópio de solidão. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Ignorei as milhares (talvez milhões) de ligações e mensagens: "Cadê você?" (notem o quanto é suntuosa é língua portuguesa, que permite dois acentos circunflexos numa frase de duas palavras) e segui madrugada a dentro evacuando cada copo de água, cada bolacha, cada barra de cereal que punha goela a dentro. Foi o salgadinho do Português que me nocauteou, não me restava dúvida. Enquanto, sentado no trono, emporcalhando as paredes de cerâmica, gorfava os restos do enroladinho de presunto e queijo do Portuga, também perdi minha alma e toda e qualquer ânsia de amar, de odiar. Certos padecimentos desumanizam o homem assim com as feministas desumanizam a mulher.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Desci a rua, pelando na testa, na busca de uma Coca-cola. E foi, como um anjo da guarda negro, ela que me salvou do caos maior. Sua efervescência gasificada adentrou minhas entranhas e a acalmaram com uma destreza mais que medicinal. Me senti o menininho de "Dr. Hollywood - Uma Receita de Amor", o filme de 1991. Dirão os estudantes da PUC que vendem pão integral na Vila Madalena que a Coca-cola faz mal, que é industrializada e etc e tal. "Talvez, talvez!" Digo eu. No entanto, fora esse xarope de beleza africana que me permitiu dormir por raros minutos naquela noite. Eis que, mesmo assim, acordei cagado. Digo isso com uma lírica vibração - aos vinte e três anos, eu caguei nas calças. Mais de uma vez. Uma cueca, uma sunga e uma calça Jeans, sendo mais preciso. Neidoca, minha faxineira, ou melhor, minha Dilma Roussef da limpeza do lar, tinha dignificado o apartamento no mesmo dia, e graças a ela, eu tinha mais de quinze cuecas a disposição do meu ânus genocida. Como nada é perfeito, esqueci-me de comprar papel higiênico. A imagem, em alta definição, era a de minha bunda sendo esfregada com um rancoroso e despreparado papel toalha. Somamos a isso a primeira barata encontrada na história do quinto andar da Rua Antonio Carlos (essa, tenho que ressaltar, pode ter sido fruto de minha alucinação crescente).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;"Não é possível!" Repetia para mim mesmo, ilhado em minha solidão noturna. Estava sendo rodado, no meu kitnet, o "Depois de Horas" Cerqueiracesarense. As bizarrices e tragicomédias tomavam forma, mas o que importa de fato eu ainda não contei. Foram duas mulheres que, idílicas de tamanha venustidade, me salvaram e terão minha gratidão para todo o sempre. A primeira, que veio por último, foi minha mãe. Quão humilhante e necessária é a certeza que vem na fraqueza da doença. Morar sozinho, podemos resumir, é ter o armário cheio de tapawers vazios da mama. Já no limite da minha agonização, liguei para ela e fui direto: "Estou assim, assim e assado!" Não passara uma hora e já estava ela me forçando a tomar soro, me servindo bolachas de maizena, entuchando comprimidos em minha língua, me medindo a febre e me dando broncas alimentícias. Como se não bastasse, arrumara minha gaveta de cuecas e passara minhas camisas. Eu, deitado sem forças nem para peidar, apenas tinha a certeza: "Só uma mãe sabe o que é amor!"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Tenho ainda que dar espaço a segunda mulher, que veio primeiro. O nome dela é Bia. Antes que perguntem o nome completo, digo que ela não tem. É Bia e apenas Bia. Pode ser Beatriz, Gabriela ou até Benedita. Pouco importa. Sua áurea pede que a chamemos de Bia. Família, amigos, pretendentes, todos a chamam de Bia. Se um dia tiver filhos, será a mamãe Bia. E o Brasil inteiro, se um dia conhece-la, a chamará de Bia. Bia é daquelas mulheres que fazem parte do fechado e cada vez mais escasso time das interessantes. Quando a conheci, antes mesmo de me cumprimentar, veio ela falando, com os cabelos desajustados e uma face angelical: "Tenho uma caixa de ferramentas!" Nem sequer lhe beijei no rosto e já proferi: "É uma interessante!"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Pois bem. No início de minha insanidade diarréística, liguei para Bia. "Vem me ver?" E ela: "Vou!" Poderia só dar uma passada, de relance, assim como o Corisco. Poderia me ver melado de bosta, ter nojo e se despedir, sem sequer entrar. Mas não, a bela Bia não foi capaz de tamanha torpeza. Penso eu que certos romances nascem de uma chapa suja de gordura. Como sempre diz Paulo Silva Junior: "Ser romântico em Paris é fácil, quero ver ser romântico em Diadema!" E mesmo sem romance, eu e Bia, naquele instante, fomos de um afeto fundamental. Talvez esteja eu floreando um pouco. Digo que, de minha parte, absolutamente. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Bia me trouxe remédios e um Gatorade. Me dera uma dura por sair na rua e por fim me fez um carinho na cama. Alucinado com aquele carinho, arquejei: "Um beijo, um beijo!" E ela, com uma graça maquiavélica, levantou (não sei se falei, mas nesse período fiquei cinco dias sem fumar). Pois quando Bia fora pra sacada acender seu careta, eu a olhei e vi toda a verdade: -Um beijo ainda é e sempre será o grande acontecimento!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Que o sexo é um ato animal, quase feroz, todos sabemos. Mas o beijo, com toda a sua complexidade, merece um certo pudor. O sexo pode (e deve) ser rápido. O beijo não - o beijo pede a longevidade de um asilo. O beijo música do Racionais, de dez minutos, o beijo longa-metragem, de noventa minutos, o beijo novela, de seis meses, e por quê não? O beijo Simpsons, de mais de uma década. Bia seguiu degustando seu careta quando percebi outra verdade: como és bonita. Sua pele, com o frio, ganhava um brilho dosadamente prateado. Mas o que importava, de fato, não eram os traços irremediavelmente sedutores de seu rosto e corpo. A manchete de seu encanto, digo-lhes, era a ironia do seu fumar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Uns dirão que uma garota fumando é horrendo e vil. Estranho mesmo foi Rubens Paiva, em seu tratado sobre a garota paulistana, ignorar o cigarro feminino. "Não fuma a padronizada fêmea Paivaniana de nossa cidade?" Enfim. Se ela não fuma, Bia fuma. E como fuma "bonitinha". Segura o pigas como se equilibrasse uma granada em forma de cilindro fino, com medo de deixar ela cair e explodir. Contradizendo a delicadeza ao abrigar a caneta de nicotina em sua mão, solta a fumaça com uma braveza militar. A nuvem de gases chega ao teto ou se espalha no ar com uma rapidez atlética, tamanha impetuosidade de seu sopro pós-trago. Cuidou de mim, Bia, com uma ternura maior que qualquer rancor.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Denise Godinho, antes mesmo de parir o primeiro filho cinematográfico, já é um poço de espermatozóides documentários. A cada livro que lê, a cada história que houve, a cada cena que vê, pensa em documentário: "Isso dá filme!" Diz ela. Sua gana para a coisa anda tamanha que se Amir Labaki a ouvir, criará um "É Tudo Verdade" todinho e exclusivo para seu prosperar criativo. Semana passada, me veio com a história de um jovem casal da ditadura militar. Ficaram eles dois anos separados e me disse ela que mandavam cartas semanais, um para o outro, sempre com o aviso: "Espero que ainda esteja vivo/a! Eu te amo!" Dois anos de cartas e apenas cartas, nutrindo um amor, que os acompanhou até a morte. Era, reforço, um tempo de ditadura. Cada vez mais tenho a certeza de que só há amor possível com cartas ridículas. Os Correios estão em greve, e em meio a essa intempérie geral, as vezes eu penso: -Volta ditadura!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-7925164994067941665?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/7925164994067941665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/7925164994067941665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/10/sonhei-que-o-mundo-inteiro-estava-no.html' title='SONHEI QUE O MUNDO INTEIRO ESTAVA NO BANHEIRO COM A MESMA DIARRÉIA QUE A MINHA'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-4684101112343023877</id><published>2011-10-09T19:07:00.000-07:00</published><updated>2011-10-12T08:26:09.117-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='classe média brasil requeijão copo mulher namoro inveja feminismo cerqueira cesar'/><title type='text'>O REQUEIJÃO</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É, me resta admitir: as vezes sou um poço de teimosia. Mas antes que Marília Costa dê saltos de efusão e grite: "Confessou, confessou!", me defendo, com o escudo do meu ser - a teimosia é nada mais, nada menos que a defesa do meu espanto. Sim, eu me espanto. E muito. O espanto é, creio que já posso afirmar, a minha grande angústia e a minha salvação. Minha e de todos que ainda vêem um casal comemorar bodas de ouro e chora como um menino, por dentro e por fora. De todos aqueles que arregalam os olhos e tremem parados ao ouvir um simples palavrão vindo da boca de uma mulher (convenhamos que as mulheres deveriam falar mais palavrões, assim como deveriam gritar mais, enlouquecer mais - a sanidade é coisa de feministas). Mas, vejamos, não é isso o que importa e não é sobre isso que quero falar.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Estava eu num set de filmagem, rodando um comercial para um detergente de máquina de lavar roupas. Já se coça Paulo Silva Junior deitado em seu metafísico colchão no chão, relinchando: "Aff!" De fato, não é sonho e muito menos gozo para nenhum cineasta, filmar pilhas de louça suja. Porém, no Brasil com S que vivo, foram o molho de tomate reluzente e o shoyu sumptuoso que pagaram o aluguel desse mês. Desse, e do próximo. E talvez paguem o aluguel até o fim do ano. A publicidade anda garantindo o requeijão matinal da Cerqueira Cesar, sendo espalhado no pão como uma donzela medieval. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Citei o set publicitário pois na mesa do lanche, sempre capitaneada pela dama de aço da Controle Remoto Filmes, Marilia Costa, havia uma pilha de potes de requeijão. Havia pão de forma, havia pão frances, haviam frios, havia bolo, bolachas, havia suco, coca-cola, água, havia margarina (que sofreu de um desdenho calavar, sentindo-se só como um João Gilberto do dejejum) e havia uma pilha de safadinhos e saborosos potes de requeijão. Uma pilha, digo-lhes, ao mesmo tempo arquitetônica e ofensiva. Era requeijão para dar e vender, requeijão para o café da manhã de toda Cerqueira Cesar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Uns vão dizer que Marília Costa quis esbanjar a abundância dos orçamentos publicitários. Everton Oliveira, o coração de fotômetro, ou melhor, o moralista sem moral, já pensa: "Desnecessário! Marília tem que voltar pra Cream Cracker com Doriana antes que seja tarde demais!" Enquanto beija seu iPhone 4 como uma namoradinha adolescente, Oliveira balança a cabeça e lamenta. Como está errado o amigo fotógrafo. Sabemos todos que o brasileiro briga, diariamente, com a memória. Talvez não se lembre Everton de um fato que ocorreu num de nossos primeiros sets. Se não lembra, eu lhe recordo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Estávamos rodando algum videoclipe de baixo orçamento e na hora do lanche, novamente chefiado por Marília Costa, passamos por um daqueles traumas fundamentais. Esfomeados pela labuta desgastante, nosso único e fiel desejo era um sanduíche com requeijão e frios. Humildes de começo de carreira, nem mussarela de buffalo, nem peito de peru desejávamos. Um simples lanche recheado com uma fatia de presunto, uma de mussarela comum e uma lasca da branca de neve pastosa da família brasileira - o requeijão. Essa era nossa libido, nossa avidez, nossa sofreguidão. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Atacamos a mesa improvisada com uma porta e dois galões de lixo (não lembro, mas veio o sopro de lembrança de que nem dois galões tinham - era apenas um galão, fazendo a base para a porta que seguraria o alimento do set pobrezinho). Quando fomos (estávamos em mais de dez, quase vinte, sendo mais preciso) nos servir, percebemos que só havia um pote de requeijão. Aquilo nos pareceu algo sobrenatural. Não faltava pão, não faltavam frios, mas o requeijão era, ali, a nossa escassez maior que toda a fome do Nordeste (o Nordeste ainda passa fome?). Questionamos a dona Marília sobre onde estariam os outros, quem sabe, oito potes da iguaria albina e suculenta. Foi ai que, espantado, vimos Marília lacrimejar. Sim, nossa Olga Benário da produção platô quase chorou, ali, na frente de todos, como uma criança em seu primeiro dia de aula.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Ajoelhou-se pedindo perdão, o que plastificou ainda mais a cena. Dizia que não sobrara dinheiro para o requeijão, urrava que o preço do deleitoso acompanhamento estava nas alturas e que se comprasse mais um pote, não teríamos o presunto. Foi ai que, comovido, lembrei de minha infância. Todos que me lêem, imagino, tiveram infância. E permitam-me relembrar umas dessas frases prontas que permanecem cutucando a mente como um martelo Shakesperiano. "Tudo que acontece com o cabra até os seus seis anos de idade, permanece nele para todo o sempre!" A ornamental reflexão, sempre me confundo, pode ter vindo da boca de Jean Paul-Sartre ou de Black Alien. O que interessa, no caso, é sua verdade. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Cresci na classe C. Ela, a emergente e promissora classe C dos anos noventa, que cresceu economicamente na última década como o pênis de um adolescente. Quando eu tinha seis anos, meus pais se separaram. Fui morar com minha guerreira mãe (perdoem-me o sentimentalismo no petardo) e, nos primeiros anos, tatuamos na pele as dificuldades da vida. Enquanto trabalhava em nove escolas, dezesseis horas por dia, eu lhe acompanhava diária.mente numa odisséia urbana por colégios particulares da Pauliceia. E foi nessa época, pré-facebook, que o trauma do requeijão me afogou e me abraçou para além da adolescência e para além da vida adulta. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Hoje, ainda, estou no mercado e quando me aproximo da sessão de laticínios, me vem a ansiedade do requeijão. Era eu um arregalado menino, que passava por ele, e, entre nós, havia sempre uma distância oceânica. Aquele alimento era a África e eu o Japão. Certo dia, curioso por nunca tê-lo visto na cesta de minha mãe, lhe questionei: "Por quê não levamos aquilo pra passar no pão?" E ela despistava: "Manteiga é mais gostosa!" Quando eu insistia, me puxava pela mão com certa força e me fazia um carinho na cabeça: "Olha, chegando em casa eu lhe esquento um pão com manteiga derretida. Uma delícia!" E não me explicava o motivo exato. Quando mais velho, aos oito, eu já fazia as contas do fim de mês. Mais íntimo de preços e economias, voltei ao mercado e percebi tudo. O requeijão era, ali, a utopia do nosso banquete matutino. Com o valor do pote do ouro do paladar, fazíamos um almoço para três. Quiçá almoço e janta, tamanha destreza de Dona Eunice para alimentar seus dois filhos (comprava carne moída de segunda, minha mãe, e cozinhava a carne moída mais lírica que já experimentei).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Cresci comendo requeijão na casa dos amigos, dos tios, dos amigos dos pais, de alguns vizinhos e em festas (não sei ao certo se tinha requeijão nas festas, mas meu trauma alimentício profere certos vislumbres). Uma vez por mês, no dia do pagamento, as vezes eu encontrava aquele elegante e garrido pote de "Poços de Caldas" na geladeira. Com uma lentidão de missa, passava no pão o deleite e me lambuzava como um cãosinho vira-lata. A classe média de hoje não é a classe média de ontem. Definitivamente. Em 1994, o requeijão era o iPad 2 do povo. Em nosso tempo, quentinho, só não compra o requeijão de todo dia quem não quer. Há os que preferem a manteiga derretida, a geléia, o mel. Eu, em minha teimosia, tenho que levar ao menos um pote do leite condensado salgado. Nunca mais, no entanto, guardei o copo de vidro que o abriga. Em 1994, esto era um pecado original. Finado o requeijão, minha mãe lavava o copo e o guardava no armário. Eu abria este e via aquele troféu brilhoso e límpido, destacado dentre os demais. Seu brilho era marcante como o de uma taça de cristal.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-4684101112343023877?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/4684101112343023877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/4684101112343023877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/10/o-copo-de-requeijao-era-taca-de-cristal.html' title='O REQUEIJÃO'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-8744097481139862117</id><published>2011-09-26T01:25:00.000-07:00</published><updated>2011-09-26T00:26:05.195-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bruno graziano crônica facebook twitter internet redes sociais'/><title type='text'>RUBENS PAIVA É O MC CATRA DA CRÔNICA E O RETORNO DE MILTON LEAL</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'trebuchet ms';"&gt;Eu poderia classificar essa onda nova como o "hedonismo niilista". Só não o faço pois desconfio que alguém já tenha feito. Nos Charms da vida, e sua Grécia antiga pulsante, nos ônibus enfileirados em corredores, lotados de mentes endiabradas, nas USPs e PUCs mil, nas redações que ainda permanecem como redações, nos encontros literários em cidades históricas, nas mentes pensantes de possíveis notáveis, nos vasos sanitários ou até mesmo na cama, e seu gozo diário, alguém já deve ter gritado, já deve ter urrado o "hedonismo niilista"!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Quem ainda não o conhece e, pior, o ignora, é Rubens Paiva. Escreveu, pouco tempo atrás, sobre a mulher paulistana. Ou melhor, escreveu sobre a garota paulistana. Melhor ainda, sobre as duas. Elas se misturam, cada vez mais, assim como o homem-menino também é a espécie dominante. No último petardo eu me despi de todo e qualquer pudor. Deixei nuas, igualmente, duas mulheres que sabem sorrir, que sabem chorar. Tentei lhes dar uma face, desmascarada, desnuda. Nisso, todos tem a obrigação de reparar: não há espaço, aqui, para o sentimentalismo da carta, do galanteio. Diferente de Rubens Paiva, fui um frio, um frigorífico de toques e adjetivos. É capaz que tenha eu cavado minha própria cova, meu próprio túmulo. A literatura barata me estufou o peito de coragem e me fez enfrentar o grande medo da exposição.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Digo isso pois a internet é o niilismo. Nessa terra sem paredes, com janelas flutuantes em redes sociais, cada um tem sua máscara, cada um tem seu personagem. Paulo Silva Junior já me passa a bola: "Andamos nos perdendo no personagem!" Sim, claro, andamos. Quando o personagem é desfigurado, temos a indigesta e encruada constatação: o mundo real é a emoção. Esta é a luta de MMA do ser humano: a internet niilista versus o mundo real emocionante. As duas mulheres que protagonizaram o último petardo são muito mais que os milhares de toques descritos por este risível espantado (confesso que me dá uma vergonha e um orgulho, juntos, quando me espanto com certos fatos reais). São, como terei que clichezar, maiores que qualquer banda larga. Talvez não tenham entendido o tom que precisei usar. Paciência. As palavras saíram como uma pedra no rim: -Estou curado! Estou curado!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Acordo com uma sensação estranha. Foi como se a cura não tivesse vindo completa. Tremulo feito um zumbi, abri o e-mail. Estava lá, curta e grossa, a manchete: "Terça estou de volta!" Eu li, reli, li, reli e li mais umas nove vezes. Era aquilo mesmo - Milton Leal avisava: "Terça estou de volta!" Eu cobiçava que aquilo fosse mentira. Veio em minha mente, como um gorfo cerebral, a terrível e ignóbil talante: -Não queria a volta de Milton Leal! &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Antes que me liguem os mais apavorados, gritando do outro lado: "Brigaram?" Digo que não, definitivamente não. Entre eu e Milton Leal há a impossibilidade da briga. Somos de uma relação bíblica, quase angelical. Se um dia o amoroso expansivo me encher a cara de porrada, se depois ainda cuspir nos meus olhos e pisar em minha cabeça, no meio fio da Augusta, eu me limitarei a agradecer sua cacetada. Levantarei, não antes da permissão, e lhe beijarei os pés, como um eminente flagelado. Espero, do fundo do coração, que o amigo faça o mesmo, caso seja eu o espancador. Pois bem. Minha ojeriza pela volta do único jornalista vivo daqui uns cem anos tem um motivo claro e límpido: a Cerqueira Cesar está mudada.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Antes, a Haddock Lobo já queria ser a Augusta e vice-e-versa. É outra mudança que estou a frisar. Não sei se sabem, mas recentemente fui pra Argentina. Me acompanharam Luciano Costa, o literário bebasso, e Fabio Castello, o Picasso da cebola roxa. Curiosamente, nós três, assim como os mosqueteiros, não temos Facebook (foi só um adendo). Quatro dias e quatro noites em Buenos Aires me fizeram ver a Cerqueira Cesar com outros olhos. Não só o querido bairro, como também toda a Pauliceia e todo o Brasil. Quando pisei de volta na terrinha, arrepiado, ajoelhei no chão do aeroporto e urrei, para todo o mundo ouvir: -Sou um ex-brasileiro!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Sim, trata-se de uma acusação grave. Mas não há advogados, psicólogos ou familiares que me façam voltar atrás. Repito: -Sou um ex-brasileiro. Andávamos pela Avenida 9 de Julho, com bombojacos de couro, óculos Tay Ban e chapéus Panamá, sussurrando para os hermanos: -Vocês que são felizes! E para nossa surpresa, a resposta era unânime: "A felicidade é o Brasil!" Insistíamos: -Suas mulheres são inteligentes e lindas! E eles, já enfezados: "As mulheres brasileiras é que sabem beijar!" Paramos e fizemos toda a cidade ouvir: -Sua arquitetura é linda como um seio! E já partindo para a briga, os argentinos da velha cidade botaram o dedo em nossa cara: "A Faria Lima é que é uma avenida foda!" Achamos todo aquele povo maluco da cabeça e fomos ao mercado comprar uma Quilmes de litro ao preço de um Trident, e ficamos "borrachos", antes que a insanidade estrangeira nos tomasse.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Milton Leal, que viajou meio-mundo (literalmente), é ex-brasileiro de carteirinha, de fã clube, de sindicato. Mas isso é o que eu estou dizendo. Seu discurso de volta, já programado, é de um cinismo ao mesmo tempo sublime e heteróclito: "Meu lugar é a redação! Não vivo sem a redação!" Certamente ouve um tempo em que todo jornalista, se não amasse, respeitava uma redação. Hoje, o que vejo, são redes sociais, somente. Mas Milton Leal desistiu do resto do mundo pelas dozes horas digitando e pelo cafezinho da redação. A adrenalina da manchete lhe tomou o peito, em pleno Iraque, e o fez retornar ao seu desígnio, ao seu fado. "Mas sua redação não era o mundo, Bokka?" Perguntam as Bokketes, suas fãs endiabradas. Eu pego o microfone e antecipo: "A solução do Brasil são os ex-brasileiros!" &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Temos condições, todos, de viajar para fora. Sem exceção. A classe C, hoje, se esbalda com o requeijão no pão francês (a dez anos atrás, nós, da classe C, choravávamos de emoção com a presença do requeijão na mesa). O Brasil de Lula é o aeroporto. E no primeiro passo fora do Brasil, somos vira-latas de nacionalidade. Sentimos vergonha do subdesenvolvimento brasileiro. Olhamos ao redor da paisagem virgem e comparamos com nosso quintal. Tudo, lá fora, é novo. descobrimos que não somos nada, não somos ninguém. Fora do Brasil, em nossa descoberta da ex-brasilidade, temos, ironicamente, a nossa salvação. Haverá um dia que todos sairemos do Brasil, e por uma simples questão matemática, os gringos habitarão nossas casas, mergulharão em nossos mares, cantarão nosso samba e farão a nossa nação. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;O lance é que como Milton Leal, nenhum brasileiro vive sem o Brasil. Se viver, não é brasileiro (um ex-brasileiro é diferente de um não-brasileiro). E nessa volta é que temos a chance de fazer o novo Brasil. No caso de Milton Leal o novo Brasil é a velha redação. No meu caso, confesso, é o velho set de filmagem. A presença de um amigo é uma Quilmes de litro. Milton Leal retornará estupidamente gelado, servindo as canecas dos que aqui lhe esperam, ansiosos. É capaz, até, que na velha redação de Milton, Paulo Silva Junior funde o novo jornalismo e Luciano Costa escreva seu livro em um dia (cinco mil toques em três minutos é o recorde do escritor). Rubens Paiva, antes que eu me esqueça, tem a unanimidade das leitoras. A única - e por isso a mais plástica - que desdenhou de sua crônica, foi Marília Costa, a morena de Jorge Ben: "Uma merda!" Disse ela sobre. Foi só agora que me toquei do grande acontecimento da volta do amoroso expansivo: revira-se no caixão, ainda vivo, o Catorze Dezenove. "Que venha!" Que venha!"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-8744097481139862117?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/8744097481139862117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/8744097481139862117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/08/rubens-paiva-e-o-mc-catra-da-cronica-e.html' title='RUBENS PAIVA É O MC CATRA DA CRÔNICA E O RETORNO DE MILTON LEAL'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-8212368120173195330</id><published>2011-09-23T09:58:00.000-07:00</published><updated>2011-09-24T12:31:45.541-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bruno graziano poesia amor paixão desilusão perda fim namoro casamento'/><title type='text'>SEU DOIDO E SUAS DUAS MALUCAS</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;O que eu quero dizer já desde o início é: quem quer duas não tem nenhuma. Sim, trata-se de uma obviedade, de um termo batido como a carne na tábua do açougue (e como é sensual a palavra açougue - certas palavras são tão sexys que amenizam qualquer significado maléfico, qualquer horrenda definição - niilismo, por exemplo - remete a algo como o charmoso Rockabilly de outrora). Pois bem, vamos ao que interessa. As duas mulheres. Dirá alguém, já inquieto e açoitando outra aba de seu navegador de internet: "De onde?" Na lata, lhe corto: "São Paulo!" Faço um adendo: "Vieram da praia, mas são, hoje, acima de qualquer areia, musas de concreto e vigas!" E me jogam na parede, sem qualquer pena ou compaixão. Falo dos leitores. Ou não. Ouço: "São as paulistanas do Rubens Paiva?" Entorno a cabeça balançando-na: "Talvez, talvez!"&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Como é mesmo o nome da crônica? "A Garota de São Paulo"? Não. Acho que é: "A gaiola de São Paulo". Também não. A crônica do aclamado escritor menstruou redes sociais em sua cama de fêmeas jornalistas, médicas, advogadas, secretárias, gerentes, diretoras, psicólogas, veterinárias, nutricionistas e todas as outras profissões. Eis o grave problema que ninguém viu - a mulher paulistana de Rubens Paiva não tem cara e muito menos expressão. A mulher paulistana (garota, acho que é garota e não mulher, talvez seja essa a explicação) de Rubens Paiva não sorri e muito menos chora. "Mas ele diz que chora!" Me cospe alguma de suas defensoras vorazes (Paiva e Xico Sá, sozinhos, tem mais admiradoras reais que o CQC inteiro). Sim, diz, mas eu também digo: a mulher de Rubens Paiva não é capaz de sorrir, não é capaz de chorar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;"A Garota Sem São Paulo!" lembro agora que era este o nome da crônica. Minto. Era: "A Garota e o Seu Paulo!" Não me recordo. Estou confuso. Vamos em frente, então. Escreveu nessa crônica o seguinte comprometimento literário: "Metade dela sofre o descarte para a outra parte florescer." Fora isso, foi citando, como se descartasse cartas no Poker, as características mundanas e rotineiras da mulher paulistana. Resumiu ele que a mulher paulistana faz dieta, que odeia e ama o chefe, que odeia galanteios e adora presentes (percebam a gravidade dessa), que não rebola, que cai na rua, que sabe o equilíbrio entre o moderno e o convencional (seja lá o que esse cinismo quer dizer), que desgosta do leite integral, que recicla o lixo, que quer chefiar garotos de dia e chorar ouvindo Billi Holiday a noite. Entre outras. Porém, a que mais me fascinou, a que me fez reler o texto, foi a cintilante definição: "Metade dela sofre o descarte para a outra parte florescer."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Certas frases fazem um texto. Isso ninguém discute. No caso do "A Garota ex de São Paulo", de Rubens Paiva, uma frase ainda não consegue dar cara a protagonista tão exprimida. Vejam vocês que vivem aqui, com o sangue pulsando, duas mulheres ao mesmo tempo distintas e próximas. Nunca se viram, nunca se tocaram, nunca se olharam.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Uma tem seu lar na Penha, a outra em Higienópolis. E nessa longínqua habitação, ora ou outra a primeira se confunde com uma de Higienópolis e a segunda com uma da Penha. Pois houve uma vez, nessa cidade, que a outra se apaixonou e recebeu em troca a paixão. A uma, branda, amou e foi amada. As duas são bipolares como o clima do Anhangabau. O lance é que uma dorme de mal-humor e acorda disposta a correr sua maratona de labuta. A outra, no caso, dorme rindo até das piores piadas e acorda angustiada com a improbabilidade que sua manhã aflorará.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;As duas gostam de rock. A uma de indie, a outra de punk. As duas pegam ônibus, metrô, lotação, trem. Mas só uma delas pega taxi. São especialistas na ardilosa arte do encanto, do jogo, mas nunca admitem jogar. Uma idolatra moda, e cobiça todas as grifes que lhe cerca. Esta uma, no entanto, guarda seu refinamento apenas para ocasiões especiais. No dia-a-dia é plebe, no fim de semana é realeza. A outra desdenha de vitrines e marcas. E nesse falso-desinteresse, não passa um dia sem sair na rua hipnotizando olhares com seu bom gosto do vestuário. Uma não mostra as pernas nem no calor mais desértico. A outra coloca três blusas mas não dispensa o shorts curtíssimo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;As duas amam bichos, mas só uma ama eles mais que gente. As duas tem cachorros, mas só uma tem uma gata. As duas tem os pais distantes, mas uma delas o vê com frequência. Independente da relação, as duas os adoram. Um dos pais não procura a filha - os dois são alcoólatras. Suas mães são seus momentos inesquecíveis, seu momentos eternos, seus momentos fundamentais. Uma trabalha muito, a outra não. A outra não gosta de trabalhar, já a uma adora. Talvez a que diz não gostar goste mis que a outra, e vice-e-versa. Ambas vendem a capacidade de tocarem suas vidas sozinhas. Uma se entrega na cama com os braços abertos como se fosse a mais indefesa de toda a espécie, e permite ser beijada, nos arredores dos lábios carnudos e rosas. Ledo engano. Urra um: "Estou apaixonada, mas seguirei sozinha!" e empurra o macho para fora, com uma força romana. A outra, não se entrega nem com a mais forte lembrança na mente, no coração. Male male é jogada na parede e forçada a sentir o sentimento no ato boçal. Ela fecha os olhos com uma embriaguez entre "ser fraca" e "ser forte", faz um biquinho com os lábios roxos e urra: "Te amo, mas seguirei sozinha!" e abre o pescoço para o beijo reconfortante. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Ambas adoram massagens. Uma no pé, a outra nas costelas. A outra ataca um bife de carne com a veracidade de um caminhoneiro, a uma é vegetariana e o troca por tomates e hambúrguer de shitaque. Uma sabe cozinhar, e faz questão de servir o café da manhã, sempre doce, para o homem que na noite anterior lhe dominou. A outra nem sequer acende um fogão, prefere ser servida pelo homem no mesmo café da manhã, mas faz questão de lhe servir na boca tudo que lhe foi preparado. As duas tem o sorriso mais belo quando sorriem sem um teor premeditado, sem um teor pré-produzido. Ambas forçam uma face brava e de ódio. Uma gosta de comédias bizarras, a outra de suspense com sustos. Ambas citam, ao final da sessão, se presta ou não a trilha sonora.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;As duas são escapistas, e já caíram da escada na noite. Estrambelhadas, preguiçosas quando deitadas e recebendo carinho, na hora da organização do cronograma recebem o Xico Xavier do pragmatismo. Uma gosta de ligar, a outra de mandar mensagens. Ambas querem o contato diário, efusivo, intenso. Uma casaria com o Elvis, a outra com o Bono. Alcoólatras - e muito. Não dispensam uma cerveja. Ou se dispensarem, uma sugere vinho, a outra whisky. Uma fala espanhol, a outra inglês. Ambas saíram do Brasil pela primeira vez com o rumo hermano de Buenos Aires. Uma lê pouco e escreve muito, a outra escreve pouco e lê muito. Ambas se deliciam com Bukowski. Uma expõe a própria depressão, sem medo, e ignora a felicidade efusiva. A outra esconde mentirosamente toda e qualquer melancolia dos outros e mancheta sua alegria como uma capa de jornal. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;As duas falam a todo momento de como gostam dos amigos de seu algoz enamorado. E repetem, insistentes e cruéis: "Fico longe de você, mas não dos seu amigos!" As duas tem amigas que as apóiam na relação, numa mesma proporção que ouvem conselhos das mesmas "Ele não serve pra você!" Ambas tem cicatrizes da infância. Ambas eram molecas. Ambas tem muitos amigos homens. Uma prefere balada, a outra bar (desculpem o tom blogueiro por todo o texto). As duas tem o pé gelado. Uma tem a mão quente, a outra não. Cada uma tem os membros contrariamente magros e corpulentos. Ambas são gostosas e tem a pele sedosa como um bolso de seda. Uma discute gritando, a outra sussurra braveza. Ambas são adoradas pelos amigos do algoz enamorado, mas uns preferem uma e outros preferem outra. Uma gosta de Tim Burton, a outra prefere documentários. Uma dá voadoras ao ar, a outra socos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Ambas tem o mesmo anti-cúpido, Taka aqui, Taka por lá. Uma recebe um elogio e sorri discreta, a outra gargalha. Ambas odeiam o primeiro namorado. Ambas tem o sonho latente de caser e viver junto com um único homem, para todo o sempre. Nenhuma sabe como agir diante do próprio âmago. Ambas não dispensam uma prosa e um careta na sacada. Ambas bebem muita água para não acordarem de ressaca. Ambas se entregaram ao Engov para seguirem bem dispostas, acima de qualquer outra entrega. Uma fuma Malrboro Light, a outra gosta do Lucky Strike que faz "ploc". As duas acordam cedo. As duas dormem tarde. Uma tem hálito de menta, a outra odeia menta e tem hálito de cereja. Ambas urinam refletindo sobre a vida, com a porta aberta. Uma faz make up, a outra produz. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Ambas são interessantes, autênticas e fazem questão, no início, de frisarem seus defeitos. No fim, fazem uma questão maior ainda de ostentar suas qualidades. Ambas não hesitam em aceitar um jantar japonês. Uma apressa o passo quando chega perto do algoz enamorado e cai em seus braços como se aquilo fosse sua única vontade, sua única pujança. A outra desacelera o passo quando o vê, mas cai em seus braços do mesmo jeito, com a mesma pujança. Uma ilude-se com a vida em Londres, e a outra também. Uma, porém, prefere Amsterdã e a outra prefere Nova York. Ambas acham as frases de Nelson Rodrigues um exagero. Ambas já namoraram músicos. Uma prefere beber de pé, a outra sentada. As duas escolhem o Athenas, se o início da noite for na Augusta. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Ambas gostam por cima. Talvez seja mesmo verdade o que Rubens Paiva escreveu. Elas gostam dos interessantes, e escolhem o homem que quiserem para estar ao seu lado. Nessa escolha, as vezes (ou sempre), esquecem de ouvir o coração. Talvez tenha uma cara, sim, a garota paulistana. Mas não uma cara, comum, natural. Uma máscara, eu diria. Num tempo de anti-mulheres, elas ainda demonstram uma fortaleza para a mudança brusca. Mas não deixam de desfrutar dos novos tempos. Do pudor do hedonismo. Uma pode ser a mulher da vida, a outra o grande amor. Por escolhas próprias, não serão nem uma, nem outra. Não querem, no momento, o grande amor, a grande paixão. A garota paulistana de Rubens Paiva é, como Jorge Maia me disse dia desses: "O novo escravo!" Carregam as humilhações de um século de mulher. O feminismo as feriu, no corpo e na alma. "O namoro é uma instituição falida!" resmungou o doce niilista, em seguida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Imaginem a cena - um rapaz e seu romantismo ultrapassado, com um revolver na cabeça, segurado por alguma feminista com o diabo no corpo. A frente do rapaz, as duas garotas. Uma, loira de topete com olhar de musa francesa, linda como uma pera e a delicadeza irônica de um casaco de couro. Outra, morena dos cachos lisos e emoldurantes com o olhar fixante de uma musa italiana, bela como uma amora e a gesticulação plástica de uma máquina de escrever de redação. Para o rapaz, uma única instrução. Ou atira, ou morre. "Mas terá que atirar em apenas uma cabeça, em apenas uma beleza!" sussurra em seu ouvido, a feminista. Ele olha para as duas, com uma ternura feroz. Tenta olhar para trás, mas a feminista lhe cutuca a nuca com o revólver. Pensa por cinco minutos, enquanto sente os aromas que lhe perseguem. Entorna a pistola para a própria testa e atira, sem mais, nem menos. Morre feliz, apaixonado e amando. Fugira de seu maior medo - a morte solitária, o apodrecimento só.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-8212368120173195330?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/8212368120173195330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/8212368120173195330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/09/seu-doido-e-suas-duas-malucas.html' title='SEU DOIDO E SUAS DUAS MALUCAS'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-2835081674284366602</id><published>2011-09-22T14:06:00.000-07:00</published><updated>2011-09-23T12:33:32.381-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='internet videoclipe clipe orçamento paulinho caruso revista offline coluna crônica'/><title type='text'>UM VIDEOCLIPE FRITO COM A GEMA RELUZENTE, POR FAVOR</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'trebuchet ms';"&gt;"Antigamente, te davam quinhentos mil reais e você fazia um videoclipe com a estrutura de um longa-metragem. Hoje, te dão no máximo trinta mil e querem o melhor clipe da história!" Essa frase, se não me engano, escapou da boca de Paulinho Caruso, cria de cinema da FAAP e um dos notáveis no universo videoclipeiro recente (diretor de pérolas indies como "Corina", do Garotas Suecas e o sufocante "Some Way Trough This", do Black Ghost). Ou, se não veio assim, completinha, confesso que floreei seu raciocínio. O que interessa é a verdade - a internet é a várzea. Digo isso com uma convicção Lulística. Duas décadas finadas atrás, a estréia de um clipe parava uma nação, musicando lares no horário nobre. Hoje, para atingir a mesma multidão de olhos arregalados, numa estréia, o clipe depende de algum olheiro, de alguma manada em sintonia espalhando links em redes sociais como panfletos de compradores de ouro. A várzea é o charme, mas ninguém fica nela diante das ardilosas chances do profissional.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Digo isso e já ouço urros de cornetagem: "A internet é a libertação!" Realmente, num sopro de hedonismo, hoje uma banda ou um diretor não dependem só dos esquemas televisivos para grassarem um videoclipe ao status de pop, de cult, de sucesso mimimi. Lambo os beiços da satisfação ao afirmar, aqui, que dirigi os três primeiros clipes do Restart (dois deles junto com Bruno Dias e sempre amparados pelo ávido coletivo Controle Remoto Filmes). Somados no youtube, mais de cinqüenta milhões de visualizações. Repito - cinqüenta milhões. De certo, em 2010, foi a banda que mais teve a atenção da internet em terras tupiniquins. Nosso omelete colorido estufou uma manada jovem, causou revertério na inquisição do imediato e, no todo, deu o que falar no pós-refeição.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;O que eu queria dizer é: o ovo é o videoclipe da gastronomia. Ou, se preferirem: o videoclipe é o ovo do audiovisual. Profiro isso pois um bom chef faz babar o mais assaz crítico gastronômico com um reles omelete. E, também, uma dona de casa daquelas pândegas como um urso polar, mata a fome de uma alcatéia inteira de pitucos e pitucas apenas com ovos fritos, mexidos e cozidos. Um único e solitário ovo, e seus centavos de custo, pode se tornar com alguma proeza uma obra-prima alimentar. Com o videoclipe é igual. Em tempos de escassez orçamentaria para traduzir uma música em vídeo, vale o tino do cineasta realizador pro fogo na temperatura certa, pro sal na medica correta, pra batida recorrente com a colher de pau. A publicidade se adéqua a internet aos trancos e barrancos - mas se adéqua, o cinema brazuca cresce como o pênis de um adolescente, e só o videoclipe convive, hoje, com a carência dos grandes montantes de produção. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;A conseqüência é clara é profética - temos duas mãos de chefs videoclipeiros (e limito o raciocínio à nosso Brasil com S). Os virtuosos, que fritam seus clipes com a gema amarela reluzente e saborosa, e os chapeiros oportunistas, que queimam a clara toda vez que se aventuram numa frigideira (afinal, qualquer um pode fritar um ovo). Há muitos fazendo milagres, sobretudo bandas que servem os próprios "Ovos à Escoffier" - os excelentes Ecos Falsos, Sabonetes, Santa Maria da Feira e Hidrocor, por exemplo. Está cada vez mas comum vermos no crédito do diretor o mesmo nome de um dos integrantes da banda. É o extremo que vale da preguiçosa geração 5D, que filma qualquer coisa com trocas de foco e lança no youtube, galgando a não eternização do conteúdo (sou ultrapassado, almejo o eterno). Confesso que subiu-me a fome de um belo ovo mexido, ao mesmo tempo que me domina uma ânsia de cantar "ação" sem som direto. Apenas sobe o playback que vamos rodar!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="  font-weight: bold; line-height: 20px; font-family:Trebuchet, 'Trebuchet MS', Arial, sans-serif;font-size:12px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Indicação de videoclipe "omelete de primeira", feito por ex-universitários:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Banho de Bucha - Garotas Suecas (Dir: Arthur Warren e Suza)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Trebuchet, 'Trebuchet MS', Arial, sans-serif; line-height: 26px; font-size: 12px; "&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small; "&gt;(Publicado na coluna de cinema da Revista Offline, edição de Setembro de 2011)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-2835081674284366602?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/2835081674284366602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/2835081674284366602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/08/um-videoclipe-frito-com-gema-reluzente.html' title='UM VIDEOCLIPE FRITO COM A GEMA RELUZENTE, POR FAVOR'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-881914971103670741</id><published>2011-09-09T17:26:00.000-07:00</published><updated>2011-09-10T09:47:40.380-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='facebook rua crônica bruno graziano paulo silva junior olhar mundo virtual real crônica'/><title type='text'>DE VOLTA AS ESQUINAS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:Georgia, serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Deletei o Facebook. Na quarta-feira finada (mas que ainda exala odores de reflexão), estávamos justamente numa esquina, mamando copos americanos de cevada, quando proferi a vontade já de semanas: "Vou deletar o Facebook!" E os presentes na mesa riram sem acreditar. Sim, desdenharam de minha promessa ali ao mesmo tempo seríssima e vil. Fui, acendendo um cigarro, de uma falta de credibilidade colossal. Me questionaram o - "Por quê"? E fui sumário: "Quero votar as esquinas!" Diego Costa estava na mesa e me recordou de que mesmo mantendo um perfil na aclamada rede social, eu estava ali, vivo e pimpão, numa esquina. Tive que moldar um réplica abrupta, para não perder o ritmo - e confesso que não sei se fui claro e muito menos tive o âmago da efusão: "Estou aqui sem estar." (notem a falta da exclamação).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Sigo passando a manteiga estilística no petardo que se segue (e que aguarda uma surpresa caipira aos que tiverem paciência). Falando em caipira, me veio a mente Paulo Silva Junior. Antes, reporto aqui o que Luciano Costa pensa agora sobre o possível notável: "É um poço de ideologias extravagantes imbebíveis como um conhaque com leite!" Esse é o atual e perene Paulo - um conhaque com leite. Tens a brutalidade do conhaque amaciado com a leveza do leite. Contudo, ninguém o bebe. Servem aos filhos, algumas donas de casa, leite com manga, e brindam com os pais um conhaque com limão, alguns rapazes, mas não há família ou vagabundo que desfrute de uma jarra saborosa de conhaque com leite. Cabe ao provável fundador do novo jornalismo, então, escolher a metade da mistura - ou vira conhaque ou vira leite.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Se fuçarem pelos textos antigos, irão relembrar a grande promessa: "Vou abolir o e-mail da redação!" Pasmem! Paulo não permitirá, nem para um simples "Oi!", o e-mail como forma de comunicação. Essa é a atitude do amigo que sonho, em meu sono ideológico, ainda esse ano (quem sabe ainda esse mês). Disse que deletei o Facebook para retornar às esquinas e explico o porquê. Para ilustrar a paranóia que me seduz, conto que recentemente vi uma amiga de tempos. Fomos beber e em cinco minutos de conversa eu já pendia para um tédio corrosivo, para não dizer chocarreiro. A culpa, porém, não era da amiga e sim minha. Nos anos que nos separaram, eu acompanhei sua vida com uma rigorosa avidez. Tudo que falava, tudo que postava, cada foto que subia, estava lá eu e minha obsessão voyeurística anotando tudo, investigando cada linha, cada suspiro virtual. Eis que a amiga, que entra no cada vez mais raro quadro feminino das "interessantes", não teve a mesma indelicadeza. Pode pesar o fato de eu não ser o mesmo "interessante" que ela, mas o que importa é que de mim ela nada sabia. E quando comecei a falar, numa sorrateira inspiração, ela enchia os olhos de espanto. Eu fui, naquela noite, o próprio entretenimento.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Mas, na hora de externar minha urina botequeira, mergulhei numa melancolia cortante. Gritava mudo para mim mesmo: "Invejo esse espanto! E muito mais alegre é quem se entretêm." Pois bem. Passaram algumas horas e já no fim da noite eu ouvia da amiga o que ela não postou nem no Facebook, nem no Twitter, nem nos e-mails e muito menos em Blogs. Era o olho no olho de babaquices e nostalgias baratas mais valiosas que toda a internet. Éramos, ali, Pedros Álvares Cabrales um do outro. Descobri o seu "Quinto dos Infernos" e ela pisou no meu Brasil. Queria eu, porém, não saber nada da amiga, nesses tantos anos que se passaram. Como mudou a moçoila, para o bem e para o mau, e como são pitorescos os reencontros sem qualquer pista, sem qualquer antecipação.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Quem ainda está me lendo, não concorda que somos jovens que poderíamos usar uma camiseta com os seguintes dizeres: "O pudor do hedonismo!" (agora sim defendo a exclamação)? Nunca pulei de um bonde nos anos trinta e muito menos desfilei numa calçada larga de ternos do século dezenove, mas admito que ando usando um Blaser na Cerqueira Cesar moderninha do século vinte e um (de Blaser, qualquer idiota vira doutor). Eis que falava do "pudor do hedonismo." Esperem. Não, é isso mesmo - somos jovens doentes com o "pudor do hedonismo". Digo isso e me esforço para clarear a afirmação, mesmo sendo óbvia. Ouço muito por aí: "Tenha calma, vamos dar tempo ao tempo, aproveitar a vida!" ou até: "Agora não é a hora. Vamos aproveitar a vida!"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Tudo, no jovem, hoje, é "aproveitar a vida". -Mas aproveitar como? Questiono eu, ilhado e solitário numa coletiva do sentido da vida. Sou, nesse momento, o repórter de rádio, o câmera, a repórter de Moleskine (como é sexy o Moleskine, percebamos), a bancada, o entrevistado e a senhora que serve o cafezinho. Minto. O entrevistado é Paulo Silva Junior, de Blaser beje chocolate branco e sapatos Di Poliini Majore. Sentado com os cotovelos apoiados e um ar Miricyano, Felipônico, o ex-caipira de Galway responderá a pergunta que não quer calar: "Afinal, o que é, substancialmente, o pudor do hedonismo?" Pausa para os comerciais. A amiga, ainda no bar, me respondeu o que lhe obriguei a dizer: "Mudei muito?" E ela, fumando um cigarro de palha, piscou com apenas um dos olhos e proferiu: "Ninguém se torna nada, só demonstra o que sempre foi!" (acho que a amiga surrupiou a frase de Jean-Paul Sartre ou talvez de Black Alien). Voltamos a coletiva. Com vocês, Paulo Silva Junior:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Cinco minutos de silêncio e nada. A cadeira segue vazia como um coração paulistano. Ouve-se do fundo: "O caipira arregou?" Eis que entra no palquinho a assessora de imprensa: "Cancelado!" - Um outro perguntou: "Não veio?" - E ela: "Não veio!" Os jornalistas presentes poderiam, num piscar e olhos, vazar para a redação e publicar a pobre manchete: "Paulo Silva Junior falta a coletiva da vida!" Preferiram ainda insistir no motivo da falta: "Doente?" E a assessora, já impaciente, sussurrou alto: "Está no facebook!"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Vá lá, uns poderiam se enfezar com o desdenho do caipira e questionar: "E o respeito?" Pois o que vimos foi a frívola e prostrada reação: "Falo com ele por DM!" Em menos de dez minutos só havia a tia da limpeza na sala. Percebam o embasbacante: Paulo está prestes a abolir, como um Gaddafi do correio eletrônico, o e-mail da redação, mas trocou, sem mais nem menos, a coletiva pelo facebook. "Vai entender?" se retraem suas fãs (e são muitas). Uma delas, vejam só, confessou para mim que o possível notável só usa o facebook para desfrutar de seu chat. Com mensagens como: "E ai gata!" e "Fez o que hoje?", temos uma renca diária de tentativas mil. A mesma fã, já inspirada em sua fofoquice, delatou a máxima: "Paulo sabe usar a ferramenta como ninguém!" - o chat é a ferramenta, o facebook é a ferramenta, e a ferramenta é usada de várias maneiras. Temos, então, um Paulo Silva Junior "faz tudo" (marceneiro, pintor, carpinteiro, mecânico e eletricista). O facebook é sua caixa de ferramentas e sem sua caixa de ferramentas ele não é nada, não é ninguém. Eu que pensava que o prezado jornalista seria capaz de levantar uma casa com apenas uma mão e algumas palavras, algumas crônicas, algumas manchetes e algumas laudas. Ledo engano - Paulo Silva Junior é um "faz tudo" que depende de sua caixa de ferramentas. As fãs me lêem e perdem certa admiração. Ou nem tanto. Ou sim. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Para elas, entrego que a culpa não é de Paulo, mas sim do "pudor do hedonismo". Ontem mesmo, estava eu no Charm, onde toda a Grécia antiga da Cerqueira Cesar se reúne para beber cerveja e fumar em pé. Além disso, fazem "filosofia de bar". A mais abafadiça e performática "filosofia de bar" de toda a Pauliceia. Lá, aguardava no balcão com uma serene distração quando ouvi a frase: "Estou cansada de ser mulher!"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Parei qualquer ação, amaldiçoei qualquer compromisso e me tornei a estátua de Afrodite vouyer daquele diálogo. Era a típica indie auto-suficiente - botas, panturrilhas torneadas, cabeça baixa, ar de cansaço, pompa sexy, penteado sexy, maquiagem sexy, fala acelerada - sim, era a fêmea paulistana do Rubens Paiva e toda sua incongruente situação. Queixava-se, desiludida, da pressão que sofria. "Não preciso mais de homens!" era sua pauta, seu leed. E nessa confissão maior da noite, demonstrava um arrependimento secular do feminismo que tudo lhe proporcionou. Luciano Costa, o literário bebasso, dirá que "o feminismo é o câncer do século 21". Talvez esteja certo o jornalista. Ninguém mais culpada pelo trágico "o homem é menos homem e a mulher é menos mulher" que o feminismo. Hoje a mulher encontra dificuldades até para seduzir, até para ser conquistada. Mas Rubens Paiva, e seus interesses cronistas, eleva a anti-mulher ao ápice do encanto, do belo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Vão urrar alguns que eu sou um rabugento de marca maior. Talvez, talvez. O que quero de fato engessar aqui é algo como: "As interessantes estão longe do Facebook!" Sim, uma simples postagem, uma simples foto, um simples curtir, deixam o sexo feminino com o desinteresse de um horário político. Volto a Paulo Silva Junior. Não é à toa que o chamo de "o possível notável". Enquanto foge da sina de ser o Matarazzo do novo jornalismo, o caipira ora ou outra desmancha toda uma certeza. "A ex-mulher é o Marcos!" sapateou, dia desses.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Dei lhe um soco no peito: -Por quê? E ele, antipaticamente, se limitou a repetir: "A ex-mulher é o Marcos!" Lembrei-no de que o legendário Marcos, goleiro do Palmeiras, é um ídolo, recusara uma proposta do exterior, permanecera no time pós-descida para a série B, joga a mais de uma década no mesmo time, briga pelo bem estar do clube, teve partidas homéricas, levou alguns dos títulos marcantes da história, mas também se machucou por repetidas vezes e muitas vezes não pode comparecer a campo por estas lesões. Foi com uma tediosa resposta que ele me cortou: "A ex-mulher é o Marcos!" Nos despedimos e ele insistia: "O Marcos!" Estávamos numa esquina. Eu não dei um curtir e muito menos comentei sua postagem oral. Agradeci, no entanto, a exclusividade. Eu era seu único ouvinte, sua única coletiva da vida. Ao contrário do Facebook, as esquinas ainda carregam a póstuma e ultrapassada primazia da exclusividade. Ainda seremos uma povo sem quatro paredes - ainda seremos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-881914971103670741?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/881914971103670741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/881914971103670741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/08/de-volta-as-esquinas.html' title='DE VOLTA AS ESQUINAS'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-5576362069565760905</id><published>2011-08-17T19:58:00.000-07:00</published><updated>2011-08-27T11:30:43.305-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='taxi são paulo crônica bruno graziano taxista trânsito cidade nelson rodrigues chicabon'/><title type='text'>A TARIFA DA BANDEIRA DOIS E UM CHICABON AS VEZES NÃO TEM PREÇO</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Georgia, serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;iframe width="412" height="261" src="http://www.youtube.com/embed/OwXjxsFIYzU" frameborder="0" allowfullscreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;Hoje sou taxi. Mas antes de encarar bandeiras um e dois, nas vias congestionadas e corredores de ônibus milagrosos, eu fui metrô e acima dele eu fui busão. Muito busão e depois muito metrô. Como encarei o transporte público paulistano, sempre alçado a uma relação de intimidade meio que pagã. No subterrâneo, eu era a timidez, a leitura, o mp3. No asfalto, fui o conversador, o papeiro, o perdido, o guia, o mentiroso, o carioca. Porém, hoje sou taxi, mais do que tudo que tem por ai, entro no carro branco como um papa e me sinto em casa. Quarta-feira passada mesmo, saibam, peguei dois taxis.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;"Rua Antonio Carlos, por favor!" Abundei o banco do passageiro e não queria papo. "Qual seu nome?" Fui surpreendido. De fato, um taxista comenta o clima, fala do resultado da rodada, mas não pergunta o nome. "Bruno!", fui seco. Ele insistiu (já adianto, tinha um encosto de bolinhas de madeira): "E sobrenome?" Naquele instante, eu já me entregava a perplexidade da corrida. Ultimamente, nenhuma corrida foi em vão. Lembrei de Ronaldo Brevis, o poeta dos Jardins, que urrou para mim e Victor Britto a seguinte conclusão: "Tem gente que pega taxi até por solidão!" Sim, convenhamos, um automóvel, em sua usabilidade fundamental, é um veículo familiar. Casais se formam em carros, filhos nascem em carros e um automóvel, com um casal fervoroso ou uma família numerosa, pode ser mais pulsante que toda uma metrópole. Volto ao poeta dos Jardins. Eu e Victor Britto, como já citei, ainda carregamos no peito o remorso da preguiça. Explico melhor: fomos eu e o virtuoso designer, certo sábado, entrevistar o poeta. Chegamos na estátua sangüínea (todo poeta hoje é uma estátua viva, com sangue corrido nas entranhas ultrapassadas) e em troca da tua fala, da tua abertura afetiva, lhe prometemos um sanduíche, um canetão e uma prancheta. Isso mesmo, essas três simplórias e ignóbeis nobrezas. Talvez para o leitor, que se esbalda com o requeijão no café da manhã, um sanduíche, um canetão e uma prancheta não passam do supérfluo, do lixoso, do desprezível. Não para Ronaldo. Mas, para nossa surpresa, o sanduíche já foi deixado de lado: "Não passo fome, amigos! Só quero o canetão e a prancheta - minha fome é a poesia."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Nos olhamos, eu e Victor, com um espanto dúctil e macio. "Come onde?" Perguntou o amigo. Antes nos pediu um cigarro e eu gentilmente lhe cedi um Marlboro (fiz questão de acender seu careta). "Como nos melhores restaurantes dos Jardins! Sempre me trazem comida." Eis que me veio a máxima e contundente revelação: -No Brasil de Lula a fome é opcional. Isso mesmo - opcional. Se não fosse poeta, talvez comece nos lixos, nas beiras, mas recitando sua eloquência surreal, Brevis consegue dos melhores rangos do nobre bairro os restos que dariam inveja a toda uma classe média. "Mas e a fome do nordeste? E a seca?" Já resmungam anarquistas do Mackenzie. Respondo, com a mão no peito, que só conheço a fome de Ronaldo Brevis, só conheço a fome do poeta dos Jardins. Quem diria, porém, que a poesia ainda mata a fome?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Retorno ao taxista que se importava com meu nome. Completei: "Graziano. Bruno Graziano!" Ele apenas retrucou, com um sorriso no rosto - "Italiano, bona gente!" (confesso que sempre que ouço alguém recitar um termo em italiano, sinto vontade de abraçar o sujeito ou a sujeita). Conversamos por uma hora, sobre "famíglia", sobre o "Palestra Itália", sobre amores e sobre São Paulo. Na despedida, levantou um dos braços e me fez um gesto vistoso como um edifício Martinelli. Que delícia a facúndia gestual do italiano!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Mas não era exatamente sobre isso que eu almejava frisar. Na verdade, me vem a cabeça Nelson Rodrigues. Os amigos manifestam, nas mesas de bar, que bebo no dramaturgo o Gatorade da sede literária, da sede cronista. Outros sussurram que sou a cópia barata de Xico Sá, vindo da Cerqueira Cesar. Sou, com uma convicção quebradiça, um xérox preto e branco esvoaçante e mandrião (no máximo) dos escritores untados e de muitos outros. "E quem não é?" Me pontua Luciano Costa. "Só sou menos que Paulo Silva Junior!" E claro, o possível notável precisa se decidir depressa se quer ser "possível" ou se quer ser "notável".&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;De Nelson, gosto das frases, acima de tudo. Alguns toques do anjo pornográfico são de uma riqueza dramática mais valiosa que toda a língua inglesa. Eis que de toda a obra, de todo um pensamento, nada mais atual e jacente que o Chicabon. Não sei se lembram da frase, então colo aqui sem a permissão do gênio: "Sem paixão não se chupa nem um Chicabon!" Creio que não preciso explicitar as entrelinhas, e que a cada dia as entrelinhas de Nelson sugam o todo de seu texto como um sanguessuga Shakesperiano (convenhamos que se Shakespeare vivesse no Rio de Janeiro da década de cinqüenta, não seria o melhor dialogista nem de Copacana. Brigaria, com tantos outros, o posto de melhor autor de papos, de dramas, de xingamentos, de galanteios, de fervores - digo isso e penso como desdenha da própria história o brasileiro de hoje - em 2014, ainda sairão do país todos os brasileiros e seremos habitados por gringos endiabrados pelo Brasil).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Não percamos o foco no Chicabon. Ontem mesmo, fui tomar umas com Luciano Costa e Paulo Silva Junior. Ora, cada conversa com ambos gera no peão toda uma corrosiva reflexão. Nenhuma balada nunca foi e nunca será a reflexão de um amigo. Eis que entrei no novo lar do ex-caipira e já fui recebido com a manchete: "Esse é meu Chicabon!" Olhei pra mão do sábio corneta e vi uma long neck de Heinekein (pensei, de cara, como tucanou seu rolet). Ao lado, Luciano Costa bebia não uma mas três Heinekens de uma vez. Era, peço que instiguem a imaginação, uma cena Bukowskiana fidedigna. Me cumprimentou, com três Heinekens no colo e virou as três, de uma vez, em sua atrocidade alcoólica tucana. Deixei minhas seis Heinekens no freezer e fiz a pergunta, sem jeito: "Tem sorvete?" Levantou-se o caipira e não se conteve no deboche: "Está todo babado de Chicabon!" Olhei para o casaco e não vi uma mancha sequer - logo pensei que a insanidade estava tomando a cabeça dos amigos. Ele deu-me um abraço lateral e retificou, com um deboche mais assíduo ainda: "Está todo babado, o Chicabon está escorrendo derretido pelo seu queixo!"&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Dei dois passos pra trás, levemente zangado e exigi uma explicação: "O que é o tal do Chicabon?" Generosos, os dois me fizeram sentar e me recordaram da frase do Nelson e de todo seu contexto atual. Fui, ali, de uma gratidão genuína. Paulo ajoelhou-se (acho mesmo que ajoelhou-se, ou melhor, deitou-se no chão) do novo apartamento e o beijou. Parecia que a faxineira não tinha ido ali na semana (e nem sei se a faxineira vai lá toda semana), mas o gélido e sujo chão não foram barreira psicológica para Junior. Beijou o chão com a paixão futebolística de outrora. Ao se levantar, alado em seu púlpito enraizado, nem sequer limpou o beiço com o inverso da palma da mão. Sentiu, por alguns segundos, o gostinho do próprio chão, da própria conquista. Depois levou a long neck a garganta e jorrou a cerveja suculenta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Costa, me lendo como uma cartomante, esqueceu o deboche e foi sumário: "Está apaixonado!" Olhei para a televisão (não me lembro o que passava, mas acho que era um show do Restart - pasmem, os jornalistas também ouvem Restart) e fiz que não sabia do que estava falando: "Nem de longe!" Foi ai, que impregnado na própria mentira, surgiu o Chicabon em minha mão. Sim, um sumoso e adocicado Chicabon, me encarando com o âmago da chupada sem pudor. Na outra mão, lembro, tinha a long neck. E, numa tacada ligeira, despejei a cevada no picolé e levei a língua, derrotando &lt;/span&gt;com uma chupada pornográfica a vontade que me continha. Sujei (mas pedi desculpas) o chão da sala de Silva com chocolate e cerveja, mas admiti, finalmente, o veredicto: "Estou! Estou!" (senti vontade de ir até ate a janela e gritar: "Estou!" Mas fui tomado por um singelo cuidado com a vizinhança do Paraíso).&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Seguimos o petardo de domingo a noite, e dentre uma feérica perseguição ao ex-presidente (Costa e Silva defendem que Lula foi o quase-mito), seguimos citando o imortal Chicabon. "Tudo é Chicabon!", uma hora lançamos, os três, ao mesmo tempo, como um coral de velhinhas. Expliquei que estava preso ao Häagen-Dazs e que o Chicabon era, ultimamente, o meu desdenho, a minha recusa. Disse que, de fato, a pouco mais de quarenta e oito horas eu me lambuzava com um novo e emblemático Chicabon. E esse picolé de seios e sorriso de duquesa tinha um sabor dos mais fulgurosos. Eles abriram suas curiosidades: "Mas e o palito? Lambeu até o palito?" Sussurrei que ainda não, que eu o lambia com uma lentidão do século dezenove. Foi então que o possível notável golpeou o conselho: "Aproveita essa fase, do achocolatado durinho, amolecendo, e tenta pular os seis primeiros meses, vai pra fase de cagar de porta aberta, peidar na cama, mijar na pia!" E eu ouvi toda aquela sabedoria escatológica com uma ferrenha admiração.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; line-height: 0.56cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Bateu a fome, e sem pestanejar, pedimos uma pizza (com as maiores bordas de Catupiry já vistas). Aguardamos os quarenta minutos de larica mais intermináveis que o amor e quando subiu o entregador de pizza, pasmem, estava ali, dentro de um jaco preto, galochas e segurando uma maquininha de débito, em nossa frente - Milton Leal Neto. Arregalamos os olhos e gritamos, como meninos na primeira barba: "O amoroso expansivo!" Milton leal cortou qualquer abraço de volta e nos serviu a pizza, atirando manchetes como cuspes ao vento. Anestesiados, ouvimos tudo, com uma cálida atenção. Uma hora, Silva lançou um: "Aff!" e seguimos prestando atenção na palestra. Não me contive e lhe sabatinei: "E o Chicabon?" A resposta foi digna de Milton Leal: "Meu Chicabon é o mundo!"&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; line-height: 0.56cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Foi ai que Luciano Costa estragou a beleza da frase. "O mundo é o pote de dois litros. Uma hora vira feijão!" Milton foi embora para Budapeste, eu para a Cerqueira Cesar, Luciano para a Santa Cecília e Paulo para seu colchão no chão (mulheres gozam mais profundas num colchão no chão, dizem). Quem tem carro vislumbra sempre os cento e vinte por hora, com o vento batendo na face e o Chicabon no banco do passageiro. Eu, que sou taxi, sou o banco do passageiro. O que interessa não é o veículo, mas o Chicabon. Cheguei em casa e revi "Betty Blue", o Chicabon mais brutal da história do cinema.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-5576362069565760905?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/5576362069565760905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/5576362069565760905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/08/tarifa-da-bandeira-dois-e-um-chicabon.html' title='A TARIFA DA BANDEIRA DOIS E UM CHICABON AS VEZES NÃO TEM PREÇO'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/OwXjxsFIYzU/default.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-6875049401333566388</id><published>2011-08-17T00:25:00.000-07:00</published><updated>2011-08-22T20:26:54.528-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema martin scorsese são paulo amizade sacrifício amor juventude'/><title type='text'>A GRANDE MULHER</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em mil novecentos e noventa, Scorsese lançou, talvez, seu melhor filme. A saga da sub-máfia, ali periférica, encarnada brutalmente por Robert De Niro, Joe Pesci e Ray Liotta é um de meus filmes extraordinários, um de meus filmes fundamentais. Aquela fita que quando aperta o coração, que quando azeda alguma convicção, entra via USB ou leitor de DVD no LCD fílmico e exibe toda aquela trama diabólica e confortante. "As Invasões Bárbaras", "Betty Blue", "Buffalo 66", "Conduzindo Miss Daisy", "O Balconista", "Nine", "O Novo Mundo", "Algum dos Trapalhões", dentre outros, também fundamentam o mesmo e lúgubre papel. Mas há em "Os Bons Companheiros" uma áurea de macho conivente com o momento atual. Lembrei de um causo.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Houve um homem, hoje septuagenário, que certa vez traiu sua mulher. Mas, já adianto, não fora uma traição passageira. Fora atípica e brutal. E nisso, recito que a amante era prostituta. Não era garota de programa, nem mulher da vida, e sim prostituta. Vendia o corpo para passar o requeijão no pão francês, na baguete, na broa de milho, todas as manhãs. Nem sei direito se era bonita (digo "era" pois morreu), se era cheirosa, se era realmente um motivo decaos. O que sei, por fotos, relatos e traumas, é de que era perversa. Sabia enlouquecer o cabra como um manicômio de tetas. Os mais niilistas, os mais rudes, dirão que toda mulher carrega a áurea perversa da prostituta. Todas não, só a maioria. Prossigamos - essa avassaladora fêmea tirou um homem de sua esposa à cerca de trinta anos passados. Já tinham três filhos na época. Ele enriquecera, trabalhando de segunda a domingo, doze horas por dia. Ela era dona da casa (que não sabia cozinhar, não passava a roupa e muito menos tirava o pó do rodapé). Quando moleque, visitava eu a casa desse casal e vislumbrava sempre o conselho dessa esposa hedonista. Ela bebia muito whisky, muita cerveja, e fumava mata-ratos paraguaios (mesmo sendo rica).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Eu não passara dos oito anos, e sempre perto das onze horas da noite (eu chegava por volta das oito), numa embriaguez cotidiana, essa esposa hedionda do lar gritava meu nome: "Bruno!" Eu fingia que estava distraído lendo alguma revista, assistindo algum desenho, e logo corria para sua palestra afetiva. Ela sentava numa dessas poltronas medievais, e eu, inquieto, me jogava ao lado, no chão, com os ouvidos atentos. Ela começava e não parava mais. Eram meia hora, quarenta minutos, desfigurando o mundo que eu ainda não conhecia com metáforas de bar (e não freqüentava o bar, vejam só), tragicomédias narradas e piadas sujas. Por vezes (ou quase sempre), urrava expressões em italiano:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt; "L&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;a vecchia é bruta&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;" era uma delas, se não me engano. Eu sempre pedia uma pausa e buscava lichias e cerejas na cozinha. Ela ria de minha admiração pelas citadas frutas e me conduzia um carinho na cabeça, completando: "&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" line-height: 16px; font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Mangia che &lt;/span&gt;&lt;em style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;te fa bene!&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Volto ao que interessa - o adultério. Foi o fim de um casamento duradouro como o aço. Ela cortou relações, pediu o divórcio, pegou a guarda dos filhos e ele se reclusou com a amante em algum lugar do Rio de Janeiro. Essa situação durou cinco meses. Exatamente cinco meses. Não precisou de advogado para o pagamento da pensão. Ele dera os fundos que tinha para a família forasteira do homem da casa. Não deixou faltar nada, escolas particulares dos filhos, comida e até viagens ele pagou, mesmo distante. Os três filhos deixaram de falar com o pai. Minto. Menos a filha, mas as escondidas. Em paralelo, a amante sugava o resto de sua riqueza adquirida com o trabalho de segunda a domingo. Lhe comprou um apartamento e lhe deu jóias e roupas caras, como manda o figurino do clichê aqui discorrido. O que interessa de fato é - ambos se arrependeram. O marido pela traição e a mulher pelo não-perdão. Um arrependimento capaz de encher o Parque Antártica (ou o Maracanã, já que estava no Rio). Numa festa familiar, ela colocou seu melhor vestido (que ele dera de presente, cinco dias antes do fim) e ele foi com a incólume notícia: tinha acabado com a amante. No primeiro olhar, na primeira reação do reencontro, veio a tona o falso-morto, que nunca saíra de seus corações - o amor. Se amavam e se odiavam, talvez numa mesma proporção - mas nunca foram atingidos pelo abrutalhado não-amor. Tiro e queda, Voltaram após duas semanas. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Os filhos aceitaram o pai de volta (são filhos da época que a ordem da mãe é a ordem de Deus) e mudaram-se para um apartamento de quatro dormitórios daqueles de abrigar três dígitos de parentes no natal. Ficaram juntos, entre trancos e barrancos do matrimônio, por mais uma década e meia. Acabou, digo isso dando play em Django Reinhardt, por causa da morte da esposa. Morreu por complicações pulmonares, por cirrose e por depressão (não necessariamente nessa ordem). Os mais curiosos perguntam por quê a depressão? Ninguém sabe. Ela perdoou, e, de fato, reataram com um perdão feérico e mútuo. A depressão nada teve a ver com a traição. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Me cutucam os leitores mais ácidos, querendo o motivo de detalhamento extremo do caso lembrado. Fiz todo esse aviltamento íntimo querendo resumir que essa mulher morreu antes da mãe. Isso mesmo, deixou a mãe lhe enterrar, lhe dar o luto, chorar sua perda. A mãe, que hoje já passa dos noventa, vive com uma única e passiva obsessão - a morte da filha. Sente-se culpada por não ter sido velada antes da própria cria. Lembra da amada filha com o afinco da saudade legítima e semanalmente chora, sentada na cama, rezando o terço, na plástica torcida por um dia reencontra-la. Não foi só a mãe, mas também o marido, os filhos, os sobrinhos, os primos e toda uma manada. Disse que não sabia cozinhar, mas foi uma injustiça. Na ceia, colocava o avental vindo de Roma e cruelmente apalpava toda uma mistureba de ingredientes que tinham em seu destino final a mesa e depois as panças satisfeitas. Como cozinhava bem (mas só na ceia de Natal). Era hilária, bipolar, incoerente nos atos e falas, geniosa, agregadora, alcoólatra, niilista e amorosa. Niilista e amorosa, pasmem, ela era. Defendia os filhos com a nobreza de uma matriarca das antigas. Alegrava um recinto com o mais nonsense e irônico jeito de ser (desculpem o termo brega). Tinha a mística do afeto, mesmo sendo de uma total luta pelo não-afeto.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;O marido, tenho que também pontuar, morre a cada dia, ainda vivo. Morre, lentamente, por amor. Diagnosticam problemas no coração, pode ter um infarto a qualquer momento, mas isso é só medicina. Sua morte virá, de forma bela e patética, por amor. Amou apenas uma mulher por toda uma vida, e em breve completará bodas de ouro. Quão vago é o argumento de que a morte fere o direito das bodas de ouro. Os dois, para além do sempre, farão todas as bodas possíveis - ele com um whisky e ela com um cigarro (ou vice-e-versa). Os filhos, se não estão morrendo, não vivem como antes. Essa foi a grande mulher que untei no título desse petardo. Uma grande mulher que lembro sempre que aperta alguma relação afetiva com o sexo feminino. Como me faltam os seus conselhos (certa vez, já com meus treze anos, fui expulso do colégio. Entre esporros e castigos, todos entraram num consenso de que eu teria que moderar o extremismo vindo do sangue. E, sussurrando em meu ouvido ainda virgem do mundo real, me veio a máxima: "Seja Italiano!" Era ela). A grande mulher é a eternidade com seios.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Ando lendo muitas crônicas, de diversos autores e cheiros. Dois deles, porém, andam me chamando a atenção - Marcelo Rubens Paiva e Xico Sá. Confesso que só iniciei a saga de conhecimento de seus sopros estilísticos por insistência de amigos. Vá lá, gosto mais de um que de outro. E mesmo gostando, sou algoz de suas escritas. Estão cada vez mais coniventes com a falta da grande mulher. O primeiro, recentemente, balançou o brio das paulistanas com um tutorial da nova mulher da Pauliceia. O segundo, vira e mexe ostenta a incoerência do homem nos tempos atuais. Porém, alega como um cãozinho boêmio que aceita tal condição e tenta se adaptar. Tão óbvio e clarividente é o motivo de ambos ainda adularem o sexo feminino de hoje (o que não justifica suas convencias intragáveis perante a nova-mulher, cada vez menos grande, cada vez menos interessante) - um dia já se envolveram com a "grande mulher". Ninguém passa imune a "grande mulher". E a grande mulher deturpa o sujeito para além da consciência, para muito depois da noção.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;O grave problema, aqui, é que a grande mulher está acomodada. Ainda confio no poder da escrita, e acima dela, da leitura (uma pena o jornalismo ser a coisa mais ultrapassada do mundo). E as crônicas dos safadinhos escritores são de um poder corrosivo e atroz. O Paiva, reparem bem, dá todo o encantamento exagerado a nova-mulher da Pauliceia. Ele engrena nas moçoilas o ávido poder de se tornarem quarentonas solteiras criadoras de gatos fãs chorosas de Billie Holiday. Já o intrépido Sá acha cada vez mais graça na absolvição da mulher que não necessita ser conquistada e acalenta o vil e sorrateiro álibi da mulher que abdica de ser encantadora. Para Sá, basta ser mulher para encantar. É a escola Serge Gainsbourg e sua idílica condição. Calma, fâzetes do cronista, não quero ser injusto. Poucos, hoje, suam como Xico para explicar as novas tremedeiras (morre o domínio, morrem as serenatas, morrem as flores, morre o galanteio, mas não morre a tremedeira).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;No século que cada segundo foi mais pulsante que toda a idade média, no passado, o grande homem dominou tudo e todos. Guerras, invenções, países, coca-cola, tudo veio dos grandes homens. Contudo, existiu por trás algum sobrenatural abrupto. A mulher sempre esteve por trás (e nem digo a "grande mulher", pois nem todas eram). Ditadores tinham mulheres, inventores tinham mulheres, psicopatas tinham mulheres, artistas tinham mulheres e a mulher foi, nas entrelinhas, o século vinte. Torço, acreditem mesmo, pela mulher no topo do século vinte e um, riscando de batom todo o globo terrestre. Só lembrem, as possíveis grandes mulheres, que por trás (literalmente - a mulher que não goza de quatro não sabe ser mulher) precisa estar o homem (de preferência o grande). Tudo que falei é bobagem, talvez, menos a história do início. O maior pecado de um filho é morrer antes dos pais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-6875049401333566388?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/6875049401333566388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/6875049401333566388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/07/grande-mulher.html' title='A GRANDE MULHER'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-7758308811020593799</id><published>2011-08-16T09:20:00.000-07:00</published><updated>2011-10-23T19:32:32.256-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coisas eróticas a primeira vez do cinema brasileiro raffaele rossi crônica filme brasileiro sexo putaria pornochanchada bruno graziano'/><title type='text'>COISAS ERÓTICAS</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Raffaele Rossi era o Fellini Brasileiro!" urrou Cesar Roberto, ator recorrente nos filmes do cineasta, em entrevista pro documentário. O cinéfilo mais ranzinza há de espernear diante de tamanha heresia, de tamanha petulancia. Pois digo a vocês, que cavando no bom-humor, a afirmação tem um fundo de verdade.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;"Coisas Eróticas" é hoje, acima de qualquer putaria, um filme de humor. É hilário como uma presepada de Western Spaghetti. Há todo um absurdo nas histórias, toda uma áurea nonsense pervertida nas tramas, toda uma incompatibilidade sensual nas narrativas. Depositei o DVD no aparelho e ao subir a primeira trilha, ao surgir os primeiros créditos, ao avistar que a primeira cena do filme era uma bronha das mais asquerosas, das mais abjetas, discorri a primeira das muitas gargalhadas durante os noventa minutos. Confesso que abri ao menos três latinhas de cerveja Pilsen para deixar ainda menos pretensiosa a sessão particular. Isso é Coisas Eróticas - nenhuma pretensão e muita bizarrice broxante, salpicada com uma putaria mal filmada e levemente constrangedora, mas muito pitoresca.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Imagino, porém, a estréia em 1982. Hoje tudo é escroto, tudo é digno de deboche, todos são mais refinados, todos são mais niilistas, todos comentam nas redes sociais, e qualquer moleque de onze anos já consumiu mais pornografia que muito tiosão de padaria. Queria eu ter entrado no Cine Windsor e avistado aquela telona de sei lá quantos metros quadrados, sentado na cadeira ainda sem rastros de esperma (hoje o Cine Windsor é um mar de porra) e me lambuzado daquele despudor inédito no país - xaninhas cabeludas como um Parque do Ibirapuera de fluídos, bundas carnudas e suculentas como uma carneiro recheado, peitinhos naturais como um suco de laranja e uma safadeza recém exposta para a nação. Era um Brasil mais ingênuo. Eis que "Coisas Eróticas" é, digo isso com uma convicção Lulistica, de uma ingenuidade cavalar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;A segunda história, e seu masoquismo homoerótico, contrapõem-se a um puritanismo final, através da lírica a patética fala: "Mas até minha namorada...". Uma mãe que apresenta suas filhas nuas na piscina contrapõem-se com uma mulher que, envergonhada, admite que nunca pisou num motel. "Coisas Eróticas" e seu apelo popular espantou todo um povo carente do gozo diário, seja por seu descaro, seja por sua postura reaça. O primeiro filme pornô brasileiro é a cara do Brasil - uma catarse ao mesmo tempo plástica e estrambólica, sempre beirando o ridículo. Azar de quem tem vergonha do ridículo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Escrita especialmente para o Blog do documentário "A Primeira Vez do Cinema Brasileiro".&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-7758308811020593799?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/7758308811020593799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/7758308811020593799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/08/coisas-eroticas.html' title='COISAS ERÓTICAS'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-2641605687511637277</id><published>2011-08-01T19:26:00.000-07:00</published><updated>2011-08-18T17:18:54.747-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema baixo orçamento metodista controle remoto filmes videoclipe banda instinto revista offline'/><title type='text'>UM SET B.O</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-size:12px;"&gt;&lt;div  style="text-align: justify;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div  style="text-align: justify;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Dia desses ajudei a rodar um videoclipe. A gangue responsável foi a Controle Remoto Filmes, produtora no qual fui um dos cabeças - por três anos. Éramos universitários quando a fundamos, ainda no cordão umbilical da Universidade Metodista. O que eu ainda não disse, e que muda este petardo já de início, é que tratou-se de um B.O. Uns já me perguntam: - "Boletim de Ocorrência?" Esclareço que não. Um "baixo orçamento" nada tem à ver com "boletins de ocorrências" da polícia. Minto! Tem tudo à ver. Posso explicar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;O sujeito ou a sujeita entram na faculdade de cinema por diversos e velados motivos. Uns vislumbram o glamour de uma Cannes, as beldades de um Oscar, outros se enfurnam nesse famigerado curso artístico para curar uma depressão, um trauma, um tédio, e tem até aqueles que caem de para-quedas nas salas de aula e seus projetores de alta definição, para - pasmem - enriquecer. Amigos já me contestem: "Mas dá, mas dá!" Certamente dá e hoje, nesse Brasil de Lula em ressaca, tem gente comprando mansões à lá Beverly Hills e viajando para a Europa no débito por conta de seu suor fílmico. Mas são poucos, que não encheriam nem as numeradas do Canindé.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Pois o que devo frisar é o videoclipe B.O que ajudei a rodar. Seis mil reais e um "curta-metragem" com cenas de luta, de rotina de fábrica do ABC, uma festa e uma performance tinham que ser impressas nas lentes da 5D. Em tempos de youtube, onde zero é o orçamento de 99% dos vídeos postados, talvez os leitores não saibam que o orçamento real desse clipe bateria, brincando, sessenta mil reais. Isso mesmo, dez vezes mais do que custou. "Mas como?" Espantam-se os incrédulos das crifras cinematográficas. Simples assim: Não pagando nada e nem ninguém - ou vá lá - pagando só o que não sai de graça nem aqui, nem na Índia. Além disso, há uma equipe reduzida capaz de exercer duas funções por pessoa (quando não três, cinco funções). Há também os cortes de equipamentos, de cenas, de pretensões, que se fossem possíveis financeiramente, inflamariam o custo para lá de duzentos mil reais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Falei de equipe reduzida e mesmo reduzida, ao menos quarenta pessoas estavam no set. Dentre equipe de direção, equipe de fotografia, produtoras (só deveriam haver produtoras mulheres), equipe de arte, assistentes, banda, elenco, apoio, turistas. Ah, os turistas. São eles os pitorescos de todo o set. Amigos, amigos dos amigos, família, curiosos, todos aceitam perder um dia inteiro em função do deslumbre de acompanhar o parto de um "filme". Muitos se frustram com a demora, mas há também aqueles que saem urrando para Deus e o mundo: "Quero fazer cinema!" Há os "mão-xereta", que mexem em tudo, há os "bebe-água", que se deliciam com seu copinho descartável refrescante enquanto todos suam, há os "quarta-feira", que estão sempre no meio, há os "pé de gancho", que levam junto de suas passadas refletores, tripés e cabos, há os "ping-pong", que observam a labuta de gaffers e maquinistas como se fosse um jogo de Tênis de Mesa e, por fim, há olhares. Paixões, ódios, brigas, carinhos, tudo acontece num set B.O. Quando tem dinheiro, e digo muito dinheiro, a mística se perde para uma necessária ordem ferrenha. Por isso que profiro, com os braços ao alto e enfatizando: -"No cinema, o caráter se forma num set B.O"!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Indicação de videoclipe B.O atual, feito por ex-universitários:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Então Toma - Emicida (Dir: Fred Ouro Preto)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  line-height: 26px; font-family:Trebuchet, 'Trebuchet MS', Arial, sans-serif;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;(Publicado na coluna de cinema da Revista Offline, edição de Agosto de 2011)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-2641605687511637277?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/2641605687511637277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/2641605687511637277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/06/um-set-bo.html' title='UM SET B.O'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-5653284461560588286</id><published>2011-07-18T18:15:00.000-07:00</published><updated>2011-08-18T17:12:10.810-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rio de janeiro copacabana ipanema viagem hostel documentário murilo costa denise godinho hugo moura bruno graziano'/><title type='text'>O ANTI-NIILISMO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estávamos a procura de um Hostel, no Rio de Janeiro, mais especificamente em Copacabana. Só que antes quero que saibam: tratava-se de uma procura brusca e inquieta. Emoldurados como paulistanos endiabrados, em nossas calças jeans e espíritos urbanos, caçávamos o banho gelado com o âmago de turistas em busca do Corcovado. Porém, pontuo: não éramos turistas. Conhecíamos parte do Rio, e dele, o que queríamos, era tudo, menos o "ser turistas". Por isso a caça pelo Hostel. Num Hostel há, como Milton Leal, o amoroso expansivo, sempre disse, o social necessário de qualquer cidade a se explorar. Pois então. Pulávamos na terceira tentativa do abrigo de uma noite e entramos no local. Uma mulher, carioca da gema, nos atendeu. Ali iniciou-se uma nova e reticente descoberta ao Rio de Janeiro, a cidade que transforma São Paulo num sopro de solidão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos recebeu dando ordens ao telefone, como uma governanta sueca. Avistou aquele bando de paulistanos perdidos e, inesperadamente, deu o sangue carioca por ajuda-los. Antes, tossiu um pigarro acumulado. "Querem um Hostel?" e tossia novamente. Nos questionou, fazendo três atividades ao mesmo tempo (anotava, telefonava e falava) quantos éramos. Respondemos com uma indigna precaução (todo paulista multiplica a intensidade de seu pudor em terras cariocas). Numa Ipanema ensolarada somos apenas aleijados da areia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sendo assim, ela moveu o Rio de Janeiro inteiro e conseguiu um abrigo para nós. Aliviados, agradecemos, mas a reação era sentenciada: seguia nos guiando, desenhando mapas, explicando caminhos, dando cuidados orais de mãe. Este é o Rio de Janeiro sem anti, sem contra, sem ex. Em Copacabana, o Anhangabau com orla, o que mais me intriga é a distância do mar até o primeiro rastro de concreto habitável. Digo prédio, mesmo. Quantos metros? Quantos quilômetros? Talvez eu esteja exagerando, confesso, mas a impressão, no caso, é mais crucial que a razão. O mar de Copacabana é um, a areia é outra, a orla é outra e, por sua vez, o resto de Copacabana se limita a ser um outro pedaço, um outro recinto. Há várias e espectrais "Copacabanas" numa só. E foi nela que, pela primeira vez, me veio a sensação, lúgubre e fascinante, do "anti-niilismo". Conto o porquê:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já citei aqui Jorge Maia, o doce niilista. Pois bem. O talentoso diretor de fotografia considera São Paulo (e mais especificamente a pobre Cerqueira Cersar) o inferno. Mas não um inferno bíblico, inabitável, horrível. O inferno do doce niilista é carregado, dentre maravilhas, apenas de um único e solitário sentimento (e que o basta para ser o inferno) - cinismo. Uma vez já disse ele (ou talvez tenha sido Milton Leal, o amoroso expansivo, quando ainda tomava café no boteco, antes de acordar diária-mente num gélido e ancestral Pub russo) que basta cinismo para aceitar que a Haddock Lobo queira ser a Augusta e a Augusta queira ser a Haddock Lobo. A noite fomos para a Lapa. A efervescente e truculenta Lapa, plastificada em sua arquitetura resguardada, quase casta. Uns vão dizer (talvez Paulo Silva Junior) que a Lapa é o sutiã e a Augusta é a teta de fora. Luciano Costa já rebate balbuciando que quer ver e apreciar a teta de fora. Eis que interrompo o literário bebasso com um seco empurrão no peito: "A teta despida não é de ninguém!"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ipanema, então, é linda como um seio. Gosto da palavra "seio", que só o português proporciona. Tive uma namorada, a pouco tempo, que indignava-se quando eu urrava a palavra "teta". É "seio", resmungava, com uma doce insatisfação. Volto a Lapa, que comparada a Augusta, é o Coliseu humilhando com o Canindé. Uns já me taxam de vendido, de imediatista: "Um fim de semana no Rio e já desdenha de São Paulo!" Levanto a cabeça e me defendo: "Nem tanto!" Apenas inspirei o óbvio: o Rio é intensamente menos niilista que a Paulicéia. Sim, o rio é o anti-niilismo. E se o Rio é o anti-niilismo, fidedigno e verdadeiro, percebi, nesse último mês que há algo entre todos nós que se caracteriza cada vez mais como o certeiro e sazonal niilismo - é a internet. Repito, agora com a ênfase de Milton Leal, com os braços ao alto: "A internet é o niilismo!"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recentemente, fui pro Guarujá. E lá, numa missão das mais antiquadas, das mais ultrapassadas - como o jornalismo, o longa-metragem - me vi em meio a uma conversa daquelas definitivas com o querido amigo. Antes, resumo o amigo: é mais velho. E, além da experiência que não tenho, também é exato. Quer dizer, é de exatas. Físico - e mais velho - os conselhos do amigo vinham através de analogias das mais pontuais, das mais incríveis. Com o odor do mar dominando nosso olfato (novamente o mar), batemos um lero dos mais acachapantes. Ele já me atentava: "Você é um romântico!" E eu, sem saber ao certo se assim sou, o questionava: "E há problema?" Ele secou o copo e me beliscou a convicção: "Você é o óbvio, hoje!" Tive também que secar o copo para abstrair a condenação do amigo. Não retruquei, mas matutava na mente: "Óbvio? Sou o óbvio?" Ele percebeu minha recepcão aturdida e refinou o pensamento: "Tá, nem todos são românticos, mas elas querem o macho-alpha!" Fui de uma compreensão, já com o álcool boiando no sangue, total. "Também sou o macho-alpha!" Bati no peito. Ele me apontou o dedo: "Pois então seja! Sempre!" O papo estava indo para uma indefinição reticente, quando, joguei a letra: "O que é a mulher na física?" Ele pensou por segundos (talvez minutos, admito) e sem tanta crença, expeliu: "O elétron!" Ali eu já estava interessado por horas e horas em sua explicação inédita. Deferiu que o elétron é, na física, um dual inusitado, quase inexplicável. É, ao mesmo tempo, onda e partícula. Eu apenas repetia: "Onda e partícula." E ele seguia: "A mulher é isso - ora se comporta como onda, ora como partícula." Aquilo, assim, filosofado, me era belo como um seio. Ele ainda posicionou que a mulher é onda quando pensa e é partícula quando age. É onda quando é frágil, e partícula quando é forte (ou vice-e-versa). O elétron é substancial e pitoresco, para a física, como é a mulher, para o homem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acendi um cigarro (agora e no momento da conversa). Adulamos toda a nossa momentânea e confortante seqüência de analogias (nesse tempo, o sábio amigo ainda comparou o orgulho/amor de uma mulher a brasa de uma fogueira, abreviou a atitude do homem apaixonado na imagem de uma criança com as calcas arriadas, medroso em urinar na rua, visto por todos, e a inquietude da fêmea moderna como uma canção sertaneja - um dia ainda divago aqui mais profundamente sobre isso). O que veio depois, brutalmente, foi sua pergunta: "Pra você, qual foi a invenção mais importante do homem até hoje?" Passo o parágrafo, tamanha importância do questionamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pedimos mais dois chops. Era, talvez, a pergunta mais desafiadora, mais devastadora, mais intimidadora que eu recebera no ano. O nervosismo me tomou, ao pensar naquilo, belamente como um seio. Após, sei lá, dez minutos, proferi: "A disciplina!" O amigo raciocinou a afirmação e ainda tentou me defender, numa grata humildade. Disse que a disciplina, como eu tentei me explicar, era necessária e colossal. Mas, longe dela, o invento mais essencial da história da humanidade foi... Faço um suspense. Volto ao Rio de Janeiro. Me acompanhavam Hugo Moura e Denise Godinho, o casal da putaria pautada, e Murilo Costa, o nobre babaca (babaca, em tempos de niilismo irreversível, é elogio, reflitam).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A todo instante, por qualquer manifestação de anti-niilismo que encontrávamos, prometiamos para nós mesmo com uma sublime e ignóbil força: "Ainda vamos morar no Rio!" E, antes que vislumbrássemos a rotina praiana, um já armava a barreira pensativa: "Mas só por seis meses!" Eis onde eu quero chegar - o niilismo é viciante como o crack. Cada um é niilista, hoje, por um certo motivo. Uns se descobrem niilistas por constatarem que o orgulho feminino é mais vital que o amor. Outros, descrentes do trabalho, da família, dos costumes perdidos, vestem a camisa do niilismo. A internet é o niilismo, consequentemente. Na internet tudo é visto, a olho nú, como a Augusta. Vemos a teta (perdão, o seio) sem sequer um sutiã para tampa-lo e guarda-lo para seu único felizardo. Cada um deveria ver e tocar em apenas um seio por toda sua vida. Sem isso, essa utopia, somos niilistas. A internet é de todos, cada vez mais, e ai está a domiação guerrilheira e ostensiva do niilismo em nossa geração. O Rio, desculpem pois não tenho explicação, ainda carrega em si a áurea do anti-niilismo. Por isso seu fascínio, por isso seu impactante encantamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Também fui, dia desse, para Ribeirão Preto, visitar minha avó. Estava nos últimos suspiros a Dona Olivia. Ela e, acrescento, Dona Nair, minha outra vó. Se partirão em breve, não sei, e torço para que não, mas estão nos últimos suspiros. Estes vem não em forma física, mas mental. Percebo, a cada audição (sou um ouvinte de minhas avós), que fazem a força alegórica de atestar suas existências. Sem mais nem menos, na sala, no sofá, minha vó Olivia virou para mim numa dificuldade da fala e narrou sua vida. Entregou o que fez, o que sentiu e o que desejou, em menos de quinze minutos. Senti que almejava encontrar as últimas palavras, de forma antecipada. Talvez daqui umas semanas, ela consiga. Minha outra avó, a Nair, já esboça este sentimento a algum tempo. A cada visita, ela tartamudeava sua vida em poucas frases. Talvez, no fim da vida, percebamos o legítimo e fulminante sentido de nossas vidas. Não posso afirmar tal reflexão. A mulher do interior é o niilismo ao avesso. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O amigo físico e mais velho do Guarujá olhou no meu olho e relinchou: "A maior invenção da humanidade é a escrita!" Ainda teve fôlego para o bis: "A escrita!" Deitei em minha embriaguez, ali, deleitando-me com sua fala. Apalpou ainda o segredo: "O tempo é a escrita!" e, belo como um seio, o final: "O amor é a escrita!" Pronto. Fim de papo. Pagamos e fomos, cada um para seu antro. Ele, para sua enamorada bipolar do Tombo. Eu, para minha Paulicéia niilista. No caminho de volta prometi que iria escrever cem crônicas até o fim do ano. Eu poderia escrever cem crônicas, facilmente, sobre minha insatisfação aos casais que permanecem separados se amando. Há muitos, incontáveis. Todos somos niilistas. A internet é o niilismo. Na rodoviária, avistei um casal de velhinhos, fazendo carinhos mútuos um ao outro. Senti vontade de urinar, e urinei, pagando um real para pensar segundos sobre o amor eterno e externar, na privada, minha urina niilista.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-5653284461560588286?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/5653284461560588286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/5653284461560588286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/07/o-anti-niliismo.html' title='O ANTI-NIILISMO'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-3419874024129099028</id><published>2011-07-15T17:59:00.000-07:00</published><updated>2011-10-23T19:26:25.517-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ressaca paulo silva junior bruno graziano crônica amor saudade álcool'/><title type='text'>A RESSACA FUNDAMENTAL</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;eu devia pro bruno graziano um texto sobre a ressaca. e desde então eu estive esperando uma quinta-feira como essa, que eu me visse atropelado por um caminhão na são joão, deitado num chão de aluguel, de sapato e calça jeans, com os pés gelados, as coxas amassadas, as articulações retorcidas, as costelas rigidamente acomodadas por entre os pisos gelados, braços dormentes, pescoço travado, um besouro morto dormindo dentro da minha boca e algo entre uma guerra civil, uma bandinha de carnaval ou um bate-estaca na minha cabeça, pesada, muito pesada, tanto que mal pôde ser levada ao espelho que foi encarado com um metro de olheira pra cada lado e barba e cabelos transpirando de forma ébria. dei um bom dia pra descarga e sentei no vaso.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;um conhaque, gelo e limão, por favor.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;eu preferia ter acordado com sexo oral, como naquelas manhãs em que um litro de uísque me impedia de abrir os olhos grudados nas lentes de contato na casa da elaine. o despertador dela soava com someday e ela vinha pra trás querendo trepar mais quinze minutos antes de ir trabalhar e me largar na vendinha, onde eu comprava um jornal, um saco de pão e umas três cervejas. de lá até minha casa eu ia pensando em como administrar aquelas ressacas de todo dia, e foi assim por toda a primavera, pra nunca conseguir encontrar a saliva, a luz do sol nem minha memória quando começava a tocar o strokes das seis e dez.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;mais um conhaque daquele, grande&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;os vinte e cinco minutos no ônibus foram o suficiente pra minha teorização matinal sobre aquele estado tão previsível, mas ainda tão surpreendente. a minha primeira certeza na ressaca – e acho que já escrevi isso em algum lugar – é que os grandes romances da literatura devem ter sido escritos numa manhã dessas. falo dumas pedradas nível tocaia grande, aquilo é sensibilidade de ressaca. não há dúvidas que meus olhos nunca foram tão fundos naquele tamanho de bunda que empurrou a catraca quando tomamos a lapa e o caetano cantava como nunca aquele transa e todas aquelas conversas dos bancos de trás nunca estiveram tão interessantes e harmônicas. um seriado, em pleno barra funda – parque continental, e a cabeça às pancadas, e os passos de todos em câmera lenta, completamente ainda bêbados.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;outra cerveja, moça bonita&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;também preferia não ter levantado hoje, mas agora já foi. já me deixei recair – no ápice da ressaca eu escrevi pra ela uma daquelas simples mensagens de amor de sempre – e a resposta foi tão seca quanto o último gole do dreher dessa noite que ainda não terminou. a fragilidade da espécie, escancarada em um metro e oitenta e poucos e a sede de coca-cola dum dia inteiro, contrastou logo ali pelas dez com o jornalismo tentando me acordar à força, na marra, até que me deixei levar. tanto tempo pra ensinar as crianças que somos os únicos animais que pensam, tanto tempo imaginando ter um absoluto controle sobre tudo, tão fácil de cair pra um par de copos americanos. a ressaca está aí pra ser vivida, degustada intensamente, em copos de água da geladeira e sorrisos pras meninas na estação, mas também com lamentação e crises conceituais. na próxima eu vou mais fundo, seco a garrafa antes de levantar da mesa e vou buscá-la no fundo do casco. ou fico curtindo aquele mal estar dos melhores dos meus vinte e poucos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;a conta, chefe&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;ela passou pra se despedir e eu fechei os olhos. a última imagem foi a das costas da porta, que me trancaram de vez no meu mundo particular. fui buscar vida, mas me vi morto. agora só completa meu copo também, bruno graziano. e não me venha com aspirinas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;o engov recusado&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;a tragédia anunciada, em algumas bebedeiras, é de um cinismo necessário sobretudo aqueles que no dia a dia sentem a pressão de ser o grande homem. ora, não há o grande homem que tome engov na vida e no copo. em tempos onde a eterna insatisfação nunca foi tão presente, o excesso nos é ao mesmo tempo a grande salvação e o vazio maior, irremediável. uns te oferecem o engov antes e depois, sabendo que o remedinho apaziguador de ressacas as vezes cumpre o papel de fuzilador da melancolia do dia seguinte. não questiono a boa intensão dos amigos, da família, ou do pudor próprio que vira e mexe nos abraça. difícil, ou mais que isso, improvável, é esse pudor ser consentido quando se tem no coração um turbilhão equivalente ao de uma guerra fria. digo fria, pois nada pior do que o ódio distante. dizem os mais velhos que nada mais grave e sublime que morrer por amor, e se hoje somos mais refinados, mais coesos com a morte, uma coisa não me sai da cabeça: se há o dia em que a morte por amor se transforma numa possibilidade real, é após uma noite como a de quarta. numa sintonia irônica de tão orgânica, alguns rapazes, patinando em seus vinte e poucos, amanheceram em plena quinta-feira nela, a obrigatória, indigesta e cavalar "ressaca fundamental".&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;tão bêbado que nem te vi&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;"mas bêbado de que?" eu me perguntava: "dela?" cogitava. após o choque de sentimentos, ali, abrupto de tão confuso. eu entrei e me prometi não procurá-la. no limite da embriaguez nossa visão cento e oitenta graus perde seu foco, perde sua lucidez e nisso eu me enganava de poder não vê-la, por mais que ela estivesse ali, em minha frente, com sua mão pequena e seu nariz ornamentalmente vistoso, arrumando um penteado recém-mudado (mudara para esquecer - e anda tentando mudar tudo para esquecer ) eu não a veria. era a única saída para que não levasse a patada odiosa que tanto machuca o peito. engraçado como hoje, onde um copo de água lhe vale mais que uma vitória do palmeiras, ele vê o quanto certas fragilidades praticam a vingança a si mesmo. o desdenho, o xingamento, o não-me-toque, dela para ele, mesmo que misturado em apenas um terço do copo com paixão, saudade, carinhos espectrais, são de uma potência equivalente a de uma pinga com groselha. a groselha tira o gosto da pinga com uma frustrante eficiência. a groselha é a intrusa do drink, e sempre será. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;dos tempos de whisky à lá cowboy&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;se me permite paulo silva junior, digo que quarta eu preferiria o conhaque sem limão. sim, sem limão. o azedo em minha boca não vingou e eu só desejava aquela dose de outrora, rotineira, dramática e por quê não sazonal? o azedo, para mim, era a vontade de sentir apenas um sabor, o dela, e me contentar com a secura afetiva semelhante ao que é meu lábio nesse dia seguinte do cão. além disso, não pude visualizar em frações de segundos, como numa virada de copo, todos os goles que demos um do outro, em nossos whiskys sem gelo. fomos cowboys um do outro. fomos direto ao ponto, e sentimos o gosto de nossas cevadas como horas e horas sentados no bar até cair, um ao lado do outro, no antro maior de toda lembrança eterna - a cama. é na cama que o sujeito promete coisas para além da vida e a morte, e é na cama que ocorre o cruel e insípido arrependimento, de não a ter nessa cama, alada com o peito junto ao seu com uma naturalidade irreal. a última cerveja, derradeira na geladeira vazia de quem mora sozinho, é o tempo do vislumbre de como seria a noite junto a ela. acordaria disposta a fazer o amor mais duradouro que o próprio dia, e após se debater nos seus braços sentindo o prazer do gozo amante (o gozo amante, antes que desdenhem, é a cura do vazio do sexo sem amor - e só ele cura). sairia da sempre sobrenatural cama bambaleando pro chuveiro, e de lá, urrando liztomania do phoenix, daria tempo gradual a gritaria sugerindo qual seria o menu do dia que se iniciava. você invadiria o chuveiro e se não repetissem a dose, irias lhe observar ensaboar o cabelo recém-lavado. você ensaboaria todo o resto, com a pegada firme que lhe é prazerosa, enquanto ganharia beijos úmidos no pescoço e sussurros de alguma outra música em inglês. antes de saírem pela porta com o sol raiando prestes a se enamorarem por vinte e quatro horas sem tédio, ainda falariam juras sinceras um ao outro, nus na sacada, acendendo um cigarro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;a ressaca como ela é&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;num garrancho incorrigível, lhe manuscreveu uma carta que talvez nunca será entregue. as palavras pulsaram sensatez. quão vã é a sensatez do dia seguinte. numa quantidade alcoólica que lhe fez esquece-la por uma noite, a esperança é, num otimismo recente, de que ela também se sinta assim algum dia. que sinta sua falta com o feérico da falta, das lembranças dos momentos fotográficos, cheios de filmes virgens babando de vontade de serem revelados, eternizando os momentos que dão algum sentido a todo o resto. a labuta do dia seguinte ornamenta a cura de uma possível depressão. a carreira dá o gás suado da alegria que por vezes foge da mente como um gato rebelde. os bons companheiros que nos seguem, cedem conselhos híbridos como abraços de meia hora. a falta nesse dia crítico é devastadora, mas só até o fim de tarde. é nele, com ou sem pôr-do-sol, que cai em nossa alma a sabedoria cinza que precisamos. sentimos a cicatrizarão de nosso corpo tinindo vontade, e exercitamos o melhorar e o olhar pra frente como um prato de comida na fome real.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;o vômito revitalizante&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;dá a angústia até de não poder limpar o vômito dela no seu banheiro. e um dos dois sempre vomitará. o vômito, e todo seu espantoso processo, é a catarse que poderia ser decretada por lei. na ressaca fundamental, o exato momento do vômito, e digo o exato momento que sai de você o que humanamente não deveria sair nem do mais perverso ser, eleva o sujeito ao que ele deveria ter a noção sempre - és um frágil, dependente da grande mulher. um tio meu, que por acaso morreu de cirrose, e amou a mesma mulher, sobre brigas e mais brigas, durante cinqüenta e um anos, vivia dizendo e nunca - e repito - nunca um grande homem vivera sem uma grande mulher por trás. hoje em dia, porém, se não andarem um ao lado do outro, nada feito. é assim que é e é assim que tem que ser. viva a atrocidade reflexiva que nos corrói após uma noite de líquidos acachapantes goela a baixo. é nesse dia que tudo, ou quase tudo, se mostra mais decente. somos, sóbrios, cada vez mais, assassinos da decência. um brinde ao eterno, seja ele onde estiver!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 20px; "&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;(Escrito em colaboração de Paulo Silva Junior, o possível notável)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-3419874024129099028?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/3419874024129099028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/3419874024129099028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/07/ressaca-fundamental.html' title='A RESSACA FUNDAMENTAL'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-6722482769353649226</id><published>2011-07-09T15:09:00.000-07:00</published><updated>2011-08-18T17:12:34.962-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bruno graziano crônica distância namoro relacionamento amor paixão ódio orgulho política'/><title type='text'>A POLÍTICA DA DISTÂNCIA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em tudo que imagino ter certeza, hoje, o mais exato é que o orgulho feminino é mais brutal que o ódio. "Mais brutal que o ódio!" Repito, agora com os braços erguidos, enfatizando. A convicção feminina, quando recheada de orgulho, com cobertura de obsessão, devasta toda uma cidade, preenche toda uma existência. Eu também tenho minhas obsessões, vejam vocês. Não sei se já perceberam, mas cito muito aqui duas figuras: Milton leal Neto, o amoroso expansivo, e Paulo Silva Junior, o possível notável. As tais figuras, se ainda não os despi neste espaço, são jornalistas. O primeiro, o único antigo jornalista em atividade daqui uns cinqüenta anos. Já o segundo, acorda diária.mente atordoado com a pressão nacional de criar o novo jornalismo. Juntos, são o jornalismo, nu e cru. Ultrapassada como o longa-metragem, a imprensa ainda nutre o âmago destes dois canalhas como papinha de nenê.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas não estou aqui para falar do jornalismo. Não me interessam, em algumas noites, coisas ultrapassadas. Há madrugadas, então, que esqueço de tudo que vivi. Fumo um careta na sacada e penso no futuro e só nele. Pelos meus olhos vislumbro uma Cerqueira Cesar à lá Jatsons, à lá feiras de tecnologia e suas invenções moderninhas. Se, por acaso, estiver tocando Frank Sinatra na vitrola, interrompo o giro da bolacha com rispidez (e quase a quebro) e coloco algum hit indie atual, quentinho. Mas, nisso, nem todos estão na mesma vibe. Sozinho - eu e o leitor - podemos estar onde quisermos, ser o que quisermos. (abro esse parênteses para exemplificar, que, sozinho, o sujeito se veste de mulher escondido, se masturba sete vezes num mesmo dia, escreve cartas de amor e as rasga, planeja a morte de um inimigo, anda pelado apenas de cachecol, canta sertanejo e, pasmem, imita pessoas com deficiência física invejando seu problema digo de dó).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estava definhando a solidão consentida. Sim, sozinhos, fazemos de tudo. Sozinhos somos mais "ficção" que qualquer multidão organizada. Pois bem. Estava eu sozinho com ojeriza do passado quando um amigo me ligou. Vi seu nome no bina e até sentei, tamanho o espanto: -Alô! Preferi me entregar a um pudor ao atender (vai que não era o amigo - mas minha vontade era de gritar seu nome, e emendar com um: -Não é possível! Que saudades!). Ele não teve o mesmo pudor: "Querido Grazi!" (ele me chama de Grazi) não deixou nem eu completar a alegria do encontro telefônico e já seguiu: "Quero contar as novidades!" Eu, que também tinha novidades, não poderia interromper aquela narrativa abundante que estaria por vir (o amigo é daqueles bons de histórias) e só reguei sua disposição: "Conta tudo! Meus ouvidos são de sua posse, por tempo indeterminado." Ele começou e não parou mais. E eu, calado e abrindo uma cerveja, fui de uma atenção quase católica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sei que estou fazendo certo suspense desnecessário, e já paro por aqui, pois o amigo não fez nenhum mistério, nenhuma lengalenga - foi sumário e sua confissão veio enriquecida de pontos de exclamação (impressão minha ou há uma escassez de pontos de exclamação no novo jornalismo? Seriam as faculdades ou os alunos? Quem está cavando o túmulo do pobre coitado ponto de exclamação?). "Estou jogando bola! Virei profissional." Dizia ele, uma hora. Eu abri um sorriso de contentamento ao ouvir sua manchete oral. O sonho do amigo sempre fora viver da bola, do passe, do gol. Resmunguei um "Quem bom, que bom!" baixinho e segui de ouvidos em sua fala: "Estou muito bem, é a realização de um sonho!" Confesso que eu poderia adquirir um tedioso cansaço daquela conversa, mas não houve, em nenhum instante, desdenho de minha parte pela felicidade do amigo. Ele contou como estava sua rotina, por, pelo menos, mais meia hora. E eu ouvi tudo, cada vez mais interessado. Quando terminou, perguntou, por educação, como eu estava, e depois daquele livro de efusão, não tive a coragem de lhe encher o saco com lamentações e problemas (não que eu tivesse só em lamentações e problemas, mas essa era, no dia, a minha manchete). Nos desejamos "Boa sorte!" e já com a saudade da despedida ele finalizou: "Estou em São Paulo, vamos marcar!" Não pensei duas vezes: "Está marcado!"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eis que na hora em que ouvi: "Estou em São Paulo...", não raciocinei a localização. Depois, uns cinco minutos depois, que lembrei: -O amigo mora em Minas Gerais. Saiu de São Paulo, à uns quatro anos, para estudar em alguma Federal, e estava se formando, pronto pro mercado de trabalho. Deu-me uma fissura de ligar de volta e questionar: -Mas está mesmo em São Paulo? Preferi ratea-lo no Facebook. Na rede social onde as intimidade pula como pipoca de Microondas, achei o perfil do amigo e descobri toda a farsa. Estava de fato morando em Minas Gerais e o futebol era, no máximo, seu hobby de fim de semana. Cursou, se não me engano, engenharia. Era engenharia mesmo sua atividade. Além disso, cem por cento dos contos animados do amigo foram desmentidos no estraga prazer Facebook. Fiquei encabulado, admito, mas não procurei mais o amigo para o esclarecimento. No dia seguinte, quando vi Milton leal online, fui direto nele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desbravando o mundo com uma ferocidade Tazmaníaca, o amoroso expansivo tem, mais que qualquer outro, novidades. Cada e-mail que mando  - ou simplesmente uma mensagem - querendo saber seu paradeiro, sua reportagem de si próprio, vem de uma ansiedade do texto gigante (imagino que cada resposta de Bokka virá com um mínimo de dez mil toques). Entre rapidinhas, no entanto, não resisti em saber como andava suas atrocidades sexuais, afetivas. A surpresa, já antecipo, foi sua solidez na resposta: "Estou casado! Pretendo até ter filhos." Aturdido, aquilo me fez suar frio, em frente ao computador. "Casado? Filhos?" Era a tradução de meus olhos arregalados. "Mas com quem? Russa? Africana? Japa? Escandinava? Conta tudo!" Sim, sou curioso, sempre quero saber mais - quero os detalhes que os amigos escondem na cueca, no bolso e na alma. E o mochileiro irremediável apenas sacou o baque (baque só para mim): "Não, cara, estou casado com a única morena do Brasil!" &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não posso citar nomes e muito menos a sordidez real da declaração, mas uma coisa eu tenho que simbolizar: - Trata-se de uma cena que estaria para acontecer, acima de qualquer destino vão, só daqui uns cinco, dez anos. Segui perguntando, repetidamente: "Casado? Com filhos?" e ele: "A única morena do Brasil, minha mulher, mãe dos meus filhos!" Quem nos conhece, entende o  absurdo disso tudo. À míseros seis meses atrás, quem seria o casado, o pai, era eu. Milton Leal seria o solteirão eterno, o colecionador de paixões. Ele contou um pouco mais de seu casamento e eu matutava, comigo mesmo: -Que inversão. Seis meses depois, eu sou o solteirão, e ele o casado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eis que, novamente no Facebook, eu encontrei toda a farsa, toda a alucinação. Não estava casado o amoroso expansivo e a única morena do Brasil nem sabia que já fora noiva, de véu e grinalda, em algum altar. Pensei: "A coisa está ficando séria, estão todos enlouquecendo!" E decidi procurar Paulo Silva Junior, o caipira fundamental. Me indigna, as vezes, a eloqüência sábia de Paulo Silva. Em off, conto-lhes que quando me abri com o caipira sobre o fim do relacionamento, ele me lançou um conselho daqueles de desdobrar o peão: "Pense no pior do melhor, e ria para não chorar!" Assim como vocês, também não entendi: "Explique melhor!" E ele, educadamente, explicou: "O que é o melhor? Vocês dois deitados numa cama, juntos!" Concordei: "Sim, sim, mas e ai?" E ele seguiu: "Pense, então, que tem outro peidando do seu lado da cama. E um peido mais fedido que o seu! Ela vai sentir o cheiro do peido do outro e vai lembrar do teu, muito mais saboroso, muito mais mais floral!".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi isso que ele me falou. Com essas palavras, que o português proporciona. Eu entendi o ponto e tive que reafirmar seu pensamento: "O meu é mais floral..." Mas, não foi só sobre fins de relacionamentos que conversamos. Cogitando alguma saída abrupta de São Paulo, esse inferno de demônios vaginais, listamos destinos e ele, numa hora, disse: "Vamos pra Dublin!" Não sei o porquê, mas esqueci onde fica Dublin. Joguei no google e vi que ficava na Irlanda. Retruquei: "Bicho, Dublin não é no Brasil!" E ele apenas ironizou: "Fica sim, poxa, ali, do lado de Campinas Piracicaba." E lá fui eu retornar ao google para precisar a localização da tal Dublin. Eu estava certo. Dublin fica na Irlanda, e mais, Dublin é a capital da Irlanda. Mas não bastava eu insistir, o possível notável queria porquê queria ir de carro para Dublin, "que fica ali perto de Piracicaba".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era fim de tarde e eu não entendia nada. Nada mesmo. Todos estavam desatinados, dementes, imergidos em outro tempo, em outro lugar, em outra era, em outro espectro sentimental. Eu era, entre todos os amigos, o único lúcido, o único esclarecido em minha condição. Aquilo me comeu a convivência e eu não conseguias mais conversar com ninguém. Já imaginava que toda a humanidade, ali, estava insana. Foi ai que lembrei que eu ainda pensava na quebradeira com audiência de VMB.  Este era meu desatino, meu delírio. Pensava, logicamente, pois fomos namorados. O fim, se não me engano, veio a pouco mais de um mês. Para meu espanto maior do mundo, no exato segundo que pensava nela, ela me ligou: "Quer beber uma?" Já sem sanidade, fui. E no diálogo correndo, ela me confessou: "Chegaram em mim!" Fiz uma expressão séria e pensei: "Ih rapaiz!" Ela prosseguiu: "Usava jaqueta de couro!" Eu lhe cortei: "Em jaquetas de couro não se confia!" Ela ignorou e seguiu: "Dei fora. Disse que estava cega, que não enxergava se era bonito ou não, e lhe empurrou." Ele saiu fora e resmungou, com alguma crueldade: "Ceguinha!" Ainda lhe pressionei se negou pois ainda gostava de mim. A máxima me veio seca: "Não!" E terminamos com um olhar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que eu queria dizer desde o início é: certas distância exigem políticas, das mais drásticas, das mais devastadoras. Na política da distância, ou somos Lula ou somos Serra. Ou escolhemos um lado e vamos até o fim, ou ficamos em cima do muro, para sempre. É muito mais fácil, externamente, ser Serra. Mas, na consciência, e acima dela, no coração, ser Lula, com todo seu cinismo descarado, é mais afável. Luciano Costa já me corrige: "Lula também fica em cima do Muro, e Serra também escolhe lados. Sem maniqueismo!" Concordo com o literário bebasso. O que se conclui, em cima do muro, mas se querendo assumir um lado, é que certas relações estão fadadas ao delírio, ao desvairo. Casais ficarão separados querendo estar juntos, sujeitos deixarão suas carreiras enamorados por estas carreiras, lugares permanecerão no cabra mesmo o cabra nunca mais voltando lá. Cabe a todos urrarem a política que se cria, e viver com ela. Mas esta política é raza e corrosiva, mesmo necessária, como a escolha de ministros no começo de um governo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-6722482769353649226?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/6722482769353649226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/6722482769353649226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/07/politica-da-distancia.html' title='A POLÍTICA DA DISTÂNCIA'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-2330619937394401720</id><published>2011-07-03T21:39:00.000-07:00</published><updated>2011-08-27T11:40:52.813-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='camile liguori reconquista amor paixão bruno graziano serenata namoro término fim'/><title type='text'>O DOCE NIILISTA</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;iframe width="412" height="261" src="http://www.youtube.com/embed/wA0rrlV8Oyk?hd=1" frameborder="0" allowfullscreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:Georgia, serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Na minha infância, e digo na infância real, com sete anos, presenciei a história de um casal de namorados. Eles trabalhavam no Colégio Renovação, o moderninho instituto de ensino onde estudei e sobretudo onde minha mãe trabalhou (só lá estudei porque lá ela trabalhava). Eram irresponsáveis como dois torcedores de organizada. Um era faxineiro e a outra era professora assistente. Na escola, foram de um estrondo ao mesmo tempo comovente e desesperador. Há o pensamento - ou a lenda - de que tudo que acontece com o sujeito até os seis anos de idade fica nele até o fim de seus dias (e depois deles). Eu tinha sete, mas poderia ter seis. A matemática, aqui, é de uma desimportância célebre e transbordada de idiossincrasi&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;a. O que quero de fato dizer é: certas lembranças escoltam o sujeito como fãs de Restart, de Beatles, de Roberto Carlos. Os momentos fotográficos que presenciamos quando pitocos revelam-se continuamente, martelando algum sentido, alguma acepção que às vezes - ou quase nunca - é indeferida. E o sujeito segue sua vida, almoçando macarrão com almôndegas e dormindo em travesseiros diversos (de pena de ganso à algodão). Não importa o travesseiro que durma, o fato lembrado estará em sua mente enraizado como um Pau-Brasil.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Fiz toda essa introdução nostálgica para chegar em Jorge Maia, o doce niilista. O ideal, o natural, seria seguir com uma cronologia narrativa, aqui neste petardo. Mas isto seria de uma obviedade tediosa. E hoje (ou melhor, neste exato momento), fujo do tédio com o âmago de um Milton Leal, o amoroso expansivo. Pontuei Milton Leal, o amoroso expansivo, e Jorge Maia, o doce niilista, e senti vontade também de escrever sobre Everton Oliveira, o coração de fotômetro. "Um de cada vez, um de cada vez!" Me pressiona Murilo Costa, o nobre babaca (babaca, nos dias de hoje, pode e deve ser elogio). Paulo Silva Junior, o possível notável, também me breca a ênfase: "Segura o brilho, champa!"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Ontem (ou pode ter sido anteontem e é mais provável que tenha sido a uns dois dias atrás), foi o dia mais triste do ano. Peço desculpas de antemão ao leitor por qualquer forçação de barra sentimental, mas o fato é que ontem, sim, foi o dia mais triste do ano para mim. São Paulo anda numa melancolia nebulosa das mais vorazes. Saio do metrô Consolação e vejo Londres, ali na minha frente (imagino que seja Londres, nunca pisei em Londres, e, male male, pisei fora de São Paulo). Porém, o que tenho certeza é que haviam, numa sincroniza louvável, muitos outros tristes, andando pela metrópole. Uma hora, não me agüentei e parei para o cigarro substancial - nisso observei a todos, um por um, que passavam por mim. Eram tristes, e, se estou exagerando, estavam tristes. Por cinco minutos, vislumbrei um suicídio coletivo, um massacre de giletes no pulso, de venenos de rato. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Paro com a ilusão tristonha e lembro que, triste, bati na porta de Jorge Maia, o doce niilista. Para os que não sabem, moramos divididos por um único concreto, por um único cimento. Somos vizinhos, morando em "apertamentos" aconchegantes e gélidos, no coração da Cerqueia Cesar, o bairro onde a Augusta quer ser Haddock Lobo e a Haddock Lobo quer ser Augusta. Fui lhe narrar minha tragédia recente. Todos nós, por mais ferozmente alegres, por mais marketeiros da efusão de Facebook que somos, temos nossas tragédias recentes. A minha, conto-lhes, foi o fim de um namoro. Mas não um namoro de depoimento de Orkut. Fora um namoro real, com ódio, amor, obsessão e exagero. Todo namoro, a meu ver, tem de haver amor, ódio, obsessão e exagero, se não não é namoro. É, vá lá, um casinho. Estamos numa época onde o pudor é vigente e obrigatório. Nascemos tendo a pressão do correto, do ameno, do regulado, do medíocre.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Saibam que acabo de assistir "Meia-noite em Paris". A conclusão, ao final da sessão, foi de que ali nascia um novo Woody Allen. Uns podem me contestar dizendo que: "Não se nasce novamente aos setenta e seis anos!" Discordo, em meu pedantismo, e afirmo que pode, sim. Após sei lá quantos filmes, após sei lá quantas neuroses, assisti a deliciosa comédia absurda e a todo instante repetia para mim mesmo: -É o novo Allen! O Allen de antes, foi o ex-Allen, e portanto, fora o anti-Allen (permitam-me admitir que roubei o termo de Nelson Rodrigues). O cineasta derrotista e auto-indulgente, por mais auto-deboche que tivesse, não chega aos pés do "novo Woody". "Meia-noite em Paris" é, acima de tudo, a anti-negação. Trata-se, com um otimismo decretado, de um petardo sobre a "eterna insatisfação". Sei que estou dizendo o que todos viram, mas a importância dessa noção deve ser repetida e novamente repetida, para que percebamos. Queremos o passado, ou o futuro, ou o distante, ou o perdido. A insatisfação é nosso mote, nossa sina, nossa mágoa e nosso prazer. Eu estou insatisfeito, você está, e todos estamos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Me exaltei nessa pretensão humana e não nego: -Gostaria de estar em outra época ou em outro lugar. Já antecipo que nada tem à ver com São Paulo. Ou talvez tenha. Digo isso pois o doce niilista, me servindo uma dose de cachaça, foi de uma sinceridade lírica: "A mulher é um demônio. E São Paulo é seu inferno!" Na hora aquilo me veio com um tempero de rancor, de raiva. Mas, após beber o primeiro gole da cachaça, repeti sussurrando: "O demônio..."&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Antes que todas as mulheres que me lêem atirem pedras imaginárias em minha cabeça, tenho que pontificar o pensamento: -É sim, um demônio. Nos dão o que nenhum céu, o que nenhum Deus nunca nos deu, e uma hora nos tira. "Sem mais nem menos, nos tira". Ainda rebolou a continuação, o doce niilista: "Vê no Interior, lá também tem demônios, mas não tem o inferno!" Daí, mesmo sem entender, adquiri um interesse dos mais severos. Pedi que proseguisse e ele, gentilmente, prosseguiu: "Sou de Guaxupé! (o doce niilista veio dos confins de Guaxupé) Lá, a mulher também é o demônio, mas sem inferno. Entende? Um demônio sem inferno é um demônio indefeso, inocente. O problema não é o demônio. Ninguém vive sem demônios. O problema é o inferno, esse sim!" Tragou e houve um replay da própria verdade: "Esse sim!"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;A conversa durou mais umas duas horas e, entes de ir ao banheiro, me confessou mais uma opinião, o doce niilista: "Tenha problemas! Essa é a solução!" Levantou e foi até o banheiro. Nisso, fiquei sentado em seu sofá carregado de solidão. Uma solidão curta e passageira. Nela, entendi todo o juízo proferido pelo amigo. Queria ele dizer que a mulher não pode e nunca pode ser o maior problema da vida de um homem. Talvez pareça simplista e repetitivo, o raciocínio, mas paciência. Cada um enxerga em sua hora, em seu tempo. Ali, soterrado no sofá, entendi que a culpa é toda nossa. Nossa e de mais ninguém. Nossa, digo, dos homens. O demônio só é problema para quem tem medo dele, para quem o teme. Quem o trata com lucidez, com audácia e até uma certa fascinação, o tem como ícone, como paixão, o ganha. Sendo assim, o demônio de antes se torna o prazer de agora. E, também, nem quero me referir a mulher como demônio. Prefiro chama-las de "petardos de um encantamento". Sem petardo, nada somos. Mas um petardo é sempre um petardo, e cabe a nós lhe dar alternativas a convivência. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;O casal de namorados do colégio Renovação não sai da minha memória, porque, de uma hora para outra, largaram tudo. Empregos, família, amigos - tudo. Todos os dias eu esperava minha mãe sair das aulas de balé que dava, para ir embora. Era paparicado pelo casal, que me pedia, sempre, para fazer contas matemáticas de cabeça (com sete anos, eu sabia mais de matemática que hoje). E de um dia para o outro, senti falta deles e os procurei. Alguém me disse que tinham abandonado tudo para ficarem juntos. Tinham fugido de São Paulo para viverem em seu amor desenfreado. Aquilo me foi um direto de esquerda. Com sete anos, mal sabia eu o que era sexo, o que era amor. No entanto, me fascinava duas pessoas fugirem do mundo (eu imaginava que se podia fugir do mundo real) para viverem juntas, e só elas, sem mais ninguém, em algum lugar. Todos os dias, ele lhe daria um "Bicho de Pé" e um Doritos, e todas as noites, ela molharia seu chinelo depois do banho e lhe faria um carinho no peito. Isso só é possível, para um casal, quando não tem mais ninguém em volta, mais ninguém para ser coadjuvante. Nascia ali minha utopia, meu idílico sonho. O problema, eu conto no próximo parágrafo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Uns tem sangue Italiano, outras tem o gênio forte. "Falta de amor?" ouvi alguma leitora curiosa. Declaro: -Tudo, menos falta de amor. De certo - e muitos irão se identificar - diversos namoros acabam por vários motivos, menos por falta de amor. Nelson Rodrigues (creio que já citei ele nesse texto, e se citei, me perdoem) tem uma frase fundamental que diz que: "Num relacionamento, o único motivo real pro fim é a falta de amor!" Pode até estar certo o anjo pornográfico, mas ele era carioca. Um Parisiense, um Carioca, um Baiano, não sabe nada de São Paulo. Em Sampa, tudo é mais seco, mais resmungável, mais "questionável". No "inferno" que diz ser Jorge Maia, sobre São Paulo, amar é um duelo. O amor não basta para dois enamorados apaixonados e uma discussão ofendedora é capaz de selar um fim. Uns seguem a vida, outros não. Uns acham outro ou outra, outros não. Uns sorriem, conseguem sorrir, saem e bebem, outros não. Sorte de quem sai e esconde a própria angústia num grito de felicidade. Ou não.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;A culpa é nossa. Ando imaginando se há, em nossa São Paulo, um homem que tenha uma grande mulher e a faça feliz. Já li em algum lugar que: "A grande mulher deve ser reconquistada todos os dias, e é o mínimo." Não que eu discorde, mas também fico imaginando se Serge Gainsbourg nunca deu um tapa na cara de Jane Birkin, se nunca lhe ofendeu com a proeza de um Datena. "Meia-noite em Paris" fala exatamente sobre isso - os mitos só são mitos pois não conhecemos sua intimidade. Ninguém resiste a intimidade, para o bem e para o mau. Resta à intimidade, então, minha admiração. A intimidade da grande mulher tem de ser sofrida, tem de ser reconquistada, todos os dias. E o que assim não fizer, que fique sem a grande mulher. "Mas elas querem o grande homem!" Lembro agora que Jorge Maia também urrou. "E ser o grande homem anda complicado..." Tristemente completou. Sei que torço, enfim, pelo não-fim do amor, que sobrevive a tudo e a todos. Até ter essa certeza, serei, como Jorge Maia, um doce niilista. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-2330619937394401720?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/2330619937394401720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/2330619937394401720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/07/o-doce-niilista.html' title='O DOCE NIILISTA'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/wA0rrlV8Oyk/default.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-5439747730423090415</id><published>2011-06-26T14:56:00.000-07:00</published><updated>2011-08-18T17:12:55.613-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='namorada são paulo homem mulher camile liguori bruno graziano marcha da liberdade canelas'/><title type='text'>NARIZINHO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ouvi alguma vez que houve um tempo onde o pudor era vivo. Não me lembro quem disse e muito menos que tempo era esse. Sei, por livros de história, que o homem já desejou a canela da mulher com o âmago de uma criança em visão de sua primeira bunda bronzeada. Nesse desejo, a nudez era de um trunfo menor, quase que automático. Ter a nudez da mulher era o natural destino para aqueles que conseguissem ver por além do vestido - a canela. Um umbigo, então, foi coisa da modernidade. Em crônica da década de cinqüenta já me foi expelido que o umbigo era um charme quentinho, novo. Volto ao tempo das canelas sedutoras (que século? alguém me ajuda? dezenove? dezoito?), onde era normal um homem ser apenas de uma mulher e uma mulher de apenas um homem. Esse tempo acabou. Mas isso é óbvio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uns já, risonhamente, balançam a cabeça desdenhando de minha introdução: "Antes já traíam! Antes já traíam!" De fato, é aceitável e inteligente de nossa parte crermos que a traição é algo antigo, milenar. Não nos faltam provas e muito menos relatos. Vejam só a bíblia e também o gibi da Mônica. Mais de três séculos de diferença incólume e espectral entre as duas escritas (os gibis da Mônicas tem a vantagem da imagem, há de se ressaltar), e ambas tratam do assunto saboroso e sagaz - a traição. Digo isso e nem me lembro realmente se há a traição de homem e mulher nos gibis da Mônica. O que eu queria no entanto dizer é: o jovem de hoje tem sérios problemas. Digo a todos que essa semana mesmo me encontrei com um amigo carioca. O colega da cidade mais lesk do globo veio por diversas vezes para a frígida Sampa, e ainda sim nunca conseguimos nos encontrar. Antes, há um detalhe: só éramos conhecidos cybernéticos, e nossa única apresentação foi realmente a de avatares, de links, de abas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sou do tempo (a década de noventa já é história, antiquada e esquecida) onde a única maneira de cumprimentar uma pessoa, em tempo real, era com um "Alô", com um "Olá". E cresci carregando certa cerimônia e apego pelo aperto de mão. Gosto de apertar a mão, aprecio seu ritual e confesso, um aperto de mão, dependendo de seu jeito, de sua intensidade, pode causar uma Guerra Fria, e em tempos atuais, pode mudar um sexo. Pois bem. O colega avisou que estaria por perto e logo disse: "Bebemos onde?" Fui direto e reto: "No Charm!". O Charm, para quem não sabe, é a Grécia antiga da Cerqueira Cesar. Na atual esquina do despudor, não dificilmente encontramos novos Aristóteles, novos Ptolomeus, novos Platões. É a nova pensadoria em meio a pileques rotineiros. E, se havia de ser o primeiro encontro com um conhecido que "pensa" (coloco as aspas por puro apego estilístico, pois quis mesmo dizer que trata-se de um amigo esperto, antenado). Ele chegou antes (pra variar) e começamos o papo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Escrevi a pouco que "...o jovem de hoje tem sérios problemas..." e ainda vou me explicar) "Somos a nova geração!" Bebeu um gole e já me colocou na parede com tal afirmação. Fui defensivo e apenas balbuciei: "Quem sabe?" Ele abaixou o tom e foi convicto: "Temos que ser. Se não, quem será?" Arregalei os olhos e mesmo sem uma resposta pronta, me equilibrei numa: "Acredito nos possíveis notáveis, admito." Nessa, fumei uns três cigarros e bebemos uns cinco cascos. Estávamos já indeliberados em roupões gregos, segurando nossa própria teoria existencial, nossa própria constatação sociológica. Pedi a permissão de lhe ofuscar certo otimismo (na verdade, não pedi a permissão): -Não há ainda uma "nova" geração. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi um espanto. Ele, incrédulo de tamanha rabugentisse paulistana (e eu já tinha lhe avisado que o paulistano costuma desabrasileirar o carioca), foi de uma notável indignação. Continuei: -Olhe para nós - trabalhamos com internet. Ele me interrompeu com certa alegoria: "Exato! A Internet! Está ai a nova geração. Somos nós." Tive que acender outro cigarro e tentei resumir: "Na internet nada é geração, na internet nada é mito, nada é de fato algo." Não sei se fui claro e agora eu acho que não fui claro, mas o amigo fingiu que entendeu e seguiu em sua convicção: "Gosto da internet. Boto fé nela e acredito que ainda vamos dominá-la." Respirei fundo e segui numa latente meditação confusa: -Olha, a internet é a várzea. Ninguém vislumbra a internet como vislumbra um Palmeiras, um Cruzeiro. A internet é a várzea, só isso. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O papo seguiu sem muita concordância e eu já via a imagem minha e do colega como dois vendedores de jornais das antigas. Eu, fracassado em minha obsessão, com uma lata de filme nas mãos e urrando para o mundo: "Quem quer noventa minutos? Pechinha!" e ele, com uma fila de jovens lhe fazendo a volta no quarteirão, urrando seu produto. Ele dizia: "Webséries! quatro minutos, no máximo, é aqui comigo!" e equilibrava seu Macbook Pro na mão direita, enquanto enriquecia pela mão esquerda. Havia em minha alucinação um quê de cinismo, de sarcasmo. O que de fato acontece é que eu e esse amigo vivemos de internet, nos sustentamos de internet, temos Macs, fazemos webséries e ainda vamos fazer por algum tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que nos diferencia, na luz do evidente, é que ele acredita na internet e eu não. Simples assim. Ele sim, eu não. Porém, tive que concordar que o "longa-metragem" é um formato ultrapassado, assim como o jornalismo. Um "Tropa de Elite" vem uma vez por década, no máximo. Cresci tendo a noção de que um filme muda uma nação, de que um filme muda uma era. E que vinham filmes assim todos os anos, ou até dois ou três por ano. Hoje, um "Tropa de Elite" é cuspido de década em década, e vá lá. Nisso, um meme pára a atenção de uma tarde mundial com a força de uma Marilyn Monroe. Uma websérie, como o amigo levantou do começo ao fim, é o "novo" longa-metragem. Talvez o amigo esteja certo e eu esteja errado. Paciência, muita paciência, para mim. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que quero dizer é: nossos jovens gostam de acreditar que a internet tem "o poder". Antes que me acusem de implicância, de inquisição para a pouca idade conectada, notemos o que houve na "Marcha da Liberdade". Fui lá como voyeur assumido e de quebra levei uma câmera. Em meio a caça de cliques de barbárie, de registros de prédios tomados, de carros queimados, de policiais endiabrados batendo em tudo e em todos, o que vi foi uma marcha florida e calma. Para meu assombro ao avesso, aquilo parecia uma passeata "profissional". Era de uma organização ferrenha, católica até, convenhamos. O que me estava a frente dos olhos era um evento que parecia ocorrer todos os dias. E em tudo que é diário, rotineiro, há tédio. E o tédio tomou conta dos cerca de seis mil presentes. Uns olhavam pro relógio e espreguiçavam, após se esgoelarem entre gritos como: "Diga não à ditadura... em 2011 ainda há censura!" E a milícia, com rosas no bolso e pedindo "por favor", também olhava pro relógio e se espreguiçava. Depois pedia mais um: "Por favor!"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deu seis horas e eu já vislumbrava um daqueles sinais de colégio, apitando em plena Rua Consolação, onde todos os manifestantes pegavam suas mochilas, todos os gambés pegavam suas lancheiras, e iam para as calçadas esperarem suas mães para irem embora. Uns foram de Ônibus escolares e os mais independentes pegaram sua rota de casa no corredor do transporte público. No dia seguinte, estariam ali, no mesmo horário e mesmo lugar, para refazer o trajeto (porém haveria horário do lanche e até hora do soninho).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem, no entanto, se frustrou mais com a falta da barbárie, não fui eu, e sim os próprios manifestantes. Na pré, ouvi de pelo menos uns vinte: "Toma cuidado, hoje vai ter porrada!" ou "Se vierem bater, cobre o rosto. Toma na perna, mas cobre o rosto!" Era um cuidado, uma precaução de mãe, que os jovens detinham com o próprio corpo e dos amigos. Todos queriam a história ali, naquele dia, todos queriam a revolução. Mas todo o ódio, todo o espírito revolucionário, ficou na banda larga. Nos facebooks da vida, nos twitters, eram onipresentes as ameaças, as mensagens de coragem, de incentivo: "Vamos para as ruas! É agora ou nunca!" Fizeram banners, posts, comunidades e etc e tal. Na rua, enfim, ninguém fez nada. Apenas gritaram e se espreguiçaram. Havia uma criança, mais precisamente uma menininha loira e encantadora, que também gritava, apoiada nos ombros da mãe. Uma hora, sem mais nem menos, ela se espreguiçou junto à massa e pediu para sua mamãe para ir embora. Elas saíram, um policial as ajudou e ainda sorriu para a cansada garota, e foram embora. Chegando em casa, deve ter assistido algum desenho animado, ou até comido Sucrilhos com leite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo se resume a ir para a rua. Cada vez menos, vamos a rua. Quando pimpolho, lembro-me que quando o videogame, a televisão e a pelada na rua me entediavam, eu ia para a barbearia da rua, ouvir. Os portugueses que tocavam a barbearia puxavam papo, me perguntavam, me mimavam, mas eu gostava mesmo é de ouvir sua histórias, suas piadas. A passeata nada mais é que a chance de ir a rua. A internet pode trazer tudo, menos a rua, e está nela o sonho do jovem atual. Queremos a rua, almejamos a rua, invejamos a rua, odiamos a rua e dizem uns que podemos amar a rua.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem, sonhei com uma mulher. Era um tempo desconhecido, e uma cidade tão misteriosa quanto. Só sei que ela tinha um narigão (ou melhor, um "narizinho"). Era linda, morena, e tinha uma napa vistosa e clarividente. Era jovem e queria casar com um jovem. Eram centenas, talvez milhares de pretendentes. Contudo, ela só se entregaria para um único homem. O detalhe estava em suas canelas. Estavam à mostra. E os pretendentes, pasmem, desejavam uma mulher de canelas virgens, inéditas. Queriam o que se vendia no mundo: "Canelas virgens é o que vale! Canelas virgens são a mulher ideal!" E um à um, foram negando aquelas canelas explícitas. No fim da fila, estava um pretendente que não foi embora. Chegou perto da magistral "narizinho" e lhe observou. Contudo, ele tinha uma face engraçada. Ela não se agüentou (até então, estava séria) e caiu na gargalhada, debochando do rosto hilário do pretendente. Ele, nisso, tirou uma faca do bolso, segurou a panturrilha da moça e lhe cortou as meias-calças. E pela primeira vez, um homem viu de fato aquelas canelas femininas. O pecado dele foi, vejam só vocês, ter lhe cortado a pele. Lhe feriu, num corte pequenino, mas que estava lhe doendo na carne. Foi o bastante. Ela virou as costas e se foi. O jovem pretendente apenas a viu partir e sentou-se, no próprio calcanhar. Chorou, como um menino, e se arrependeu profundamente de não ter tocado naquelas canelas desde quando era de fato um menino. Talvez ela o perdoasse, talvez não. Independente, nascia ali, para todo o sempre, uma paixão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-5439747730423090415?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/5439747730423090415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/5439747730423090415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/06/narizinho.html' title='NARIZINHO'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-4551923111950961394</id><published>2011-06-16T15:47:00.000-07:00</published><updated>2011-08-18T17:13:21.722-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica amor namoro brasil de lula paulo silva junior colégio são luis mendigo'/><title type='text'>GATORADE DE ESGOTO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poderia agora falar sobre namoros, mesmo não querendo. Pois, numa coceira vil que me consome, falarei um bocadinho. Não existem mais namorados que fogem juntos, por amor. Definitivamente, trata-se de uma utopia moderna. Talvez (posso estar sendo pedante), ainda haja em países extremos, em pátrias como a Tailândia, como a Argentina, como a Itália. Só que, em nosso Brasil ostensivo de uma classe média comedora de requeijão no café da manhã, não há. Uns já me confrontam peito a peito e balbuciam: "Não é pra tanto! Nem de longe..."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Moro perto do colégio São Luis, aqui na província de Cerqueira Cesar, onde a Haddock Lobo que ser Augusta, e a Augusta quer ser Haddock Lobo. Tradicional como requeijão Catupiry, a escola de jesuítas e seu uniforme azul quase roxo me salienta espasmos de curiosidade a cada pernada próxima. Diária-mente, a caminho do metrô Consolação, passo pelo colégio São Luis - abre parênteses - antes, eu subia pela Augusta - hoje, subo pela Haddock Lobo - fecha parênteses. Pois semana passada (quem sabe, ainda foi nessa, ontem mesmo), estava eu acendendo um cigarro matinal quando fui surpreendido por uma confusão. Pausa. Como todo brasileiro, tenho um prazer abrupto e sazonal por confusões urbanas. Paro e vejo, paro e me torno o maior dos voyeurs numa simples e rotineira confusão. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma mãe puxava a filha, com a força de um touro marroquino, e urrava: "Não permito, de jeito nenhum!" O segurança, em seu uniforme impecável (os seguranças do São Luis ostentam a nostalgia do uniforme impecável), tentava porque tentava amenizar a discussão. Resumo o fato: -A filha da madame estava se atracando com seu namoradinho, na frente do colégio. Eis o detalhe: tinham, no máximo, onze anos. A moçoila nem peitolas tinha. O pituco, de fato, carregava suas canelas lisas como bunda de neném para um lado e para o outro, nervoso em seu primeiro petardo amoroso (chuto ser o primeiro). O detalhe esteve, no entanto, na garota - reagiu. Dificultava as puxadas ferozes de sua mãe e ainda achava forças para o escândalo: "Eu quero ficar com ele. Eu gosto dele!". Confesso, nutrido de um despudor, que as súplicas daquela nova cachopa me amanciaram o peito, me acalantaram a alma. Cada vez mais rara a moça inescrupulosa, que daria o útero para ficar ao lado do bem amado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mal sabia ela que ele, nem de longe, seria seu único, seu maior (talvez fosse). Eis que numa inexperiência saborosa, relinchava as palavras, repetidamente: "Quero ele, quero ficar com ele!" Pois bem, vamos onde devo chegar. A mãe ganhou a luta e carregou sua cria para o próprio lar, na certa, para lhe palmar a bunda. O garoto, amparado por ninguém, segurou o choro com uma hombridade ao mesmo tempo ridícula e egrégria. Nisso, estava eu do outro lado da rua. Foi o tempo de um cigarro. Segui para o trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes, tenho que finalizar (não agüento mais falar de namoros, estou com ojeriza do "amor" atual, do "amor" de nossa era). No dia seguinte, corria para secar o atraso diário à hora marcada de um compromisso, quando avisto o segurança do dia anterior. Não me contive, não me suportei. Tive que lhe puxar o papo, lhe angariar a informação necessária. Posei ao seu lado e pedi um isqueiro. Ele não tinha. Mesmo assim, acionei uma cara de pau que me emoldura em certas ocasiões e lancei: "Que deu ontem?" Ele não sabia do que se tratava: "Do que está falando?" Expliquei que vi tudo, com meus próprios olhos e fui direto: "Quero saber, qual foi a conclusão?" O sentinela estudantil me explicou, sem grandes detalhes, o óbvio - foram proibidos de ficarem juntos. Teceu ainda um comentário "sisudo", com a seriedade de quem obedece a pais e diretores, todos os dias: "Justo! Merecido!" Vejam bem, caros, aquele casal em formação acatou a ordem dos que cortam o amor pela raiz. Há a possibilidade de estarem se encontrando as escondidas, não sei, num banheiro sujo de boteco do Centro, com seus uniformes azul quase roxo e o recém-nascido tesão de vaca impregnando seus corpos inéditos como um novo filme do Woody Allen. De certo, não fugiram juntos. Ninguém mais, no Brasil, com onze, trinta ou setenta, foge junto ao amor proibido. Espero estar errado, mas sem o desejo, no casal, de ficar junto, e só junto, sem o mundo ao redor, para todo o sempre, não há amor. Se souberem de alguém, me avisem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Paulo Silva Junior voltou ao Brasil. Depois da coxinha glamurosa, depois da pelada essencial, Paulo Silva Junior foi pro bar, secar doses de conhaque com limão e cerveja pilsen. Chamou a todos - ou melhor - ordenou a todos a comparecerem em seu retorno triunfal. E lá no Miranda, estávamos eu, Ricardo Casarin, Luciano Costa, Rafael Nardini, Bruno Dias, Lucas Borges e outros (não lembro se tinham outros, me desculpem). O ex-caipira de Galway deveria ter, no mínimo, um livro inteiro de causos pitorescos para contar. Uma hora, levantou para dizer as palavras fundamentais. Era o resumo astuto de sua viagem. Todos entraram, ao mesmo tempo, no maior suspense de toda rua Augusta. Aguardávamos aquele discurso com um âmago de alunos estudiosos, babando de tanta curiosidade. Queríamos (quase abraçados), a verdade dionisíaca daquela odisséia. Ele, antes, bebeu um gole vistoso de conhaque. Iria falar. Abriu os braços e vociferou: "O Lula é uma farsa!" Houve um silêncio. Admite-se que, de sopetão, a frase não foi clara nem para o mais sóbrio. O duro era a expectativa. Numa inércia irresponsável, quase levantei e também gritei: "O Lula é uma farsa!" Após a percepção mais sadia do coice do possível notável, uns, na mesa, até levantaram o indicador e confirmando a idéia: "O Lula é uma farsa!"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Notem o drama: o sujeito sai do país bradando até para a namorada na cama: "É o Brasil de Lula!" e retorna relinchando com a boca torta: "O Lula é uma farsa!" O que haveria de ter ocorrido na estadia gélida e cheia de peripércias de Paulo Silva Junior pela glacial Irlanda e arredores? Teria se espantado com a classe média gigantesca e organizada de uma Espanha? Teria padronizado seu gosto sexual só por italianas? Teria adulado sua consciência e preferido uma nação hodierna em suas liberações como a Holanda? Teria sido abduzido pelo finesse francês, desejando algo para passar no pão que não seja o requiejão (e a menosprezada manteiga)? Teria se sentido um jovem ilustrado e modelo na Inglaterra? Teria almejado a velhice catedral em Portugal? Não sei. Apenas tivemos o grunhido rabugento: "O Lula é uma farsa!" Ainda citou algumas comparações, do tipo: "Foi como se contratássemos o Valdívia e tivéssemos o Dayvid Saconni!"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Paremos para uma nota: -O caipira fundamental, antes de ir, diria sobre nosso ex-presidente, sobre nosso Bonaparte da classe média comedora de requeijão: "Joga pelos onze!" ou até "O Ademir da Guia da pátria!" E hoje, anda de vagão em vagão no metrô, entregando panfletos com a única e solitária manchete: "O Lula é uma farsa!" Lembro-me agora que houve, até, alguma justificativa. Tentou se explicar, o caipira. Defendido por metade do bar (exatamente a metade), disse que Luis Inácio foi direita mais do que ninguém. Argumentou que se Fernando Henrique ficasse mais oito anos, daria na mesma. Ainda debochou dos conceitos de "neo-liberal" e "social-democrata" e pulverizou o esforço de atingirmos a destreza de um povo monumentalmente extenso e miserável, com o ponto final: "Poderia ter feito isso (posicionou a mão para cima) e fez isso (agora punha a mão perto dos joelhos). Não fez quase nada!"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E quem não fez nada fui eu. Antes do encontro com os prezados jornalistas, no Miranda, sai de casa e presenciei o horrendo, o monstruoso - uma miserável moradora das ruas de Cerqueira Cesar bebendo "água" de esgoto na viela do rodapé da calçada. Passei por ela sem esboçar qualquer reação, qualquer olhar diferenciado. Agi, me sabotando, como se passasse por um vira-lata e sua lambida ordinária ao esgoto humano. Era, sim, um vira-lata, aquela mendicante senhora. Pois uma vez espantado, sempre espantado. O espanto é meu filho, meu irmão. E a cada bebida de água, lembro daquela vira-lata. Vislumbro a filantropia. Queria lhe dar um galão inteiro, de vinte litros, com a mais pura água. Penso até em lhe dar Gatorades (hoje, qualquer classe compra um Gatorade). Ontem, no lavouro, estava eu e Everton Oliveira, quando o "coração de fotômetro" me contou a piada de seus últimos sets: "São os bebe água!" &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Bebe água", no cinema e afins, são aqueles que não tem o que fazer no set (clientes e etc), e ficam ali, com as pernas cruzadas, deliciando-se com uma aguinha deleitosa, fazendo pose. Me falou de água e lembrei do esgoto acinzentado entrando goela a dentro de nossa miserável Cerqueira Cesar. Era uma sede real, fidedigna, crucial. Beberia todo o esgoto de um bairro, ali, para saciar sua sede. E é essa sede que faltam aos namoros da Cerqueira Cesar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recentemente um amigo acabou seu namoro. Estavam juntos a cerca de dois anos, e a semanas ele reclamava da falta de interesse dela. Se queixava, com uma doce desilusão, da falta de valor que ela lhe demonstrava. Ele, com uma raridade do homem atual, era um gentleman, daqueles que abrem a porta do carro e levam flores para a sogra. Chef de cozinha, preparava uma verdadeira obra de arte a cada jantar para sua paixão desenfreada. Um dia, fizeram amor e, depois disso, logo depois disso, ela mandava mensagens safadinhas para outro, via msn, facebook ou qualquer uma dessas. Foi pega no flagra. Acabaram, ali mesmo, um promissor e acalentado namoro. Eis o que quero dizer: o que ofendeu não foi a "pré-traição" (a traição tinha um motivo ínfimo e menor), e sim o cinismo na presença. Se fizesse isso de longe, distante, não feriria. Mas, na presença, um casal só deve pensar nele mesmo. Essa é a premissa, a beleza. Se bobiar, algum filósofo do Charm já disse: -Num namoro, o que nutre o amor eterno é a sede ignorante por estar junto, a sede semelhante à de uma mendiga que engole o esgoto como Gatorade de tangirina.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo se explica às características de nossa classe média recente. Temos, todos, requeijão no café da manhã. Não bebemos água de esgoto e "namoramos" muito. Ainda haverá o dia em que todos sairemos do Brasil, ao menos uma vez (eu serei o último, pela prospecção), e voltaremos com uma camiseta e sua manchete estampada - "O Lula é uma Farsa!" Termino com o óbvio, explicitando a pouca memória do brasileiro. Hoje, qualquer brasileiro é classe média, pode ser classe média. Esquece-se todo uma paixão por um novo casinho de msn, esquece-se todo um alvoroço do coração por uma discussão rotineira, esquece-se toda uma evolução social por uma viagensinha para a Europa, e se a pobre moradora de Cerqueira Cesar um dia poder comer requeijão no café da manhã, esquecerá dos esgotos que bebeu no inverno, na Rua Antonio Carlos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-4551923111950961394?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/4551923111950961394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/4551923111950961394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/06/gatorade-de-esgoto.html' title='GATORADE DE ESGOTO'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-5594737786689889896</id><published>2011-06-06T09:17:00.000-07:00</published><updated>2011-08-18T17:13:37.303-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sexo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='blog'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ingenuidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bruno graziano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='colégio'/><title type='text'>O TARADO SEXUAL</title><content type='html'>&lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Era um grupo de, no máximo, oito garotos. Pois oito garotos, inspirados em seu despudor, são o alvoroço de uma Sé, de uma Vinte e Cinco de Março, de uma praça Charles Miller. Estudavam juntos e, além disso, viviam juntos. "Não se largam! Que gangue!" urravam as professoras na hora do café. Pois, de um dia ao outro, deixaram a bagunça diária e, entre os oito (exatamente oito), era um cochicho atrás do outro. A mestra mais sagaz já previa: "Vão aprontar. Vão aprontar!" Pois o detalhe está no tipo do colégio - de padres.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Breno levantou a mão e propôs, com uma disposição de primeiro emprego:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;-Eu faço.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Jura?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Mole mole.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Havia um repetente (toda turma há um repetente, tem de haver). Folgado como um touro atrevido, dava as indicações perversas, as dicas do mal. Haviam tímidos da sexualidade e haviam tarados sexuais. Que garoto, emancipado da primeira masturbação, não é um tarado sexual? Adularam a idéia, o plano:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Hoje a noite pego as fotos, de todas, monto, faço o blog e ponho no ar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Maravilha!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Denis, em sua observação de dominador do mundo, deu o impulso:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Vai ser sucesso! &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Uma madrugada foi o suficiente, e na manhã seguinte estava no ar - bucetasdosanto.kit.net &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;montagens toscas e descrições safadinhas. Alunas da sétima série ao terceiro colegial do Colégio Santo Agostinho foram expostas ao mais obsceno e ignóbil destino - a internet. Havia naquilo tudo, porém, um quê de ingenuidade, de bobagem fílmica. As descrições e montagens, se analisadas a finco, com uma sinceridade acima de qualquer hipocrisia, demonstravam as personas de cada uma, em suas mais indigestas verdades ainda não sabidas. Garotas de sétima série são mães (e duas, ali, foram mães aos treze anos), mas garotas de sétima série não sabem sequer ferir - como uma mulher legítima. Minto. Algumas conseguem. Mas estas são de uma raridade valiosa. No duro, essas raras mulheres detém o poder antes mesmo do primeiro beijo, da primeira transa. Uma mulher legítima bagunça, de início, o coração do próprio pai, do próprio irmão. A mulher legítima é, ao lado do jornalismo, uma coisa ultrapassada. Eis que naquele cruel tratado, naquela brincadeira de moleque, haviam umas quinze meninas, e pasmem, apenas uma era mulher legítima.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Viram?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-O quê?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Fizeram um site! Pornô!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Como assim, mas quem?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Não sabem, mas tem você, você e você!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Espalhou-se o boato com uma rapidez de banda larga (e naquele tempo, banda larga era no máximo bunda de coordenadora, bunda de diretora). No fim do dia, não se falava de outra coisa. Era: "bucetasdosanto" pra cá, "bucetasdosanto" pra lá, e muito além da repercussão de um ataque terrorista, da morte de um ídulo, a conversa oficial era a audácia juvenil de algum maldito taradinho sexual. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-E agora? Se descobrirem?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Calma, relaxa. Não vai dar nada.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;O autor detinha, inacreditavelmente, uma auto-confiança de Napoleão. Era um espantado, um ansioso, e idílico da própria personalidade, assumiu o posto de psicopata universal. Uns já pensavam em se entregar, como codornas medrosas. O autor não. Adquiriu uma frieza de máfia italiana e bateu no peito: "Deixa comigo!"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;A grande verdade, hei de ser contada, é que a culpa nunca é coletiva. Há, em nossa era, o prazer pelo coletivo, pelas manifestações, pelo conjunto, pela multidão. No caso do site pornô que alvoroçou a tradicional escola religiosa da Aclimação, um grupo foi cúmplice, foi idealizador, mas há, indiscutivelmente, o faro do cabeça, do mal-caráter, do maquiavélico. As mais cruéis batalhas, matanças, foram encabeçadas. As mais sublimes atitudes, os mais plausíveis feitos, também tiveram um cabeça. Está no DNA nascente, em nossa nova rapaziada, a mediocridade, o esconderijo da multidão, do grupo. "Descobriram quem foi!" Já era noite, haviam jogos interclasses nas quadras poliesportivas, quando surgiu a manchete!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Só contarão amanhã!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Houve, nessa virada de dia, uma tensão maior que a do fim da segunda guerra (ou talvez equivalente). Mães indignadas, pais carregados de ira, meninas chorosas com sua humilhação inédita, professores detetives do pudor, todo um meio estava deliciado com o próprio caso policial. Era caso de polícia!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Sete horas, primeira aula - de português - e Breno é chamado à sala da diretoria. O suspense morria ali, e os olhares em volta lhe comiam a alma. Já era óbvio - até porquê - um segredo, no Brasil, carrega uma fragilidade de princesa européia. Todos já sabiam, mas queriam ver o castigo maior, o castigo solene. O que a diretoria (padres, de crucifixos ostentados no peito), sentenciasse para aquele hediondo rapazote, seria a comemoração alheia, seria a festa geral. Entrou na sala de ouro e mármore e sentou numa cadeira que caberiam, pelo menos, três tarados sexuais. Tinha trezes anos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Não precisa ter medo!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;O papa daquela paróquia urrou, seco em sua face plástica. O menino mantinha-se calado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Foi você? Fale a verdade, será melhor.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;O silêncio do garoto agora carregava certa melancolia do último adeus. Sentia que iria morrer, ali mesmo, esfaqueado por algum coroinha negro (pensou num coroinha negro, não se sabe o porquê).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Pode falar, nada de mal lhe acontecerá.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Um segundo padre, gordo como um boi, coçava as costas com uma dificuldade divina, portentosa. Foi o mais severo de toda história Agostiniana e chegou perto de Breno cochichando:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Pode falar os nomes. Ouviu? Quero os nomes - todos! Pode falar!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Havia em sua fala uma experiência de censura, de maltrato com prazer. Tinha treze anos, era virgem, organizou uma brincadeira irresponsável e estava, ali, numa sabatina de teor nazista com padres espanhóis.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Te dedaram!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Enfim esboçou uma reacão:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Quem?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Foi a adrenalina necessária aos sacerdotes:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Amigo seu. Falso-amigo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Escondeu-se em seu medo por mais cinco segundos e resmungou, baixinho:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Fui eu! Só eu!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Mentira. Quem mais? Fala!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Eu, só eu.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Foram intermináveis minutos de pressão, e enfim, acariciado pela coordenadora que, em sua ternura feminina jamais assumida, botou a mão na cabeça do pimpolho e o protegeu: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Já chega, ele já falou que foi ele.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Era o fim da inquisição. A professora levou-no para fora e, numa distância em que poderia lhe dar um beijo molhado na boca, suplicou:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Fala pra mim, querido. Diz quem foram os outros, nós sabemos que não foi só você. Se não, será punido sozinho.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Breno olhou fundo nos olhos da professora:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Fui eu, só eu!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Na hora do recreio, o carnaval se estabelece. Pois por duas horas e pouco, ficou sentado na mesa do corredor, cabisbaixo e observado atentamente por cinco ou seis funcionários (só faltaram carros do DEIC, do FBI). Três minutos antes do sinal voltou para a sala. Foram curtos e grossos: "Breno de Almeida Grazzioli, o senhor está sendo convidado a se retirar do Colégio Santo Agostinho. Por favor, pegue suas coisas e volte para casa. O inspetor irá lhe acompanhar até sua casa, e sua mãe já foi avisada sobre o caso. Estamos muito envergonhados pela sua conduta nada correta, e desejamos que você, daqui pra frente, coloque a mão da consciência e não cometa mais atitudes com essa, que não conferem nem ao mais maléfico pecador."&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Pegou sua mochila na sala de aula e se preparava para a própria fogueira, a própria guilhotina. Era o recreio. Adentrou o pátio e, numa muvuca digna de Corinthians e Palmeiras em final de campeonato, foi surpreendido por centenas de jovens sedentos por vingança, por barbárie (nossos jovens tem a inveja de outras gerações, e sua barbárie gratuita, fundamental - os jovens de hoje só almejam a barbárie perdida). Foi xingado, achincalhado e ameaçado. Namorados de moçoilas expurgadas, gritavam: "Vai morrer!" E num descuido do inspetor que o escoltava (precisou de escolta), levou uma cusparada na cara e ouviu, ao pé do ouvido: "Meu pai vai te processar".&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;O curioso foi caminho de volta. Foi necessário que o inspetor lhe acompanhasse até a porta de casa. E ele puxava papo, com um sorriso amarelo no rosto, como se nada tivesse acontecido. Chegando no destino, apertou a mão de Breno e se limitou à uma frase feita: "Não chora não, meu, a vida continua. Isso não foi nada, a vida lhe pregará peças muito maiores!" Vejam o que foi aquilo na cabeça do garoto. Com treze anos, o sujeitinho acha que cada nova descoberta, cada nova pregação é a mais homérica de sua vida. Breno chorou por duas semanas seguidas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Sua família lhe castigou, mas famílias castigam com prazo de validade. Duas semana depois, sua mãe lhe conseguiu outro colégio para estudar - e com bolsa de estudos (tinha bolsa de estudos no Santo Agostinho). Era um colégio de freira. Iniciou o ano letivo no meio, em agosto, e sua fama veio com um prestígio petefe, achincalhado. Numa era pré-redes sociais, o espanto ainda era comum. Todos queriam conhecer o "tarado sexual" do Santo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Passaram três meses. Nunca tinha voltado ao colégio que o "convidou a se retirar". Pois, numa necessidade mórbida do teste, da provação, resolveu voltar ao local que lhe expurgou. Na praça em frente, foi recebido com berros: "Olha quem está aí! Ele voltou!" Fora uma festa comedida, entre amigos - estava de capuz e tentava se esconder.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Espalhava as novidades, a fama inacreditável no novo colégio, quando foi interceptado. Nem sequer pode ver os rostos, quando já tomava tapas na nuca, joelhadas intimidadoras e uma nova sabatina. A surpresa foi o fato - eram meninas, cinco meninas. Pode observar suas caras e percebeu, num piscar de olhos - nenhuma das cinco estavam no site.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Por quê?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Por quê o quê?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Não colocou a gente no site?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Não tinha tempo de pensar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Não somos gostosas? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Nem bonitas? Anda, diz! Por quê nós não?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Aquilo continuou e a juventude em volta já comemorava a barbárie tardia, por mais sínica que fosse. Indefeso, foi puxado por outro braço feminino, que o arrastou com uma força de lutador de Jiu-jitso. No caminho - ela não falava nada - viu de cara que se tratava de uma das citadas e expostas no site (que por sinal fora uma situação carregada de desejo adolescente, cheio de tesão despudorado). Ela tinha dezessete anos - quatro a mais que ele - e seu ex-namorado (terminou logo após ser homenageada no site), fora um dos que ameaçaram de morte o tarado sexual das cadeiras escolares. Levou ele pra uma ruela e lhe beijou - um beijo forçado e selvagem (babava com um regozijo e satisfação invejáveis). Breno aproveitava-se daquele abalo apetitoso, quando ela interrompeu e foi sumária:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;-Quando for mais velho me procura!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="LEFT" style="text-align: justify;margin-bottom: 0cm; "&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, sans-serif;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Saiu andando e deixou Breno lá, anestesiado do próprio pecado. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-5594737786689889896?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/5594737786689889896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/5594737786689889896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/05/o-tarado-sexual.html' title='O TARADO SEXUAL'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-4143522932785389039</id><published>2011-05-30T17:42:00.000-07:00</published><updated>2011-10-24T19:54:50.380-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='milton leal bruno graziano viagem amizade crônica catorze dezenove jornalismo'/><title type='text'>O AMOROSO EXPANSIVO</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;embed src="http://www.4shared.com/embed/614461758/45944736" width="420" height="250" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sonho de Um Carnaval, diretamente do vinil "Chico Buarque de Holanda", transferido da vitrola Betty Blue para mp3.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sinto saudades de Milton Leal. Há em mim, batendo no peito, a lembrança diária do amigo substancial. Falo de substância para energizar o âmago que ostento: o que será de Bokka, e sua volta, indecifrada pós-odisséia impraticável? Ninguém saberá dizer. Nem eu, nem sua família, nem seus amigos, nem seus amores. Paulo Silva Junior, tomado de exemplo, é o óbvio contrário perto de Milton leal. Havia em sua partida a certeza inquestionável: "Voltaria assim assim e assado!" Mudou muito o caipira fundamental? "Talvez, talvez..." Responde ligeiro Luciano Costa e seus toques ultra-sônicos. Eis a tecla onde irei bater: -Uns não se tornam nada, só demonstram o que sempre foram. A frase proferida pode ter vindo de Black Alien, ou talvez de Jean-Paul Charles Aymard Sartre. Pouco importa. Não é o caso de Milton Leal e sim de Paulo Silva Junior. Este último viajou e em sua testa permaneceu escrito, por todo esse tempo: "Retorno!" Ninguém mais brasileiro que Paulo Silva Junior. Já Milton Leal, que a pouco abandonou a classe média do Brasil de Lula que o criou, para abraçar um mundo incestuoso e globalizado, poderá não voltar nunca mais. Entendem o que desejo enfatizar? Poderemos nunca mais, indefesos em nosso couto, deliciar-se com algumas das manchetes infinitas de Milton Leal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos aos fatos: o amoroso expansivo. Na segunda semana (creio que foi no terceiro mês, mas a segunda semana me é mais plástica) do Catorze Dezenove, estávamos eu e Milton num petardo caseiro. Devíamos estar montando algum móvel, ajeitando algum eletrodoméstico, ou talvez apenas tomando uma gelada na sacada indecorosa. Pois bem. Iniciamos uma conversa. Antes, hei de ressaltar: mal conhecia meu sócio do lar. Milton Leal, para mim, era uma cena. Uma única e incasta cena. Certa vez, num aniversário festeiro (e alguém, no mundo, comemora um aniversário como o brasileiro?), o antigo jornalista esmagou qualquer pudor e urrou, para cinco moçoilas sentadas que o debochavam por alguma conquista falha, uma frase inédita: "Das cinco aqui, eu só como o cú!" Os mais moralistas, os sóbrios do palavrão irão dizer: "Grosso! Escroto!" Digo que concordo - em partes. Mas, naquilo tudo, Bokka sentenciou sua sina, o seu terror. Poderia desculpar-se, ruborizar-se, mas não: manteve-se numa estóica e inabalável pose canalha. Nelson Rodrigues (há uma prontidão em citar Nelson nessa gozada estilística) criou Palhares, o canalha, que não respeitava nem a cunhada proibida, e lascou-lhe um beijo no pescoço, em pleno corredor vazio da noite incestuosa. Contudo, havia nas entrelinhas de Nelson a admiração abjeta pela sabedoria popular de Palhares. No caso, posso inflamar a pretensão: muito mais sábio que o canalha Palhares, é amoroso expansivo Bokka.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que saudades brava que tenho de Milton Leal. Mas acima de qualquer sentimento, só agora, vem o fato real que não aconteceu (mas pode ter acontecido, minha memória é confusa): estávamos conversando, no Catorze Dezenove. Papo vai, papo vem, tivemos em meia hora um auto-conhecimento mútuo digno do mais severo divã. Amor, São Paulo, família (mesmo fúnebre, a família ainda é o assunto solene de qualquer discussão), mulheres, sexo, Augusta, hombridade e tudo mais. Era, ali, a apresentação tardia. E numa disparidade inquietante de visões de mundo, me foi cuspido: "Na verdade, não sou à favor do amor livre, sou à favor do amor expansivo. Esse sou eu, um amoroso expansivo!" Certas declarações comprometem o sujeito para além da vida e a morte. Convenhamos, é assim que é, e sempre será. "Amoroso expansivo!" Matutava eu, eu minha mente recém aberta. Sim, o amoroso expansivo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ouvi, durante esse último um ano e meio, de lábios alheios: "O Bokka não sabe amar!" ou até: "Não é capaz de ser fiel!". Não discuto a segunda, mas rebato, irado, a primeira: -Ninguém mais romântico que Milton Leal Neto. A nota me foi esculpida por um de nossos vizinhos onipresentes. Pode ter sido Renan, Danilo, Vini, Henrique ou Bahia. Tanto faz. Nossos vizinhos sabiam mais de nós que nós mesmos. E nós deles. Ah, vizinhos. Como foi deleitoso o contato com nosso vizinhos. Enfim. Nunca tive o prazer de conhecer alguém mais romântico que Milton Leal. Nos sambas matinais - Lupcínio Rodrigues me feria o sono, em plena madruga - toda oito horas da manhã. Depois veio Paulinho da Viola, e até, o favorito, Nelson Gonçalves. Não houve um desjejum sequer que Bokka não pusesse um de seus sons abruptos e ultrapassados na função de despertá-lo para o dia que iniciava. Estou ficando emocionado. Bebo minha quarta latinha e a emoção se assemelha ao que passei, diariamente, no Catorze Dezenove. Acenderei um cigarro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há, entre Milton Leal e o restante dos românticos uma ímpar e singular diferença: nós (me incluo no resto) nos limitamos a uma só. Sim, uma sequer. Murilo Costa, Bruno Dias, Everton Oliveira, Cleber Isler, todos românticos. Confesso, depois do fim, que a Controle Remoto Filmes foi um romantismo contínuo e utópico. Era romantismo puro e somente. Ninguém vive de romantismo em São Paulo, nossa metrópole sem amor. Minto. Milton leal - ele mesmo - vive de amor em São Paulo (vivia, há de se atentar). O que o difere, o que o isola, é, no entanto, a expansividade. É capaz, com uma ironia sincera, de amar várias, ou talvez, todas. Quantas noites fui testemunha de um amor finito e fulgaz. Tratava as donzelas com uma destreza emulante - Amélia, futura apresentadora do Jornal Nacional, carioca pitoresca, brasiliense forasteira e, por fim, acima de qualquer razão - a única morena do Brasil. Esse é Milton leal, o coração mortífero. Pulsador de paixões, maquiavélico da entrega feminina. Amou a todas, nem que por um segundo sequer. Sim, a todas. E para cada uma, angariava uma manchete. Sinto falta de Milton Leal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já disse nesse espaço que me tornei um homem no Catorzão. Uns podem questionar: "O que é virar homem?" Na minha infância curiosa, me era narrado: "Só será um homem quando se sustentar!" Pois eu me sustentava quando entrei no Catorzão, e não me sentia homem. Também ouvi, em minha sandália de pai de santo, aos seis anos: "Só será homem quando encontrar uma mulher! A mulher da tua vida!" Pois compreendam: -Enamorei-me com Camile Liguori na presença de Milton Leal. Quando a quebradeira com audiência de VMB adentrou o edifício 1419 da Rua Augusta, pela primeira vez, foi recebida por piegas e feéricas poesias proferidas por mim e Bokka, numa coragem alcoólica. Mas não foi a musa bipolar do Tombo que me transformou em homem. Foi Milton Leal. Alcanço, neste instante, minha confissão, que não deveria proferir nem ao mais discreto psicólogo. Graças a Milton Leal me tornei um homem. "É o irmão que nunca teve?" Minha querida mãe um dia lançou, para meu espanto latente. -Pode ser, pode ser. Me limitei na resposta. Pois foi, foi sim. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há em certas amizades a injustiça do benefício. E se tratando de nossa amizade, proclamo: devo muito mais a Milton do que Milton deve a mim. O canalha de prontidão já me emprestou dinheiro - e muito dinheiro - apenas com a palavra e o olho no olho. O idílico sambista também me foi leal, em inúmeras ocasiões. E há num causo que explica toda uma constatação: certo dia chorei. Sendo que, em toda uma curta vida, pouco chorei. Há, entre mim e o choro uma distância indigna, fatual. Mas, certo dia, chorei. Não sei direito o porquê, mas chorei. Era família o motivo e devia ser realmente família. Na área de serviço, vergonhoso em minha explicitação e fraqueza, eu chorava como um menino. Milton Leal chega em mim e pergunta o motivo. Falei: -É isso, isso e isso. Ele, numa possante preocupação, me foi solícito. Me abraçou e cochichou: "Também já fiquei assim. Fica tranqüilo." Havia em sua sugestão um quê de frase pronta, de quem não está acostumado a conter um choro. Duro de pedra à fraqueza do homem (Bokka demonstra tua fraqueza com uma raridade de diamante africano), ele mentiu. Mentiu para me acalentar a tristeza. Todos deveriam ter um amigo como Milton Leal. Sinto saudades do irmão que encontrei aos vinte e dois anos de idade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seria desonesto de minha parte terminar esse texto com melancolia. De tudo, nosso Catorze foi, no máximo, quinze por cento melancolia. Quantas festas, que reunimos possíveis notáveis, regados a cerveja Pilsen e conhaque Presidente. Quantas atrocidades de dia de semana. Quantas sessões de cinema em casa. Quantas terças do vinho, quantas sextas boêmias de prontidão. Ah, Milton leal, que saudades de nosso apartamento. Com os braços abertos, e a ênfase característica, dava graça até a mais insossa corrida de sábado pelo espigão da Paulista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Milton leal me deu muita coisa, que nunca sequer deu conta. E eu, o que dei a Milton Leal? "No máximo a dica, a valiosa dica: - É a única morena do Brasil" Sim, eu que dei. Mas, que cinismo, meu único presente real será o câncer, a dor de sua viagem mundial. Mas isso é bom. Muito bom. Me junto a única morena do Brasil para antecipar a volta, a utópica volta (sinto que nunca voltará). Holanda, Guatemala, África, Paris, Milton Leal contabilizará histórias e paixões, mas se esquecerá tão fácil, desse último um ano e meio? Poderá endiabrar-se com européias, com línguas jamais ditas, mas a brasilidade, porém, é a única saída para a volta do auto-didata da vida. Todo um Brasil, hoje, viaja para fora. Ainda serei, em minha solidão bairrista, o único jovem que nunca saiu do Brasil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Disse que devo mais a Milton Leal do que Milton Leal deve a mim. Trata-se de uma verdade absoluta. Mas há dívidas cobráveis e não cobráveis. Duas delas, confesso, posso pagar. Nunca viajei com Milton Leal. "Duas pessoas só se conhecem quando viajam juntas!" foi umas das frases ouvidas por mim nesse tempo todo. Nunca viajei ao lado de meu saudoso amigo. Pois se ele, por acaso, ler essa proza, e me chamar para o encontro internacional, digo que vou: -Nos encontremos no mundo, Bokka. A outra dívida cobrável é o abraço final. Dou valor a certas plasticidades. A maior delas, ao meu ver, é o abraço. Não dei um abraço final em Milton Leal. Pois então, só me resta, nesses dez mil toques chegados, prometer à ele - o abraço - para sua volta (se é que ela virá). Darei o abraço nunca antes dado, no amigo que me devolveu a felicidade, meu sócio da vida por acaso, Milton Leal.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-4143522932785389039?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/4143522932785389039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/4143522932785389039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/05/o-amoroso-expansivo.html' title='O AMOROSO EXPANSIVO'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-1788219578656476611</id><published>2011-05-28T16:13:00.001-07:00</published><updated>2011-05-28T21:14:21.433-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='marcha da maconha da liberdade são paulo polícia militar masp manifestação passeata bruno graziano fotografia fotojornalismo'/><title type='text'>MARCHA FLORIDA</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-b3NuXU_nW_k/TeG2TQHdaFI/AAAAAAAAAhM/wfwM_CScbjY/s1600/Pamonha.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;embed src="http://www.4shared.com/embed/612625542/eb24eea1" width="420" height="250" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;From Russia with Love, diretamente do vinil "James Bond Themes - United Artists Orchestra And Chorus", transferido da vitrola Betty Blue.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-b3NuXU_nW_k/TeG2TQHdaFI/AAAAAAAAAhM/wfwM_CScbjY/s1600/Pamonha.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-b3NuXU_nW_k/TeG2TQHdaFI/AAAAAAAAAhM/wfwM_CScbjY/s400/Pamonha.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611967052540373074" /&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-EFAUL2yIcDk/TeG1uOFwJiI/AAAAAAAAAhE/_jbBJ4o0kJE/s400/Wagner%2BMoura%2Bcalado.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611966416341181986" /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-2BdgLkK5cHQ/TeG0H7uA6MI/AAAAAAAAAg0/5sflOxCjJpc/s1600/Puc%2Bfrustrada.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-2BdgLkK5cHQ/TeG0H7uA6MI/AAAAAAAAAg0/5sflOxCjJpc/s400/Puc%2Bfrustrada.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611964659063122114" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-AC2xJ8szivs/TeG04_4LA6I/AAAAAAAAAg8/U4OUhKz2gL4/s400/Raiva%2Bdo%2Boriente.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611965501993059234" /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-rS6bhYcL30s/TeGzhNLvYVI/AAAAAAAAAgs/tm9F1F28yZY/s1600/Policial%2Bdistra%25C3%25ADdo.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-rS6bhYcL30s/TeGzhNLvYVI/AAAAAAAAAgs/tm9F1F28yZY/s400/Policial%2Bdistra%25C3%25ADdo.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611963993736307026" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-MMNudgriecA/TeGyzrtw-LI/AAAAAAAAAgk/8Xw2_dN_0Qs/s1600/Oportunismo.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-MMNudgriecA/TeGyzrtw-LI/AAAAAAAAAgk/8Xw2_dN_0Qs/s400/Oportunismo.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611963211658098866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-04S_YojQvck/TeGyV6CZjSI/AAAAAAAAAgc/Uf8QeItQAOc/s1600/Neg%25C3%25A3o%2Bcontente.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-04S_YojQvck/TeGyV6CZjSI/AAAAAAAAAgc/Uf8QeItQAOc/s400/Neg%25C3%25A3o%2Bcontente.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611962700106665250" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-UHbSvUSnbRU/TeGxq3LgRmI/AAAAAAAAAgU/lwqZQGTPNLw/s1600/Musa.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-UHbSvUSnbRU/TeGxq3LgRmI/AAAAAAAAAgU/lwqZQGTPNLw/s400/Musa.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611961960605173346" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-D-gCEGSzioE/TeGxKdbtT-I/AAAAAAAAAgM/nti8s548xnU/s1600/Multid%25C3%25A3o.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-D-gCEGSzioE/TeGxKdbtT-I/AAAAAAAAAgM/nti8s548xnU/s400/Multid%25C3%25A3o.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611961403938000866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-jy5htyLvKk0/TeGwfgiUryI/AAAAAAAAAgE/9-zb0THCmnE/s1600/Masp%2Btomado.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-jy5htyLvKk0/TeGwfgiUryI/AAAAAAAAAgE/9-zb0THCmnE/s400/Masp%2Btomado.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611960666036678434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-JWA5xNDWijU/TeGvo2FjQ8I/AAAAAAAAAf8/TnezFG0b_00/s1600/Marcelo%2BRubens%2BPaiva.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-JWA5xNDWijU/TeGvo2FjQ8I/AAAAAAAAAf8/TnezFG0b_00/s400/Marcelo%2BRubens%2BPaiva.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611959726928774082" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-a68Dx3s-KOo/TeGvP_wKUQI/AAAAAAAAAf0/32vOP9-Uheg/s1600/Larica%2Boficial_menor.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-a68Dx3s-KOo/TeGvP_wKUQI/AAAAAAAAAf0/32vOP9-Uheg/s400/Larica%2Boficial_menor.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611959300026683650" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-7m5heyGI5Rk/TeGuPgrtLxI/AAAAAAAAAfs/wh8tsMcFQMA/s1600/John%2BColtrane%2BMaconheiro_menor.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-7m5heyGI5Rk/TeGuPgrtLxI/AAAAAAAAAfs/wh8tsMcFQMA/s400/John%2BColtrane%2BMaconheiro_menor.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611958192174870290" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-o7M6Gb8rntQ/TeGqmtAamLI/AAAAAAAAAfc/1CitL7zMotM/s1600/Governantes.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-o7M6Gb8rntQ/TeGqmtAamLI/AAAAAAAAAfc/1CitL7zMotM/s400/Governantes.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611954192573438130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-C8KuJ-KXWNY/TeGpxxGYTRI/AAAAAAAAAfU/90VBZr8EsO0/s1600/Decep%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Bda%2BBarb%25C3%25A1rie_menor.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-C8KuJ-KXWNY/TeGpxxGYTRI/AAAAAAAAAfU/90VBZr8EsO0/s400/Decep%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Bda%2BBarb%25C3%25A1rie_menor.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611953283139128594" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-eMlhlZzAymg/TeGpChdT0pI/AAAAAAAAAfM/yNFNSi2vXas/s1600/Center%2B3%2Btomado.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-eMlhlZzAymg/TeGpChdT0pI/AAAAAAAAAfM/yNFNSi2vXas/s400/Center%2B3%2Btomado.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611952471486485138" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-iwp9u5E0Dnk/TeGoYWXqUSI/AAAAAAAAAfE/F7hJAALJlVg/s1600/Cavalheiro_menor.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-iwp9u5E0Dnk/TeGoYWXqUSI/AAAAAAAAAfE/F7hJAALJlVg/s400/Cavalheiro_menor.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611951746955497762" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-oO_YWtEY8Uw/TeGn37Gp9nI/AAAAAAAAAe8/yD2vfsX9pfg/s1600/Cadeirante.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-oO_YWtEY8Uw/TeGn37Gp9nI/AAAAAAAAAe8/yD2vfsX9pfg/s400/Cadeirante.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611951189880600178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-K7b1oab65FU/TeGm7-Cg1CI/AAAAAAAAAe0/AuC2SToRvLw/s1600/Barb%25C3%25A1rie%2Bde%2Bflores.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-K7b1oab65FU/TeGm7-Cg1CI/AAAAAAAAAe0/AuC2SToRvLw/s400/Barb%25C3%25A1rie%2Bde%2Bflores.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611950159876379682" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-KhUxdiJV030/TeGmGzL7kgI/AAAAAAAAAes/Ahodk-zjlRQ/s1600/Aten%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Bensaiada.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-KhUxdiJV030/TeGmGzL7kgI/AAAAAAAAAes/Ahodk-zjlRQ/s400/Aten%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Bensaiada.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611949246430024194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-VishG1W_LN4/TeGlc_5JQPI/AAAAAAAAAek/MXNi4UnHJIg/s1600/A%2Bmanifestante%2Bmais%2Bjovem%2Bda%2Bcidade_menor.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-VishG1W_LN4/TeGlc_5JQPI/AAAAAAAAAek/MXNi4UnHJIg/s400/A%2Bmanifestante%2Bmais%2Bjovem%2Bda%2Bcidade_menor.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611948528286384370" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-1788219578656476611?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/1788219578656476611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/1788219578656476611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/05/marcha-florida.html' title='MARCHA FLORIDA'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-b3NuXU_nW_k/TeG2TQHdaFI/AAAAAAAAAhM/wfwM_CScbjY/s72-c/Pamonha.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-3663929318657234665</id><published>2011-05-21T12:22:00.000-07:00</published><updated>2011-08-18T17:14:16.264-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='olhar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desejo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='blog fatos reais que não aconteceram bruno graziano  blog de contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='casal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='linha verde'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='metrô'/><title type='text'>UM PRATO DE DESEJO PARA SOBREVIVER</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vagabunda ou devassa? Nem uma, nem outra. Vou explicar: estava eu no metrô um dia desses, mais precisamente na linha verde.  E posso falar: -Pego metrô desde os dois meses! Sim, dois meses de idade - eu, um feto em formação, indigno de qualquer opinião, de qualquer escolha, mergulhado num líquido de placenta delicioso e aconchegante, já ia de estação em estação, de vagão em vagão, acoplado a minha lutadora e guerreira mãe. Desculpem a sentimental confissão. Estou sentimental. Pois bem, estava eu no metrô. Mas antes de prosseguir, heis a nota: -Há vários metrôs em São Paulo. Talvez em Paris, em Nova York, o metrô seja uniforme, ordenado, metódico. Não sei, confesso. Tenho vários amigos que devem saber, viajados em suas coragens internacionais. Eu, não (ainda serei, admito, o único jovem que nunca saiu do Brasil). Só posso falar do que sei, do que vivo. E vivo no Brasil (na verdade, sei pouco de Brasil, só sei de São Paulo - mas talvez, hoje, só saiba da Cerqueira Cesar). E tratando de transporte público subterrâneo, urro a vocês: -Cada linha é um metrô.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos em frente. A linha verde é um metrô. A linha vermelha é outro metrô. A linha azul, por sua vez, é mais um metrô. E assim por diante. Hoje falarei apenas da linha verde. Até pouco tempo atrás, só a Paulista era linha verde. Havia quem dissesse: "Um desfile de moda!" e podemos concluir que de cinco ou seis estações, tratava-se da nata se misturando. Um ou outro trabalhador estrangeiro do próprio centro se integrava, em grande maioria (certas maiorias não valem um olhar), naquela nata em baixo da terra. "Amores breves de metrô!" já pensam afoitos, os que me lêem. Concordo. A expressão deve ter nascido na linha verde. Há, nesse itinerário, um apego pelo flerte, pelo charme, pelo encontro. Sendo que, pasmem, mesmo hoje, aberta ao público (toda uma cidade freqüenta a linha verde do metrô), não perde a característica, não perde a particularidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uns já me interpretam mal: "Exclusivista! Não gosta de povo!" Está na moda julgar. E digo mais, está na moda criticar. O povo, abastado com nossa oportunista internet, é a crítica armada em pessoa. Discutimos sobre partidos políticos, sobre ismos e ismos, mas é na crítica coletiva que devemos nos ater. Tudo é criticável, a céu aberto, ao ar livre. A crítica, para nossa geração, vem antes do pensamento, da reflexão, e um simples comentário de Youtube, de Facebook, untados a uma onipresente inquisição do imediato, carregam uma pungência brutal. Digo isso para levantar o passe: -Só idiotas levam redes sociais a sério. E me junto ao time, inflamado em exemplos - somos idiotas totais. No duro, no duro, nossa crítica vive, sadia e crescente, exatamente pela falta de motivos. Quanto mais se tem, mais se critica, mais há insatisfação. Nossa juventude não tem por o que lutar, e assim, nossa luta é gratuita, rasa. Escolhemos uma situação e, por qualquer texto jornalístico, lutamos pelos outros. Vejam o caso de Higienópolis - que babaquice (lembrei do caso ao falar do metrô). &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Repito as desculpas, por confirmar o óbvio. Volto ao que queria dizer - estava eu no metrô. Era, vá lá, sete da noite. Retornava do trabalho com uma inércia rasteira, leviana. Podia, ali, dormir no banco reservado a idosos e deficientes (e grávidas, se não me engano) e deixar uma torcida inteira de velhos em pé, sacrificando a própria fragilidade. Mas o que importou, nisso tudo, foi uma mulher. Mas não qualquer mulher - que convenhamos, nem era mulher - uma menina. Era feia, feíssima. Mais que isso - era o cão em pessoa. Baixinha e loira (mesmo loira, era feia), tinha espinhas faciais que espantariam até um Acnase man. Uma delas, até, estourou ali mesmo, na frente de todos, numa obscenidade nojenta e plástica. Eram espinhas avermelhadas e inchadas, explodindo numa pele branca de recém-nascida. "Gostosa?" Os mais curiosos me pressionam. -Não, definitivamente não. Um bujãosinho em formação, digo eu. Vestia-se com certa audácia - emoldurada numa saia curta e uma blusinha justa. Sapatilhas dessas da moda. Essas mesmas, que mal parecem ter sola. Sapatilhas de uma andada só - e depois disso - é pé no asfalto. Cabelo de um penteado oculto, nunca visto. Reparei nisso tudo, revelo, com um interesse indiscreto, voyeurístico. Poderia ter lido um livro, ouvido uma música ou sequer continuado dormindo. Mas não - assim que a vi - fixei toda minha atenção naquela pobre de beleza, naquela feínha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Adianto um dado: o vagão estava meio cheio (nada lotado). E o que interessa, de fato, era sua postura. Andava de um lado ao outro, inquieta. Olhava-se na janela da porta do trem como se fosse um espelhinho de maquiagem. Mexia no cabelo com uma freqüência quase robótica. Ajustava a roupa a cada dois segundos e por fim, repetia de forma paranóica o movimento labial de equilibrar o batom (era de um vermelho de Chapeuzinho Vermelho, ou talvez de um vermelho de sangue de desenho animado). Era feia, como era feia. Enfim, era feia e ninguém a olhava. Lógico, era o diabo ali em nossa frente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comecei a reparar nos outros homens, no intuito de caçar algum maluco, algum desprovido de pudor, que a olhasse com desejo, com paixão. Ninguém. Pois numa coincidência daquelas sobrenaturais, ela, ao mesmo tempo que eu, buscava um homem que a ordenhasse, que a flertasse. Após a neurótica preocupação com a própria aparência, ela buscava o desejo alheio (de que adiantava, se nem  em um desses programas de auditório com quadros de milagres de beleza, ela poderia tornar-se minimamente agradável - era feia, muito feia).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Surgiu, intrinsecamente, uma harmonia entre nós. Ela na busca, eu na torcida, com uma diferença - ela não tinha me visto, reparado em minha obsessão momentânea. Passei dali em diante à encontrar, por qualquer custo, um singelo olhar que a degustasse de cima a baixo. Teria que existir, naquelas dezenas de sujeitos, um que pudesse lhe secar como uma atriz global, como uma dançarina do Moulin Rouge, como uma musa indie da Rua Augusta. Tarefa difícil, tamanha feiura (como era feia, meu Deus). Eu já desistia da missão impossível quando fui surpreendido. Começou certa apelação, certa indecência na busca pela atenção masculina. Andava de um ladro ao outro (entre uma porta e outra), rebolando. Sim, agora a feiura em forma de gente rebolava como se levasse um bambolê na cintura. E não parou por ai: -Iniciou uma tática agressiva - olhava nos olhos em torno na busca da própria salvação. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tentou um, dois, dez alvos, e nada. Uns, distraídos em Smartphones, sequer perdiam a atenção de suas telas em alta definição, e outros, sem distração, quando cientes da fria, desviavam o olhar, coçavam a cabeça e até espreguiçavam fingindo um sono inexistente. Declaro a todos: -Já impregnava em mim uma pena feérica por aquela menina. Já estávamos em Trianon Masp (peguei o trem na Paraíso) e eu desceria na Consolação. Esperançosa por um único e não sincero desejo (o que menos importava, para ela, era uma paixão real, definitiva - se satisfaria com qualquer indelicadeza pornográfica, com qualquer xaveco barato), a draguinha "bem arrumada" aguardou a entrada de seu príncipe encantado corajoso, que não veio. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou chegando no clímax. Aquela bruxinha do coração ferido poderia, naquela hora, desmaiar num choro físico e compadecido, suicida do próprio fracasso. "Não é possível!"Não é possível!" devia martelar em sua cabecinha desproporcional (além de tudo, era cabeçuda). Uma hora, parou de desfilar e encostou no ferro. Adquiriu, ali, uma face triste e melancólica. Pensava e arrastava o olhar com uma ternura infantil (tudo bem, era uma menina - dezessete anos, no máximo). Foi ai, que, no descuido do desamor (o desamor mata mais que a AIDS), todo o cuidado que teve com seu lábio equilibrado de batom vermelho chapeuzinho se desfez. Passou a mão no rosto para se coçar e um borrão nítido e fulminante tomou conta de sua bochecha espinhuda. Percebam o drama - numa mulher, certos caprichos fazem um encanto - e o único encanto daquela menina era a boca equilibrada de batom vermelho sangue de desenho animado. Não tinha, ali, mais nenhum pretesto para ser desejada. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Burlou a própria melancolia e olhou ao redor (o último olhar). Este, por azar, veio a mim. Podeira eu desviar, me fingir de dorminhoco, mas não sei porquê raios, por qual motivo, senti vontade de olhar no olho, de demonstrar-lhe desejo. Perdoe-me minha quebradeira com audiência de VMB, minha musa bipolar do Tombo, minha nariguda do olhar sublime de menina, minha italianinha catadora de amora, mas fingi desejar aquela feiosa. Confesso isso sem peso na consciência.  Mantive minha vista em seus olhos, e discreto, passei dos pés a cabeça. Finalizei com um sorriso canalha, abrupto, risível. Ela retribuiu. Pois vejam vocês como são as coisas - após o sorriso de satisfação, virou a cabeça e se foi (chegamos na estação Consolação). Não levantei, e iria descer ali. Esperei ela se distanciar e assim foi, rebolando (já não havia tristeza em sua áurea). Fui renegado pela mulher mais feia da linha verde. Tinha espinhas homéricas na cara, uma cabeça desproporcional e me esnobou. No apito do sinal, corri e sai do vagão. Esperei por dois minutos até que não precisasse mais dar-lhe de cara.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando finalmente saí, dei de cara com quem? Sim, nossa miss feiura, encandecendo alegria, de encontro com as amigas, cochichando alguma conquista (ruminei, evidente, que estava se vangloriando: "Fui secada, dos pés a cabeça!"). Passei reto e segui para casa. O que eu queria dizer é: "Nenhum homem olha no olho de uma mulher que não lhe cause interesse!" Peço a todos que não bebam apenas o óbvio ululante da frase. Enquanto uns digerem, admito, a máxima me foi cuspida por Milton Leal Neto, numa dessas bebedeiras semanais. A frase lhe foi dita por uma dessas conquistas proibidas. Foi onde raciocinei: -A pior ofensa, para uma mulher, é o não-olhar. A manchete é fabricada depois do primeiro olhar, e assim a paixão. Até um prato de comida, quando suculento, recebe de nós um olhar fixo e devorador. Duas quadras depois, já na Haddock Lobo, observei um casal, sentado no banco de fora da Bella Paulista. Conversavam e não se olhavam no olho. Pedi um isqueiro. O cara me deu, sem me olhar no olho. A mulher, idem. Acendi meu cigarro e devolvi o isqueiro. Tentei o olhar novamente, mas não obtive resposta, e eles continuaram sua conversa sem olhar. Hoje nem devem mais ser um casal.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-3663929318657234665?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/3663929318657234665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/3663929318657234665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/05/um-prato-de-desejo-para-sobreviver.html' title='UM PRATO DE DESEJO PARA SOBREVIVER'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-5645801852890392521</id><published>2011-05-09T23:38:00.000-07:00</published><updated>2011-08-18T17:14:30.443-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jornalismo bruno graziano crônica paulo silva junior milton leal'/><title type='text'>A COISA MAIS ULTRAPASSADA DO MUNDO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É o jornalismo. Li o último texto de Paulo Silva Junior. Trata-se de uma quase-fábula sobre seu petardo recente como espectador de futebol - lá na fria Irlanda e sua segunda divisão. Como escreve bem o possível notável! (que convenhamos, será possível por pouco tempo). Só não me atrevo a dizer quando, e fujo sapeca do peso de precisar o marco, a data. Nosso caipira fundamental é picareta por natureza, é enxadão por instinto, é brasileiro. Formou-se em jornalismo, e segue brasileiro, vejam só. Inferniza Galway e arredores, mas pasme, continua brasileiro. Paulo Silva Junior é o Brasil puro entre Irishs nativos, mas acima disso, é o novo jornalismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uns já se coçam, com alguma anomalia pinicante, e palpitam: "Mas o que é o novo jornalismo?" Jogo a bola para Paulo Silva Junior. Poderia jogar a bola para Milton leal Neto, mas este é o regresso único do antigo jornalismo. O caipira de Galway poderia entrar num ringue de luta livre fantasiado de Nacho libre, e enfrentar até a última gota de sangue - Milton Leal Neto, vestido de Señor Ramon.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Algum tempo atrás pisei embasbacado no quarto andar do Estadão (talvez fora o quinto). Já me era cantado: "O prédio do Estadão mete medo!" ou até "O Estadão é o grande jornal! Já entrou no prédio do Estadão?" Eu segui com tamanha amargura, repetindo pra mim mesmo, semanalmente: "Nunca pisei no Estadão." Vejam o que são as coisas? Surgiu a chance de gravar uma entrevista com Luis Carlos Merten, em seu pleito de trabalho, mais precisamente em sua púdica mesa diante a pomposa e eufórica redação do jornal Estado de São Paulo. Resguardei qualquer espanto, qualquer ansiedade, com receio do riso, do deboche. Iria ouvir sobre pornografia no cinema brasileiro - que na época ainda não me era filme - o documentário "A Primeira Vez do Cinema Brasileiro", que posteriormente eu assumiria o volante, no banco do passageiro junto a Hugo Moura e Denise Godinho, o casal da putaria pautada. Pois o prédio, já de longe, me estufou o peito. A burocracia tenta absorver o tesão, mas a burocracia do Estadão é distinta, peculiar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Avistei a redação, com uma beleza ao mesmo tempo risível e portentosa. Num mesmo sentimento de êxtase e frustração, pensei, melancólico: "Pena que seja a coisa mais ultrapassada do mundo." Andei pela imaculada sessão de arquivo, e anestesiado naqueles metros quadrados de história, ruminei: -Imagine botar fogo nisso tudo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, confesso; cogitei botar fogo no prédio do Estadão (mais precisamente na sessão de arquivo). Fomos embora. Sempre que acordo, diante de alguns pensamentos, me vêm o clichê: -O jornalismo é a coisa mais ultrapassada do mundo. Conto pra vocês um caso, que como caso, é de menor importância, e admito de antemão - um casinho. O que é necessário frisar, junto a isso, é a simbologia. "As vezes, um livro inteiro não vale um exemplo!" ouvi certa vez, numa de minhas orelhadas inconseqüentes da conversa alheia. Pois bem. Estava eu na redação (trabalho numa redação). Faço filmetes, mas trabalho numa redação. Uma redação sem armas na cabeça e sem turnos da madrugada, mas ainda sim uma redação. Como não poderia deixar de ser, compartilho o lavouro diário com jornalistas. Aliás, morei um ano e meio com um jornalista. Tenho amigos jornalistas. Bebo com jornalistas. Namoro (e vou casar) com uma jornalista (e serei genro de uma jornalista). Meu grande ídolo é jornalista. Tenho tara por jornalistas, e só me resta a conclusão: sou um jornalista frustrado. Mas há de filtrar o ressentimento - sou um jornalista do antigo jornalismo fustrado. Pouco me apetece, pouco sei, e nada posso provar sobre o novo jornalismo. Repito, deixemos isso para possíveis notáveis. Estou do lado de Milton Leal Neto, lhe batendo nas costas, até a morte, e lhe dando força: -Não deixe o antigo jornalismo. Certas cismas ciscam o patético, ultrapassam o estrambólico - e se assim desejarem, me chamem de ultrapassado, de velho, de ranzinza, assim como é o defunto e sucumbido jornalismo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seguimos com o casinho: -Luis Fabiano assinou com o São Paulo! Ouvi um grito. Era vá lá umas cinco da tarde. Talvez fosse quatro, mas não nego que pode ter sido as sete. Era fim de tarde. E além de mim, talvez oito, treze pessoas também ouviram o grito (podiam ser só quatro, confesso que não olhei ao redor), que não foi inflamado, pensado. Foi daqueles gritos constrangedores, espontâneos como o do parto. Inacreditado com aquele absurdo futebolístico, o sujeito apenas urrou, para todo mundo ouvir, sua recente descoberta (ninguém imaginava que ele assinaria). Eis onde eu queria chegar. Segundos mais tarde, com o espanto coletivo tomando o peito de suspense nos amantes da bola que ali trabalhavam, um colega retrucou: "Mas saiu onde? No lance?" Outro, já feérico em sua busca www, esfriou os ânimos: "No Globo não saiu nada!" Eu, afoito, já com uma inveja de mulher mal-comida por ver um craque (e ídolo) voltar ao seu clube - e que não era o meu, em grande forma, também buscava alguma fonte de confiança, alguma fonte oficial. Blogueiros e sabichões, girinos do novo jornalismo, já sentenciavam em seus Twitters, nos frívolos 140 caracteres: "Luis Fabiano é do São Paulo!" ou até, os mais exautados: "Fabuloso está de volta ao Tricolor!"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Permanecemos ali por mais uns quinze, vinte minutos, destrinchando a grande mídia em busca da manchete profissional. Foi ai que, com um grito menos enfático, e seco, veio a máxima: "Deu no estadão! Luis Fabiano é do São Paulo!" São Paulinos aliviados, Palmeirenses e Corinthianos embreagados de uma inveja firme, estóica. Ninguém respeita o novo jornalismo, e male male, somos curiosos com o novo jornalismo. Uma instituição que só se vangloria do imediato, do não-formalismo, de fato ainda engatinha na fase do respeito. Somos uma era do imediato - em tudo. A inquisição do imediato fracassa um filme antes mesmo de sua estréia. A mesma inquisição é capaz de seqüestrar e torturar um músico popular meses antes de seu primeiro hit. O novo jornalismo carrega todos os defeitos do antigo, só que com uma diferença - não tem virtudes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O próprio Paulo Silva Junior, uma vez entregou ao mundo a verdade absoluta: "Enquanto houver privada, haverá o jornal impresso!" Depois desta beleza de frase, vivo me repetindo: -Enquanto houver privada, haverá jornal impresso! Convenhamos: -Poucos prazeres são tão plásticos, alegóricos, figurativos e místicos quanto abrir um jornal articulando aquela cagada matinal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Observemos a Trip, a Vice, a Piauí. Revistas que ostentam ainda um certo despudor, um costume moderninho. Entrevistas de oito páginas - e por quê não? - entrevistas de uma revista inteira. Ainda há o interesse humano de comprar uma revista impressa por uma só entrevista, por uma só frase. Wagner Moura, Jorge Ben, Lula - são estátuas vivas que alimentam, como exemplos, o antigo jornalismo. Por mais instigantes e incessantes, esses guerrilheiros solitários do papel ainda são o antigo jornalismo. Pois tanto falei e me obrigo agora a retificar: não há novo jornalismo. Nem sequer, ponho a mão no fogo, estão parindo o novo jornalismo. Passo a frente:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nossa juventude prefere a multidão. Sim. A multidão. Sofremos como o coto, e seu esquecimento impune. Em pouco tempo, a assinatura será abolida. Vivemos na tradição sem regras da maioria, ou melhor, da grande maioria. Um Trending Topics leva uma nação inteira para o lado que quiser. Pouca interessa o autor. Dezenas já me rebatem: "Rafinha Bastos! Felipe Neto!" Sim claro, Rafinha Bastos, Felipe Neto - nossos paladinos da multidão. Para Rafinha Bastos e Felipe Neto, mudar uma única opinião pouco importa. Para nossos políticos das redes sociais, o indivíduo carrega uma desimportância digna de um burro, de um jegue. Só milhares, só milhões, lhes aplaudindo o discurso, tem o sigma da vitória, do sucesso. Um influente de centenas, um influente de poucos milhares, pode morrer agora que ninguém se lembrará. Só a totalidade vinga. "Mas onde quero chegar?" resmungam impacientes, os poucos que me leêm. Pois está aí a resposta: quem me lê não é maioria, quem me lê não é ninguém. Enquanto eu não atingir vinte e tantos estados, enquanto eu não atingir mais que um continente - eu não sou ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Morreu o bairrismo - ou sendo otimismo - o bairrismo é ultrapassado como o jornalismo. Rafinha Bastos é gaúcho? Cearense? Carioca? E Felipe Neto? Coritibano? Matogrossense? Pouco importa. Falam, todos, para uma nação inteira, para um Brasil plural, globalizado, um Brasil comedor de Fas Food, um Brasil sentinela de pulserinhas de equilíbrio. Quando pirralho, lembro de meu pai dizendo, após ler uma coluna da Folha no domingo de manhã: "Esse carioca não sabe nada! Nada!" e resmungava: "Já veio aqui, por acaso?" Esse é o mote: a internet é o Lars Von Trier do formador de opinião. O polêmico Von Trier contou a história americana sem pisar na América. Repito: -Sem pisar na América! Temos a reposta do câncer. O cineasta e psicopata dinamarquês é o câncer, e ao mesmo tempo, o ídolo de uma geração de intelectuais. Graças a web, o brasileiro conhece Lars Von Trier, assiste seus filmes, toma cervejas em copo de plástico nos botecos da Augusta comentando suas fitas e ainda filmam curtas influenciados por Trier. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tanto Rafinha Bastos como Felipe Neto influenciam um povo da forma mais brutal e efetiva que um semestre inteiro do Estado, da Folha, do Agora, do Meia Hora. Citei que pouco importam os autores, mas posso estar errado - só autores hoje importam. Mas há, no autor legítimo, no autor sofrido, no único autor, a vivência. Tanto Felipe Neto quanto Rafinha Bastos são palpiteiros do imediato, da ocasião. Pensam piada, pensam críticas, e já postam. Não há redatores, não há imposição. Ocorre a guerra no Iraque e Bastos leva segundos para o deboche. O Fifa 11 chega ao país pelo quadruplo do preço e Neto prepara um vídeo (muito bem feito, por sinal) em questão de minutos. Ninguém, hoje, precisa viver. Basta se conectar. Uma banda larga em nosso mundo eqüivale a todo um sofrimento, a toda uma experiência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando Paulo Silva Junior retornar a sua terra, após a primeira coxinha ingerida no BH, irá fundar uma revista, um jornal. E nele, será proibido o e-mail. Percebam a audácia - o caipira abolirá o e-mail da redação. Quem quiser se comunicar, trocar opiniões, pautas, xingamentos - o terá que fazer ao vivo, seja num porão imundo, seja numa mansão em Sumaré. Lá teremos Luciano Costa digitando vinte mil toques em sete minutos, lá teremos Milton leal Neto balbuciando manchetes ao redor. Lá teremos estagiárias dando em cima do patrão. Lá teremos contínuos, lá teremos noites sem dormir, lá teremos contato físico, lá teremos histórias reais. Lá teremos o que o novo jornalismo precisa aprender - nunca deixar de ser o antigo jornalismo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-5645801852890392521?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/5645801852890392521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/5645801852890392521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/03/coisa-mais-ultrapassada-do-mundo.html' title='A COISA MAIS ULTRAPASSADA DO MUNDO'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-8507222082745258141</id><published>2011-05-07T11:33:00.000-07:00</published><updated>2011-08-18T17:16:12.426-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cerqueira cesar rua augusta rua hadock lobo bruno graziano crônica'/><title type='text'>INVEJA EM CERQUEIRA CESAR</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Moro em Cerqueira Cesar. Me perguntaram, ainda essa semana, em que cidade eu morava. Respondi convicto e veloz: -Cerqueira Cesar. A mulher, emparelhada num telemarketing da NET, teve a delicadeza de me corrigir: "Não o bairro, senhor, a cidade!" Poderia insistir em minha teimosia, eu minha chatice, mas não quis alongar a conversa: -Claro, sou de São Paulo, e o bairro é Cerqueira Cesar. Não Consolação, não Bela Vista - Cerqueira Cesar. Serei mais claro; tenho uma obsessão pela Cerqueira Cesar. Hoje, pra mim, o bairro que me abriga tem mais importância que toda uma metrópole, que toda uma Grande São Paulo. Recentemente, um vizinho fundamental de minha infância (daqueles vizinhos que mesmo milhas de distância ainda são vizinhos) me visitou e ao se tocar da localização, lascou um comentário voraz: "Porque veio pra cá, esse bairro de grã fino?" Foi ai que reparei, enquanto ouvia o resto de suas percepções do Espigão da Paulista: -Os outros bairros tem inveja da Cerqueira Cesar!&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Posso explicar: não há ser que não se espante quando digo que moro onde moro. "Jura? Perto da Haddock Lobo? Da Augusta?" Disse qualquer "ser", mas na verdade me refiro a quem conviveu comigo na infância. Venho de um bairro de classe média - Mirandópolis. E nos entornos desse pitoco paulistano, cresci enrolado em famílias de classe média baixa e alta, só que, em sua maioria, apenas classe média. Lembro que na Luis Gois, rua onde vivi meus primeiros vinte e um anos, um barbeiro que me tosava a juba vivia urrando: "Uma vez classe média, sempre classe média!" E só hoje, depois de mais de uma década, fui entender as entrelinhas do Chef. capilar. Nossa classe média tem medo de sair da classe média. Pois nessa afirmação, o que mais é espantoso, incrível, é o medo de sair para os dois lados. O brasileiro médio, sobretudo o da Paulicéia, tem um pudor, e rimando, um pavor, de ser milionário, ou de cair na miséria. Vejam bem: esse medo é igual, semelhante, tênue e acirrado. O pobre quer ser rico, e por vezes, o rico quer ser pobre. A classe média não, essa tem o conformismo da mediocridade, do medianismo. Nós (me incluo plasticamente nessa classe), temos inveja do dinheiro extremo, e adulamos a pobreza indubitável.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Embolei toda esta percepção de inveja social para chegar onde o título pisa: muito maior, muito mais pulsante e vigorosa, muito mais áspera e grandiosa, é a inveja interna da Cerqueira Cesar. A Haddock Lobo, por exemplo, morre de inveja da Augusta. E esta, por sua vez, daria toda uma história para ser a Haddock Lobo. Destrincho essa acusação mergulhando em meus espantos da infância. Pois antes, reforço: -Nossos espantos dos zero ao dez são imaculados, e nesse cálculo, o que somos dos zero ao dez permanecem em toda nossa existência. O que o garoto de seis anos pensa sobre uma mulher, por exemplo, é mais sincero e cruel do que ele pensará para o resto da vida. "Ninguém se torna nada, só demonstra o que sempre foi!" ouvi certa vez da boca de Black Allien, numa dessas entrevistas de web. Se o pensamento for verdadeiro, tenho a certeza casta e indiscutível que eu nasci para viver na Cerqueira Cesar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;São duas provas cabais: uma para a Rua Augusta e outra para a Haddock Lobo. Aliás, admito, em meio a um careta que me tranqüiliza e rebate no peito, a Cerqueira Cesar se limita a Rua Augusta e a Haddock lobo. Me contaram que o patriarca de tudo isso é Dr. José Oswald de Andrad, pai de Oswald de Andrad, o notável, que em 1890 já trazia movimentação rural para esses lados (foi um velho que me contou, e não existe velho que não romanceie - o problema somos nós, jovens, em nossa ridícula verossimilhança, em nossos registros youtubianos sem edição, em nossos tratados reais de Facebook - seremos uma história sem romance, e junto a isso, nosso romance será óbvio e frio). Pois o mesmo velho, questionado por mim do por quê do nome, teve um tom de fofoca, de birra: "Algum bambambam da época que se casou com uma filha dos Cerqueria Cesar, e que tinha terras por aqui." Pesquisei a fundo nos confins do wikipedia e percebi a mutreta da época: um bem bolado casamenteiro entre as famílias Coimbra, Milliet, Sabino e Cerqueira Cesar, sacramentou o nome eterno da região. Minha curiosidade, agora, é a do motivo: -Qual a razão da última família ter levado o louro, a homenagem? Fujo de qualquer outra cavação histórica e romanceio em meu pedantismo possível: interesse. "Óbvio! Mas qual interesse?" me aponta o dedo algum pivô do perfeccionismo. Pois confabulo o passado com minha cisma do presente. De certo, nessa muvuca familiar que se deu no início do século, desavenças caracterizaram o que é hoje a Augusta e a Haddock Lobo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Voltamos a minha infância: talvez já tenha contado aqui. Talvez não. O fato é que fui poucas vezes a Rua Augusta quando moleque. E confesso, currando a memória, que antes dos dezesseis nunca pisei na Natalie Portman das ruas de concreto. Vinha de carro, no banco de trás, protegido em meu voyeurismo obrigatório, apenas galgando o destino: ainda iria morar ali. E aquela certeza, aquela neura, me era ressentida, me era um pecado juvenil. Era proibido, nas famílias do bairro, que os filhos freqüentassem a famosa noite Augustiana. O adolescente que se atrevia a perder a virgindade nos inferninhos de acá, e que não guardava segredo, e assim descoberto, era punido com castigos ríspidos, severos. Era a rua proibida para o bom senso dos católicos afoitos que permeiam até hoje o bairro onde vivi por mais de duas décadas. Satanás estava ali, e se eu quisesse ser alguém na vida, a distância me era aconselhada. Junto a isso, nem de carro, charrete ou avião, pisei na Haddock Lobo antes dos dezesseis. Porém, ouvinte de conversas alheias, sempre ouvi falarem da "rua dos grã finos" com certa discrição, com uma pompa distante e alegórica. Minha mãe e colegas de trabalho, na hora da marmita (eram professoras, faxineiras, inspetoras, seguranças), citavam a "Haddock" só quando tratavam de coordenadoras, diretoras, donas. "Fulana comprou a sala dela na Haddok Lobo", "Ciclana só compra roupas na Haddock lobo". Sim, isso mesmo, a Haddock Lobo foi, para minha noção de pimpolho, o símbolo da ascensão social. Para freqüentar a passarela de luxo era necessário ser importante, rica ou poderosa. Pois bem: passei da fase da canela careca à barba grossa tendo apenas uma noção: A Augusta e a Haddock não se bicam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Hoje posso falar: nada mudou. Ingênuo foi meu espanto ao saber disso. E por acaso a classe média muda? Não, não muda. João Theodoro Blanco Alves, o quatrocentos contra um de nosso mercado imobiliário, carrega ao mesmo tempo um amor e ódio para com nossa classe média. Mês passado, nunca discussão sobre o "Brasil de Lula", o jovem que quer ser maior que a toda a Encol enlatou uma frase indigesta, corrosiva e enfurecida: "O Brasil de Lula resgatou uma classe média da lama, e essa mesma classe média vai ensangüentar o próprio Brasil de Lula, lhe matando." Posso lhes assentar que do ódio vem as melhores verdades. Sendo que do ódio de João para com nossa classe média virá também nossa salvação. Do ódio e do amor, vale ressaltar. Nossas famílias de alguns salários mínimos amam pouco, e o pior, odeiam pouco. Não há insatisfação real, crítica, humana. Só pobres ainda odeiam, ainda amam. E ricos, com sua riqueza verde como o campo do antigo Palestra Itália, também amam, também odeiam, ou o seu dinheiro, ou o dinheiro alheio. Um endinheirado da Cerqueira Cesar é capaz de armar uma guerra civil por mais um imóvel, por mais uma viagem a Europa, e o mendigo da Cerqueira Cesar ainda sente vontade de matar, de roubar, por um prato de comida, por uma dose de pinga. Já a classe média da Cerqueira Cesar só quer consumir, só quer comprar, e se tratando de sentimentos, esta classe média é quase analfabeta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;"Mas que exagero!" já me dão a rasteira do equilíbrio certos jornalistas de faculdade particular, certos filósofos do Charm, certos cinéfilos do Belas Artes. Sinto diária.mente, ouvindo e vendo, a inveja das duas vias. Quem freqüenta a Rua Augusta não suporta quem freqüenta a Haddock Lobo, e vice-e-versa. E há, nessa relação forçada, uma ironia capaz de mover o chão. Pois se um dia um terremoto destruir nosso arborizado bairro, eu argüido essa rixa, essa guerra fria moderna. Talvez o leitor não concorde em nada com o que acabei de proferir. Talvez o leitor me ache um imbecil das teorias do pré-sono. Pois numa última tentativa, lhes proponho um exercício: subam a Augusta, ao meio-dia, e depois desçam a Haddock Lobo no mesmo horário. Repitam isso a meia-noite. Virão a diferença. A disparidade. Um quarteirão de diferença explica toda uma São Paulo central. Nessas duas ruas encontramos o Tatuapé e o Morumbi, esbarramos com a Freguesia do Ó e com o Jardins, avistamos a Sé e a Vila Sabrina. Nenhum bairro é menos próprio, menos tímido quanto a Cerqueira Cesar. Se fosse uma empresa, teria milhares (talvez milhões) de acionistas.  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Não há classe média tanto na Augusta quanto na Haddock Lobo. E digo mentalmente. Pouco importa o poder aquisitivo quando a criatividade e a obsessão tomam conta do sujeito. É por isso que ainda há inveja, ainda há amor, e ainda há ódio por aqui. Redigi a pouco; "a classe média da Cerqueira Cesar", mas no duro mesmo isso é quase inexistente. A classe média da Cerqueira Cesar é forasteira, itinerante, vai-e-vem. Lógico que há consumo, que há inflação, que há negócios. No fundo, no fundo, o que ainda impede e fortalece a não-classemédializacão da Cerqueira Cesar é a mesma ironia que faz com que a Haddock Lobo e a Augusta não entrem em disputa armada. É necessário muita ironia para ser ateu, para se drogar, para admitir uma homossexualidade. A classe média é irônica num nível acomodado, quase que cimentado. Já a ironia dos que fogem da classe média é quentinha como um Brownie e ainda será definida. Eu, no caso, quando era Augusta, vislumbrava a Haddock Lobo, e hoje que sou Haddock Lobo, vislumbro a Augusta. E se um dia eu voltar para a Augusta, vislumbrarei a Haddock Lobo como se fosse a primeira vez. Para isso, basta ironia!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9062830868692254477-8507222082745258141?l=www.fatosreaisquenaoaconteceram.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/8507222082745258141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9062830868692254477/posts/default/8507222082745258141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fatosreaisquenaoaconteceram.com/2011/05/inveja-na-cerqueira-cesar.html' title='INVEJA EM CERQUEIRA CESAR'/><author><name>Bruno Graziano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14719430275810428177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9062830868692254477.post-1649485304552945488</id><published>2011-04-05T11:16:00.000-07:00</published><updated>2011-08-27T11:45:08.671-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='catorze dezenove apartamento festa despedida bruno graziano milton leal junior'/><title type='text'>CATORZE DEZENOVE</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;iframe width="412" height="261" src="http://www.youtube.com/embed/foM_GTH_5og?hd=1" frameborder="0" allowfullscreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Morrerá como nasceu - uma incógnita - nosso petardo de concreto. Uns dizem se tratar do efervescente antro de possíveis notáveis, revezando seus futuros de manchete nos dez calorosos ambientes únicos (contemos: as sacadas, os corredores, e até a área de serviço, tiveram vida própria neste bom-vivant de primeiro andar).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Falei das sacadas e nelas moraram minhas obsessões. Havia quem entrasse no apartamento e já procurasse a meia-saída. Os fanáticos do careta de fim de tarde ao ar livre farejavam o voyerismo da Brigitte Bardot, da Natalie Portman das ruas paulistanas - a Augusta. Pois bem, nossas sacadas tinham o feito de um jornalista que vira assunto, de um investigador matrimonial que é pego traindo. Nossas sacadas foram - e digo isso com orgulho - aquelas meninas feinhas do colégio, que bem produzidas, fuzilam até o coração do professor. Demos vida a uma esquina, e sendo assim, esquinamos uma vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Posso explicar: o período que aqui vivi me foi uma esquina. "E quão charmosas são as esquinas!" profere Paulo Silva Junior, o caipira fundamental, enraizado na glacil Galway. "A graça está na virada!" me auxilia ligeiro, Luciano Costa, o literário bebasso - que ainda bandeira o raciocínio: "Mesmo você sabendo onde vai virar, nunca saberá o que vai encontrar!" Ele tem razão, total razão. As palavras do ternura do grande ABC me amaciam o peito. Confesso - com a ênfase de um Milton leal - que esperava o Catorze Dezenove em minha vida. O lance, o fato, a parada, o tapa na cara, o evento, foi, porém, a fuga do óbvio. Ao inverso. Queria eu fugir do óbvio e um ano e meio me mostraram que está no óbvio toda a graça, todo o sabor. Fui mergulhado num oceano de clichês viciados em seu eterno retorno, sendo que, alçado numa plena convicção, urro a todos (com os braços em movimento, para o alto): -Nos entreguemos aos clichês!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As vezes sou tomado por contas matemáticas, das mais bobas, ignóbeis - catorze mais dezenove dá trinta e três - a idade dele, o maior, o Deus. Pois quem precisou de Deus se aquilo li já era nosso lar? "Ateu! Ateu!" já me julgam os mais religiosos, os afoitos de nosso senhor, e me apedrejam em pensamento. Pois não houve credo, discordância política e sequer doença, que diminuísse a áurea do Catorzão. Psicólogos falaram ao invés de só ouvir, cineastas inverteram o eixo e se viram filmados, fotógrafos receberam o flash da própria câmera, chefs de cozinha transfiguraram o fogão alheio em televisão, jornalistas foram matérias da própria pauta, advogados receberam julgamento e foram absolvidos, banqueiros trocaram e deram sem dinheiro, pais deitaram no colo dos filhos, gringos puseram a havaiana e ensinaram o Brasil para brasileiros, melancólicos provaram da alegria efusiva, e felizes constantes gozaram da doce tristeza, frias se abriram para paixões, canalhas fizeram juras de amor eterno, inimigos íntimos brindaram no mesmo copo, a alta classe provou o conhaque Presidente, a plebe degustou vinhos com aroma de madeira, noites expuseram suas vontades diurnas e dias bicaram o tino de noites intermináveis - outros estados beijaram o escudo de São Paulo no peito, e por quê não? São Paulo perdeu a virgindade de outros estados. Como diria Tom Zé: "Eu to te explicando, pra te confundir, eu to te confundindo pra te esclarecer, eu to iluminado pra poder cegar, e to ficando cego pra poder guiar!" Quando não se tem inspiração para o original, se copia. Pois copio Tom Zé, descarado em meu despudor, e assim defino nosso finado lar de poetas. Ainda voltarei nos poetas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro de um causo, e talvez, junto, de um motivo: inicialmente, os moradores do 1419 seriam Milton leal, Luciano Costa e Paulo Silva Junior. Pois os mais atentos me antecipam: "Figurinhas carimbadas de suas crônicas!" - de fato. Não saberia pontificar um motivo, uma razão, de meu fascínio pelos prezados jornalistas. O pretexto de meu interesse doentio caberia na disparidade que recheia esse trio: um novo jornalista, um antigo jornalista e um quase ex-jornalista. Mas não. Isso veio depois. É percepção posterior, recente. Na época em que desbravávamos, paralelamente, a pitoresca Cerqueira Cesar em busca de um moradia, mal conhecia os três. Sabido da procura, me envolvi, me atrevi, e confesso, até rezei: queria morar com eles. Sempre fui um jornalista frustrado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eis que numa manobra da burocracia, num entrave de nosso abafado sistema, esta parceria derreteu. E recebi o telefonema, áspero e adubístico, da vaga, da brecha, de um quarto livre, no achado logradouro de Milton leal. Chego no causo: marcamos uma visita, lá pras onze da noite, para uma conversa, já no local. Toco a campainha e o silêncio me recebe. Ao redor, uma Augusta de segunda-feira, árida e ressaquenta, que ali me parecia distinta, epiléptica, descharmosa, mas que só depois, impregnado nela, descobriria seu charme noturno do primeiro petardo útil semanal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sigo firme na lembrança: toquei em vários apartamentos. Ninguém atendeu. Cinco minutos depois, entram no prédio, e me arrependo até hoje - não guardei o rosto. Poderia ter sido Renan, Vinícius, Henrique, Danilo, um de nossos vizinhos onipresentes. O que importa é que consegui entrar, vencendo o acaso desortudo, e no espanto que me toma sempre no primeiro passo de novos lugares, cheguei até o citado apartamento - três. Foram quinze minutos tediosos de campainha e nada, nada. "Vou arrombar!" pensei, enforcado numa ansiedade crônica e nunca curada (sou um ansioso de DNA). Fui pra casa. No dia seguinte, liguei para Milton e me veio a máxima, sumária e quase idílica, sublime e bossal: "Estava trepando com minha namorada no quarto. Não ouvi!" O que influencia na frase, percebam, é o tom (só quem o conhece, sabe). Numa naturalidade de sambista dos anos trinta, Milton leal se limitou a um: "Marcamos pra hoje! Mesmo horário!" Respondi: "Mais cedo, mais cedo!" e o martelo foi fechado: "Marcado!" &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A apresentação, rápida e praticamente turística, foi comida pelo franco trato: "Cara, eu vou morar aqui dois anos e meio. Você pretende ficar todo esse tempo? Porque se não é foda, achar outro no meio do caminho." Eu, numa incerteza corrosiva, no medo de perder a bocada, a chance, pouco raciocinei: "Lógico!" Ainda tivemos tempo para firmar diversos contratos orais. Enquanto observávamos a sala, enaltecidos pela ainda virgem sacada, Milton leal não se conteve: "Tem problema com festas? Pois quero fazer varias festas aqui. Toda semana!" Fui resignado: "Sem problemas! Pelo contrário..." Passamos por assuntos dele, o dinheiro (na época ganhávamos o mínimo para sobreviver) e finalmente apertamos as mãos. Eu iria morar no - ainda sem nome - apartamento três da Rua Augusta, número Catorze Dezenove. Aquilo era, pra mim, uma viagem de lua de mel para a Europa, uma aventura infantil a Disney, um carro zero quilômetro cheirando Muffin.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os idiotas do ceticismo gritam em seus discursos feéricos: "Não existem coincidências!" Quão babacas são os céticos da emoção, os controlados do batimento cardíaco. Aposto as coincidências, e boiando em seu mar, retifico: -Só a coincidência pode ser comprovada. Me interessam com um assombro - as primeira
